Roberto Martínez (MIGUEL NUNES)
Roberto Martínez (MIGUEL NUNES)

Ronaldo esteve «muito bem», a equipa está «de parabéns» e Diogo Costa «foi fantástico»: tudo o que disse Roberto Martínez

A análise de Roberto Martínez ao Colômbia-Portugal

— O que se sentiu para não tirar o Cristiano e colocar o Gonçalo Ramos ou o Gonçalo Guedes?

— O Cristiano é o ponta de lança, é um jogador que tem os movimentos na área e, para nós, é muito importante poder ajustar e sincronizar os nossos movimentos com os outros dez jogadores. É isso que faz parte de crescer como equipa e poder ajustar aspetos. O Cristiano está bem fisicamente, nós controlamos ao vivo a informação física e o Cristiano esteve muito, muito bem. Temos agora quatro dias para recuperar e acompanhamos todos os jogadores ao mesmo nível. Obrigado.

— Que análise faz ao jogo?

— Acho que na primeira parte tivemos oportunidades também de fazer golo. Tivemos a do Bruno, tivemos a do Félix e eu acho que nestes jogos, contra estas equipas que têm muita qualidade e no mata-mata — com o que aí vem agora —, vai ser importante chegar lá e ser eficaz. Matar logo o jogo, fazer o primeiro e o segundo e continuar a impor o nosso jogo. Não conseguimos. Tentámos ao máximo fazer o golo no final, criámos uma ocasião também no fim. Eles também criaram muitas ocasiões porque são uma equipa que tem qualidade, com grandes jogadores, e acho que o ponto principal foi o bloqueio ao Luis Díaz; conseguimos bloquear esse jogador com muita qualidade e o James Rodríguez também. Portanto, acho que a equipa está toda de parabéns. Foi um jogo difícil, com uma atmosfera complicada porque estavam aqui muitos colombianos, e agora é descansar e preparar a próxima eliminatória.

— Pedia-se a Portugal para dar aquele passo em frente para conseguir ficar com o primeiro lugar, mas a equipa acaba por empatar. De que maneira é que isto pode agora ser transposto para a fase a eliminar?

— Nós somos Portugal. Respeitando sempre qualquer seleção, nós somos Portugal. Entramos emtodos os jogos para ganhar, com confiança. Acho que hoje demonstrámos a qualidade da nossa equipa e soubemos sofrer. Porque uma seleção, mesmo com muita qualidade, tem de saber sofrer nos momentos difíceis, e acho que é isso que nos vai levar longe neste Mundial. O grupo está muito unido e isso é o mais importante. Estamos a falar de duas equipas que já estavam apuradas e o terceiro jogo poderia ser uma formalidade, um jogo para cumprir calendário. E não foi isso. Foram duas equipas com o foco de tentar ganhar, de chegar à baliza. Para nós, foi um teste m ito valioso. É daqueles jogos após os quais ficas muito mais preparado, a todos os níveis.

— Portugal adaptou-se bem ao clima bem diferente?

— A exigência do Mundial é grande, e já falámos das condições: era difícil tentar tomar boas decisões quando as condições físicas são difíceis. Em geral, posso dizer que fiquei muito satisfeito com a intensidade defensiva, com o desempenho do Diogo Costa e com a forma como pudemos manter a baliza a zero quando a Colômbia teve muita chegada no último terço. Isso ajuda muito a poder melhorar e ajustar bem a nossa estrutura tática defensiva.

— Como viu o jogo da Colômbia?

— Deixámos a Colômbia ter o jogo que eles queriam. A Colômbia é uma equipa que gosta de transições, de criar situações de muitos duelos. Nós precisávamos de controlar o jogo, controlar a bola. Acho que não conseguimos tomar as decisões certas para fazer isso. Se nós não controlamos a bola, perdemos algum do talento individual dos nossos jogadores. Então, em geral, para nós é um teste muito, muito valioso. Como já mostrámos depois do primeiro jogo, o grupo é autocrítico e está preparado para crescer. Agora tivemos três jogos; é o momento de avaliar e preparar o jogo contra a Croácia. Há um aspeto: claro que queremos ganhar, e queremos ganhar todos os jogos por 3 a 0 e controlar as partidas. Mas a realidade no futebol é que tivemos três jogos, dois empates e uma vitória, e a equipa agora está totalmente preparada para o próximo jogo.

