Imane Khelif esteve no centro da polémica nos JO Paris 2024. IMAGO
Imane Khelif esteve no centro da polémica nos JO Paris 2024. IMAGO

Relatora da ONU apoia exclusão de atletas transgénero dos Jogos Olímpicos

A nova política do Comité Olímpico Internacional (COI) reserva a categoria feminina apenas a mulheres biológicas e regressou 30 anos depois ao testes genéticos para apurar a veracidade do sexo

Reem Alsalem, relatora da ONU para a mulher, manifestou o seu apoio à nova política do Comité Olímpico Internacional (COI) que reserva a categoria feminina apenas a mulheres biológicas, sugerindo ainda a atribuição de «medalhas paralelas» como forma de compensação.

A decisão do COI, anunciada há uma semana, estabelece que apenas mulheres biológicas poderão competir nas provas femininas dos Jogos Olímpicos. Esta medida, que exclui atletas transgénero como a pugilista Imane Khelif, entrará em vigor a partir dos Jogos de Los Angeles 2028 e não terá aplicação retroativa.

Segundo Reem Alsalem, a nova política, liderada pela presidente Kirsty Coventry, «baseia-se no senso comum, nos factos e na ciência». A relatora da ONU considera que a medida «restabelece a dignidade, a equidade e a segurança das mulheres e raparigas no desporto olímpico».

«Acolho com agrado esta política como um passo necessário, proporcionado e legítimo para garantir a proteção das mulheres e raparigas, em consonância com o direito internacional e as normas de direitos humanos», declarou Alsalem. A relatora acrescentou que «as abordagens baseadas em evidências, incluindo o reconhecimento da realidade material do sexo, devem orientar o desenvolvimento, o acompanhamento e a revisão das políticas desportivas a todos os níveis».

Alsalem fez questão de sublinhar que a nova regra não impede a participação desportiva. «A política não exclui ninguém de participar em desportos nem de competir profissionalmente em categorias que correspondam ao seu sexo biológico. Pelo contrário, garante que as mulheres e raparigas não sejam prejudicadas nem excluídas de uma competição justa e significativa na sua própria categoria», explicou.

No que toca a injustiças passadas, e dado que a medida não é retroativa, a relatora da ONU admitiu que o COI poderia explorar soluções, como um pedido de desculpas formal ou a concessão de «medalhas paralelas» retroativas.

«Tais medidas demonstrariam o reconhecimento do dano sofrido pelas atletas e assinalariam um compromisso genuíno com a responsabilização e a restituição dos seus direitos, incluindo garantias de que não voltará a acontecer», concluiu Alsalem.