«Só o Benfica se assume como candidato a vencer todas as provas em Portugal»
Acabado de iniciar a segunda época à frente do Benfica com uma vitória na Supertaça (5-0 ao FC Porto) e outra na 1.ª jornada na Liga BPI (3-0 ao Racing Power), Ivan Baptista falou com A BOLA sobre o desafio que é integrar jovens jogadoras da formação das águias na equipa principal, numa altura em que Carolina Tristão (17 anos, já jogou no Benfica e agora está no Mundial sub-20), Madalena Loução (17 anos, já jogou Supertaça); Ariana Schafer (16 anos, já esteve convocada para jogos da equipa principal), entre outras, estão à bater à porta da equipa.
«Uma das nossas ideias passa muito por dar espaço à qualidade que vem da formação», garante. «Não é apenas por só querer apostar nas miúdas, eu gosto mais da expressão de dar espaço para elas crescerem quando sentimos que elas estão prontas para tal. Acaba por ser difícil para elas, por sermos candidatos a todas as provas internas, porque estão a transitar de escalões de formação onde não têm esse nível de exigência de resultados e de repente estão numa equipa onde não há margem de erro. Felizmente, temos tido bastantes casos de jogadoras que têm conseguido dar essa resposta», afirmou, durante uma conversa do media day da Liga BPI.
Já olhando para os objetivos da temporada — conquistar Liga, Taça e Taça da Liga, e ultrapassar a fase de grupos da Liga dos Campeões —, Ivan Baptista falou da gestão da motivação e do foco que as jogadoras devem ter. «A motivação não sinto que seja qualquer desafio para mim. Felizmente, este grupo que tenho à minha disposição tem uma motivação intrínseca enorme», explica; já a «questão do foco, por vezes, é um desafio».
«Nós estamos envolvidos em quatro provas nacionais e uma prova europeia e temos de trabalhar para redirecionar o foco. Naturalmente, quando chegarem jogos europeus, em que estamos a jogar de três em três dias, é inevitável que isso mexa também com a cabeça de toda a gente que está envolvida. E aí não podemos facilitar, não podemos ficar distraídos porque os nossos adversários não vão facilitar», avisa.
O técnico de 34 anos esteve 12 anos afastado do futebol feminino (com experiências enquanto adjunto em Portugal, Noruega e China) e defende que desde a sua saída do Boavista, em 2013, até à chegada ao Benfica no ano passado, o estado da modalidade em Portugal é «completamente incomparável», porque «é quase tudo diferente, para melhor».
«A nível de infraestruturas, a nível de competitividade, a nível de profissionalização… também sei que cheguei se calhar ao extremo daquilo que é a aposta, daquilo que é as condições que se dão de trabalho, que é o Benfica», avança, satisfeito,
Por fim, sendo esta a época de estreia do FC Porto na Liga BPI e a primeira vez que os tradicionais três grandes disputam a prova, Ivan Baptista só se preocupa com o Benfica. «Não me tira o sono aquilo que são os objetivos das outras equipas», diz, antes de reafirmar as próprias ambições: «Já deu para perceber que só o Benfica é que se assume como candidato a vencer todas as provas em Portugal, pelo menos ainda não ouvi mais nenhum treinador de nenhum clube a assumir-se como candidato a todas as provas em Portugal, nem a nenhuma em específico.»
Deste modo, e concluindo, a chegada do FC Porto, «como qualquer equipa que chegue à Liga BPI, é bem-vindo, se assim for para trazer mais condições aos jogadores, aos treinadores e staffs.»