— Depois desta fase de grupos, entramos no mata-mata. Portugal mantém-se como candidato? Pode continuar a assumir-se como candidato a vencer este Mundial depois desta fase de grupos?

— Eu nunca mudei a nossa ideia. A nossa ideia era que o primeiro Mundial são três jogos, e o que a equipa pode fazer é enfrentar momentos difíceis e crescer muito, com responsabilidade e muito, muito esfoço. Nós tivemos isso. Em relação aos valores do balneário, eu estou muito, muito satisfeito com os jogadores. Tivemos já 21 jogadores de campo que já se estrearam. Acredito muito in todos os jogadores e naquilo que nós podemos fazer. Então, estamos apurados. O primeiro Mundial já acabou. Agora já é preparar o próximo adversário, a Croácia, uma equipa que já conhecemos bem, uma equipa europeia. Acho que agora a equipa está preparada para continuar com o nosso objetivo, que é tentar ganhar todos os jogos. Portanto, o objetivo não muda, o processo não muda. Agora estamos focados em recuperar bem e preparar o jogo em quatro dias.

— Disse anteriormente que era indiferente ficar em primeiro ou em segundo. O que é certo é que Portugal fica com menos um dia de descanso. Se eliminar a Croácia, pode jogar com a Espanha...

— A sua avaliação não é positiva. Então, alguém tem de fazer avaliações positivas. O jogo contra a Colômbia foi um jogo que já esperávamos com muita exigência ao nível das condições climáticas. Foi um adversário diferente. Nós precisamos de jogos diferentes para poder chegar ao máximo nível: a atitude, o esforço, tudo aquilo que trabalhámos. Mas o adversário tem qualidade. Há momentos em que é importante poder defender a área.

— Diogo Costa foi o melhor jogador em campo. Perante isto tudo, como é que consegue fazer uma avaliação positiva?

— O desempenho do Diogo Costa foi fantástico. Para nós, ver o nível do Diogo Costa é muito importante. Há aspetos que agora precisamos de melhorar. É importante fazer isso e preparar o jogo contra a Croácia. Ganhar ou perder hoje não dita se isso ajuda a ganhar o Mundial ou não. O caminho para atingir o nosso objetivo, que é jogar oito jogos, não muda por causa disso. Nós tentámos ganhar o jogo, mas o adversário também tentou ganhar. Foi um jogo muito aberto. Provavelmente mais aberto do que nós queríamos, porque foi uma partida em que a Colômbia utilizou muito bem a transição e os aspetos de duelos. Para nós, ajuda muito a preparar o resto do Mundial.

— O senhor foi dizendo várias vezes que este era o primeiro Mundial e agora começava o outro. Depois destes três primeiros jogos, é um Portugal mais confiante ou um Portugal mais desconfiado de si próprio que vai chegar ao jogo contra a Croácia?

— É uma pergunta muito boa porque, sem dúvida, chega muito mais confiante e muito mais preparado. É uma equipa que enfrenta momentos difíceis, que consegue melhorar, que consegue estar mais unida no aspeto psicológico, de responsabilidade e de confiança. Mas isso faz parte do processo. Nós precisamos de olhar para os três desempenhos — não só o de hoje —, melhorar os aspetos que precisamos de ajustar e manter os aspetos bons. Estamos num momento bom porque, como disse, temos 21 jogadores de campo que já tiveram a oportunidade de estar no relvado, e sinto que a equipa está preparada para o próximo jogo.

— Surpreendeu-o o nível da Colômbia?

