'Rosa' Eulálio não se limita a defender, também ataca!
Afonso Eulálio atacou no grupo dos candidatos na subida final da oitava etapa da Volta a Itália, em Fermo, demonstrando capacidade e ambição na liderança da classificação geral. O português não se limitou a defender a camisola rosa perante Jonas Vingegaard e os restantes candidatos à vitória no Giro, procurando antes reforçar a posição e a vantagem, ainda substancial, de mais de três minutos no topo da geral.
O corredor da Bahrain exibiu os seus talentos de trepador nas íngremes rampas em paralelo no último quilómetro da etapa, no interior da cidade de Fermo. A aceleração reduziu o pelotão a menos de 20 corredores, sendo apenas ultrapassado, já no esforço final antes da meta, por Jai Hindley (Red Bull), Jonas Vingegaard (Visma) e Egan Bernal (Netcompany Ineos), terminando na roda do colombiano.
A etapa foi vencida pelo equatoriano Jhonatan Narváez, da UAE Emirates, que atacou a partir da fuga do dia juntamente com o colega de equipa Mikkel Bjerg e Andreas Leknessund (Uno-X), este último segundo classificado. Narváez conquistou assim a segunda vitória nesta edição do Giro, depois de já ter triunfado na quarta etapa, em Cosenza, ao sprint.
Afonso Eulálio encontrou uma etapa à sua medida e decidiu acelerar no final, considerando que essa era a melhor abordagem antes de uma jornada em que acredita ter «boas probabilidades» de defender a liderança. «Para mim, chegava a Roma com esta maglia, mas é bastante impossível», respondeu, sorridente, quando questionado sobre se já se habituou à camisola rosa.
O ciclista da Bahrain Victorious vestiu a maglia rosa pelo terceiro dia consecutivo, ultrapassando Acácio da Silva, que em 1989 a usou durante duas jornadas. A dois quilómetros da meta, aproveitou para testar as pernas de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e dos restantes homens da geral com uma forte aceleração.
«Gosto de correr assim. Às vezes, não o posso fazer, porque não tenho as melhores pernas, mas estes dias são os meus dias, são como uma clássica. Não gosto assim tanto de subidas muito longas, provavelmente não estou preparado para elas, mas estes dias são os dias de que eu gosto», justificou.
O figueirense de 24 anos revelou ainda que costuma analisar cuidadosamente os quilómetros finais de cada etapa e percebeu que «se acelerasse no paralelo era melhor». Eulálio terminou no 26.º lugar e foi o terceiro homem da geral a concluir a etapa, a 1.53 minutos de Jhonatan Narváez.
«Fiz o que achei melhor para mim», reforçou Eulálio, depois de obrigar Vingegaard a seguir-lhe a roda. Ainda assim, acabou por ceder dois segundos ao dinamarquês, segundo classificado da geral a 3.15 minutos, e também a Jai Hindley (Red Bull), quinto da classificação.
Com o segundo dia de descanso agendado para segunda-feira, o ciclista português enfrenta no domingo um novo teste à liderança nos 184 quilómetros entre Cervia e Corno alle Scale, onde a meta coincide com uma contagem de montanha de primeira categoria.
«Penso que não é tão difícil [como o Blockhaus], mas tentarei sobreviver como ontem [sexta-feira]», concluiu, depois de admitir acreditar que tem «boas probabilidades» de alinhar no contrarrelógio da 10.ª etapa, na terça-feira, ainda vestido de rosa.