Caso Man. City origina tensões entre países: EAU avisam governo do Reino Unido
O caso do Manchester City está a deixar de ser apenas uma batalha desportiva e ameaça agora criar tensão nas relações entre o Reino Unido e os Emirados Árabes Unidos. Segundo a Bloomberg, responsáveis emiratis terão alertado o governo britânico de que a severidade da eventual sanção ao clube poderá influenciar o interesse do país em futuros investimentos de grande escala no Reino Unido.
A tensão surge depois de uma comissão independente da Premier League ter considerado o City culpado de todas as acusações relacionadas com violações das regras financeiras entre 2009/10 e 2017/18, além da maioria das acusações relativas à falta de cooperação com a investigação. Segundo a Premier League, o clube terá utilizado acordos comerciais fictícios para inflacionar receitas e reduzir custos em mais de mil milhões de euros.
No centro da questão está também a ligação entre o clube e Abu Dhabi. O Manchester City é propriedade, desde 2008, do Abu Dhabi United Group, ligado ao xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan. A comissão considerou que parte do financiamento apresentado como receitas de patrocínio era, na realidade, dinheiro proveniente da estrutura proprietária. O City rejeita as conclusões e apresentou recurso, defendendo que existem erros na decisão e provas que sustentam a sua posição.
A dimensão económica da relação ajuda a explicar a preocupação britânica. Os Emirados são um importante investidor no Reino Unido, com interesses em áreas como defesa, ciência, tecnologia e infraestruturas.
Do lado britânico, a reação política também gerou polémica. O primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que ficaria «muito preocupado» se os proprietários do City fossem obrigados a abandonar o clube, comentários que provocaram críticas e obrigaram Downing Street a reforçar que ninguém está acima da lei e que eventuais culpados terão de assumir as consequências.
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