Rui Jorge - Ex-selecionador nacional dos sub-21

Rui Jorge preenche perfil para treinar Palancas Negras

FAF estuda opções entre três tipos de perfil para assumir o cargo de selecionador... Depois de uma decisão precipitada e de ter ficado com o menino nos braços de repente, Alves Simões, presidente da FAF, sabe que não terá muito mais margem para novo erro de casting, agravado por ter corrido com o selecionador que batera vários recordes nos Palancas, Pedro Gonçalves. E entre as várias opções, surge um outro português: Rui Jorge, ex-selecionador sub-21 de Portugal. Estaria o treinador interessado?

Entendemos que Pedro Gonçalves, ao conquistar duas vezes a Taça Cosafa, ao garantir uma presença nos quartos-de-final da CAN 2023 e ao apurar Angola para a CAN 2025 sem derrotas, elevou demasiado a fasquia. Foi afastado pela direção de Alves Simões, que preferia no cargo Patrice Beaumelle, um antigo adjunto da Seleção de Angola, e campeão africano, duas vezes, como auxiliar de Hervé Renard, com a Zâmbia e a Costa do Marfim. Uma aposta falhada, trocando o certo pelo incerto. O perfil de Patrice Beaumelle veio a revelar-se errado. E francês recebeu uma proposta, tudo indica, do Esperance Túnis, da Tunísia, e pediu poara o libertarem do compromisso dos Palancas, pedido a que a Federação acedeu... Durou pouco a ligação e em termos desportivos o saldo é um CAN falhado...

Agora, depois da saída do gaulês, que fez jus à nacionalidade e saiu... à francesa, abre-se um novo capítulo. E abre-se a discussão sobre o sucessor. Que perfil? Deverá o novo selecionador de Angola ser um homem habituado a trabalhar com jovens, na formação dos clubes, como era, na altura, em 2019, quando assumiu o cargo de treinador principal dos Palancas Negras, o português Pedro Gonçalves, que levou os sub-17 de Angola ao Mundial do Brasil, em 2019? Ou alguém como Oliveira Gonçalves, que cleva dos sub-20 a vencer o SAN do Egito, em 2001, e tem por ponto alto, e histórico, o Mundial de 2006? Se sim, esse nome deve ser estrangeiro?

Analisámos alguns perfis de treinadores estrangeiros de formação. E temos de começar por Portugal, que dá cartas nesse capítulo a nível mundial. Formação de jogadores e treinadores. O primeiro nome que surge é o do ex-selecionador sub-21 de Portugal, Rui Jorge. Tem 52 anos, começou a carreira de treinador nos sub-19 do Belenenses, onde esteve duas épocas e meia, antes de, interinamente, assumir a equipa principal do Restelo. Voltar aos sub-19, na época 2009/2010. Em 2011, foi escolhido para orientar os sub-21 de Portugal, onde esteve até 30 de Junho de 2025, durante 14 anos. No primeiro ano, realizou apenas jogos particulares, ganhando cinco das sete partidas disputadas. Passaram por ele, em 2011, jogadores que se vieram a tornar internacionais por outros países, como são os casos de Fredy e Wilson Eduardo, por Angola, e de Bebé, ex-Manchester United, por Cabo Verde. Ajudou nos acabamentos de vários jovens jogadores, que vieram a tornar-se internacionais pela equipa principal de Portugal.

Durante os 14 anos à frente dos sub-21 de Portugal, foi a cinco fases finais de Campeonatos da Europa, tendo sido duas vezes finalista. Na estreia, em 2015, perdeu na final contra a Suécia, nos penáltis, tendo sofrido apenas um golo na competição. O antigo defesa esquerdo de FC Porto e Sporting levou Portugal a nova final, seis anos depois, em 2021, voltando a perder, desta feita frente à Alemanha. 

Em Angola, o perfil que encaixa na formação de jovens, ajudando no seu crescimento, é o de Silvestre Pelé. Tem 61 anos, é angolano, de Benguela, e orienta o 1º de Maio. Mas, antes, reconhecidamente, fez coisas interessantes na formação da Académica do Lobito, nos sub-20, antes de assumir o mesmo escalão da Seleção de Angola e mais tarde os sub-23. Até já se sentou na cadeira de sonho, interinamente, por um curto período, em 2019, no apuramento para o CHAN, antes de Pedro Gonçalves assumir a equipa de honras dos Palancas Negras. 

