Salvar a perna é prioridade: lesões como a de Lindsey Vonn podem acabar em amputação
O processo de recuperação de Lindsey Vonn é longo e a atleta ainda terá de submeter-se a nova cirurgia, depois de ter sofrido uma fratura numa perna no downhill dos Jogos de Milão-Cortina. A prioridade é salvar o membro, já que há lesões semelhantes à sofrida pela norte-americana que acabaram por resultar em amputação.
A história recente de Lindsey Vonn é impressionante. A atleta regressou à competição na temporada passada, aos 40 anos, após uma pausa de quase seis anos e, apesar de esquiar com um implante parcial de titânio no joelho direito, tornou-se líder da classificação de downhill na atual época da Taça do Mundo.
Uma semana antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, sofreu uma queda numa prova em Crans Montana, e rompeu o ligamento cruzado anterior, além de ter sofrido contusões ósseas e uma lesão no menisco. Apesar dos problemas físicos que enfrentou, decidiu competir no downhill olímpico, que viria a terminar após alguns segundos com uma queda aparatosa.
No acidente, sofreu uma fratura numa perna e foi submetida a três cirurgias. À RMC Sport, o médico Bertrand Sonnery-Cottet, cirurgião do centro ortopédico Santy em Lyon e especialista em joelhos, manifestou preocupações em relação ao futuro de Lindsey Vonn.
«Infelizmente, penso que desta vez se trata de uma lesão que já está além das suas capacidades. As últimas imagens que publicou na quarta-feira na sua conta de Instagram mostram que, embora as operações tenham sido bem-sucedidas, o fixador externo, ou seja, a enorme estrutura que lhe foi colocada na perna esquerda, prova que a fratura não foi totalmente corrigida», observou.
«Por enquanto, é apenas uma solução temporária. É preciso perceber que a sua lesão é extremamente grave e irá causar-lhe problemas durante, pelo menos, vários meses, se não tiver consequências para a vida toda. Para um atleta de alta competição, é quase a pior lesão possível. Exige uma vigilância constante e é impossível fazer um prognóstico dois ou três dias após o acidente», prosseguiu.
«Para compreendermos a gravidade da situação, trata-se de um tipo de fratura que encontramos principalmente em acidentes de viação, sobretudo em motociclistas. Hoje, ninguém pode afirmar com certeza que não terá sequelas a longo prazo», prosseguiu o especialista, que operou muitos atletas ao longo da carreira.
Ao mesmo tempo, sublinha que o futuro da carreira profissional é completamente secundário nestes casos: «Levará meses até que ela possa andar normalmente de novo. O seu principal objetivo é, em primeiro lugar, salvar a perna e ser capaz de andar. Penso que ainda não estamos na fase em que podemos considerar um regresso ao esqui de alta competição. Estamos longe disso. Mas algumas lesões como a dela podem acabar em amputação.»
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