Ben Shelton
Ben Shelton

Shelton vence duelo americano e defronta Zverev na final do US Open

Tiafoe e Kachanov derrotados

Ben Shelton garantiu a primeira presença numa final de um Grand Slam após uma vitória impressionante em quatro sets sobre o compatriota Frances Tiafoe, numa meia-final épica que animou o público no Arthur Ashe Stadium, no US Open.

O oitavo cabeça de série, de 23 anos, recuperou de uma desvantagem inicial para vencer com os parciais de 4-6, 6-3, 6-3 e 7-5, num encontro que durou três horas e 17 minutos. Ambos os jogadores procuravam alcançar a sua primeira final de um Major e proporcionaram um grande espetáculo.

Na final de domingo, Shelton irá defrontar Alexander Zverev. O principal favorito ao título superou o russo Karen Khachanov por 6-3, 7-6 (9-7) e 7-6 (8-6), alcançando assim a terceira final consecutiva de um Grand Slam e mantendo viva a esperança de conquistar o segundo grande título do ano.

Shelton torna-se o primeiro tenista negro americano - é filho do afro-americano Bryan Shelton, que também foi tenista - a chegar à final de singulares masculinos do US Open desde Arthur Ashe - que dá o nome ao court onde jogaram -, em 1972. É também o primeiro jogador negro a disputar uma final de singulares de um Grand Slam desde a derrota de Jo-Wilfried Tsonga no Open da Austrália de 2008.

Shelton tem ainda outro desafio pela frente - ainda nem era nascido na última vez que um americano venceu o torneio e assim tentará quebrar um longo jejum para o ténis masculino do seu país, tentando ser o primeiro a vencer o US Open desde Andy Roddick, em 2003. Desde aí, penas por seis vezes um tenista americano chegou a uma final de um Grand Slam, sendo o mais recente Taylor Fritz, há dois anos.

Visivelmente emocionado, Shelton dedicou a vitória à sua família. «É muita emoção. A minha mãe e o meu pai sacrificaram muito para eu estar hoje nesta posição», afirmou, acrescentando uma nota pessoal: «O meu pai perdeu a mãe dele no início deste ano. Foi por causa dela que ele pôde jogar ténis. Sem ela, não haveria um Ben Shelton aqui hoje. Esta é para ela».

Apesar da rivalidade em campo, Shelton destacou a amizade com Tiafoe. «O Frances é como um irmão mais velho para mim, e sempre que podemos partilhar este court e jogar um contra o outro é super especial», disse. «Este é o nosso torneio favorito, o nosso court favorito no mundo, e poder brilhar à vossa frente [o público] é a melhor sensação que existe».

Para conquistar o título, Shelton terá de superar um adversário contra o qual perdeu os cinco encontros anteriores. No entanto, confiante com o percurso no torneio - antes derrotou Carlos Alcaraz - e com o apoio do público, o americano fez um apelo: «Vou precisar que vocês tragam a energia no domingo. Vou deixar tudo em campo e espero que venham apoiar-me. Vamos fazer isto pelos EUA».

Zverev em mais uma final

Alexander Zverev garantiu a presença na terceira final consecutiva de um Grand Slam, marcando o regresso à decisão do US Open seis anos depois da sua primeira aparição.

Zverev, de 29 anos, que conquistou o seu primeiro título do Grand Slam em junho, no Open de França, e foi finalista em Wimbledon em julho, onde perdeu para o número um mundial, Jannik Sinner, demonstrou uma consistência notável este ano. Aproveitando os problemas físicos de Sinner e do campeão em título do US Open, Alcaraz, o alemão alcançou as meias-finais em todos os quatro torneios major.

Apesar de um início de torneio hesitante, com vitórias em cinco sets nos dois primeiros encontros, Zverev elevou o nível e não cedeu qualquer parcial desde então. Contra Khachanov, o número 50 do mundo, o alemão manteve o controlo durante a maior parte do tempo, embora tenha enfrentado alguma pressão ao salvar dois pontos de set no terceiro parcial.

Esta será a segunda final do US Open para Zverev, que em 2020 perdeu o título para Dominic Thiem num encontro de cinco sets.

«Depois da segunda ronda, por volta das três da manhã, estava no balneário com a minha equipa e estávamos a rir-nos do quão mal eu estava a jogar», confessou Zverev. «Esse sentido de humor ajudou-me. Obviamente, melhorei um pouco, caso contrário não estaria na final do US Open».

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