O segundo perfil é o do “treinador nacional”...Os nomes e as preferências variam de pessoa para pessoa, de adepto para adepto...Sendo exigidas habilitações específicas para orientar seleções nacionais e pisar palcos continentais e internacionais, como treinador principal, somos obrigados a encurtar a lista e resumi-la a dois nomes. O primeiro é o de Zeca Amaral, atualmente diretor técnico da Federação Angolana de Futebol, mas com provas dadas nos relvados por esta imensa Angola. Zeca Amaral tem 59 anos, já passou pela Seleção Angolana, como adjunto, treinador dos sub-20 e, mais recentemente, em 2023, orientou os sub-23 na Taça Cosafa, onde não passou da fase de grupos, ganhando apenas um jogo, perdendo outro e empatando igual número.

No futebol nacional, Zeca Amaral conquistou duas vezes o Girabola, em 2011 e 2012, ao serviço do Recreativo do Libolo. Antes, em 2011, com o Benfica de Luanda, roubo ao Petro de Luanda a Taça de Angola. O outro nome é o de Miller Gomes. Tem 55 anos, passou pelo Petro de Luanda e pelo 1º de Agosto, como treinador-adjunto do holandês Jan Brouwer, no início da carreira de treinador. Assumiu a seleção sub-20 de Angola, regressou ao Petro para ser novamente adjunto, mas para pouco tempo depois assumir a equipa até final da época 2012. Começou 2013 como treinador tricolor, mas rumou ao Libolo no mesmo ano, para substituir Henrique Calisto. Em 2014, Miller Gomes guiou a turma de Calulo à conquista do título de campeão angolano. Miller ainda orientou o Kabuscorp do Palanca e os sub-20 de Angola, antes de abraçar outros desafios como dirigente. Podia perfeitamente encaixar no perfil anterior, sendo também um homem de formação, de jogadores e treinadores, já que, assim como Zeca Amaral, é instrutor da CAF. Mais recentemente, Miller Gomes foi coordenador da formação da FAF, coordenador para o futebol feminino e diretor técnico da Federação Angolana de Futebol.

O terceiro perfil de treinador para ocupar o cargo de selecionador dos Palancas Negras tem dois nomes... mais um. Começamos pelo mais um: brasileiro, intempestivo, vibrante, emocionado, mas muito competente. Falha no capítulo provas dadas, se isso significar títulos... Roberto “Beto” Bianchi, é brasileiro, tem 59 anos, treina em Angola e já foi selecionador nacional, emprestado pelo Petro de Luanda, clube que representava, na altura. Ganhou duas Taças de Angola, a primeira em 2017 com o Petro, e a segunda, no seu regresso ao país, em 24/25, ao serviço do Kabuscorp do Palanca, outra vez frente ao 1º de Agosto, como de resto aconteceu na primeira conquista. De recordar que Bianchi orientou também o Interclube, em 2021/22. Na seleção angolana, enquanto acumulava o cargo com o de treinador principal do Petro de Luanda, Beto realizou nove jogos, ganhou quatro, empatou quatro e perdeu apenas um. No entanto, Bianchi falhou a passagem à fase a eliminar da Taça Cosafa, mas apurou Angola para o CHAN, em 2017.

Um regresso de Hervé Renard aos Palancas Negras para substituir o seu “eterno” adjunto, seria de equacionar? Claro que não! O nome surge aqui, apenas para cortar a onda nas redes sociais, que apontam Hervé como opção para os Palancas Negras. O francês de 57 anos, duas vezes vencedor da CAN, é o selecionador da Arábia Saudita, dito isto... não há milhões – de kwanzas – que superem os petrodólares sauditas.

Por fim, o congolês da RDC Jean-Florent Ibengé, de 64 anos, atualmente a treinar o Azam da Tanzânia, surge na imprensa angolana como forte possibilidade para os Palancas Negras. Ibengé é um velho conhecedor do futebol africano, tem obra feita, mas tem a limitação do idioma. O antigo internacional pela RDC assumiu várias vezes a seleção do seu país de origem, conquistando o CHAN, em 2016. A nível de clubes, ganhou a Taça da Confederação e uma Taça de Marrocos ao serviço do Berkane. Para além do AS Vita Club da RDC, orientou ainda o Al-Hilal Omdurman do Sudão.