— Se me surpreendeu ou não, nós já sabíamos qual era o nível da Colômbia. Já tínhamos visto os amigáveis que fizeram com a Espanha e com a Inglaterra. Tinham sido bons jogos que serviam para perceber a capacidade que esta equipa tem, sobretudo a nível coletivo e com os seus principais jogadores. Eles levam os jogos para onde querem, não foi uma surpresa. Custou-nos muito tentar conduzir a partida e controlar o jogo. Temos jogadores de altíssima qualidade na posse de bola, como o Vitinha, mas na realidade não conseguimos levar o jogo para o ponto de poder utilizar o nosso talento individual. Então, não me surpreendeu nada. Eu acho que são partidas, como já vimos contra a Argentina, muito competitivas, onde a Colômbia utiliza geralmente os aspetos que mencionei. E isso prepara-nos. Também diria que o Néstor Lorenzo diria o mesmo: após o jogo, a equipa dele está muito mais preparada agora. Eu diria exatamente o mesmo: que a nossa equipa está muito melhor preparada agora. É importante referir que tivemos de defender a área mais do que queríamos, mas a capacidade defensiva também é importante. O guarda-redes também joga, e o Diogo Costa mostrou um nível altíssimo.

— Surpreenderam-no as três alterações que a Colômbia fez?

— Para nós, ao nível das seleções, é sempre necessário preparar a ideia do coletivo. Pode-se fazer algum ajuste individual, mas nada mais do que isso. Não nos surpreendeu. Ou seja, jogue quem jogar, a ideia é a mesma. Talvez não tenhamos conseguido fazer um jogo fluido. O jogo partiu-se e, se calhar, permitimos que, quando estivesse partido, o adversário ficasse mais forte. Com a ajuda do VAR, nada a dizer. Foi uma partida dividida, com muito contacto físico e com duas equipas que queriam ganhar o jogo.

— Portugal vai jogar a próxima partida muito perto da data de aniversário do Diogo Jota. Diga-nos quão difícil será para si e para os seus jogadores e como se reflete a força do Diogo nesta equipa?

— Todos os dias são difíceis. Quando estamos a treinar, há sempre momentos em que o Diogo Jota nos vem à memória. Portanto, não diria que o dia de aniversário será especialmente difícil. Acho que até pode ser um momento de celebração. Temos de ganhar pelo Diogo Jota. Tudo o que começámos nesta equipa começou com ele. Ganhámos a Liga das Nações com ele. Ele é, provavelmente, o som e a luz da maior motivação que temos para ganhar o Campeonato do Mundo por ele. Acho que o aniversário é apenas um momento que faz o jogo ser o jogo do Diogo Jota, mas, no fundo, é mais um jogo para ele. Não diria que é um momento difícil; diria que são sempre momentos complicados. Nós somos uma equipa mais forte, olhamos para a sua crença e desejos, e a sua presença está sempre marcada em nós.

— Cristiano Ronaldo tem 41 anos. Está contente com a exibição dele e com o jogo em si?

— Não comparamos jogadores na nossa equipa com outros jogadores para tomar decisões. Isso é muito infantil e pouco profissional. Eu posso dizer que monitorizamos toda a informação que recebemos ao vivo durante os jogos e o que fazemos entre os treinos. É sempre uma oportunidade.

— A Croácia tem um estilo parecido com o da Colômbia?

— A Colômbia e a Croácia são totalmente diferentes. A ideia de jogo e a forma como tentam explorar o espaço que procuram buscar são distintas. Nós não fomos surpreendidos pelas ideias da Colômbia, nem pela força das alas, onde eles gostam de jogar e de abrir o campo. Eles gostam de partir o jogo e encontrar espaços intermédios. São duas equipas totalmente diferentes. Nós conhecemos melhor o Richard Ríos, e se o treinador deixa o Richard Ríos fora do onze inicial, significa que está a fazer um grande trabalho.

A iniciar sessão com Google...