Reinaldo Teixeira, presidente da Liga. Foto: FERNANDO VELUDO/LUSA
Reinaldo Teixeira, presidente da Liga. Foto: FERNANDO VELUDO/LUSA

Reinaldo Teixeira: «A Liga tem por obrigação ser solidária e imparcial»

Presidente da Liga Portugal lamentou chumbo do mecanismo de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA para os clubes da Liga 2. Vitória Sport Clube manifestou disponibilidade para abdicar da verba para distribuir pelas equipas do escalão secundário

Reinaldo Teixeira lamentou o chumbo dos clubes da Liga da distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA pelos clubes da Liga 2. O presidente da Liga frisou que o «sentido de voto da sala foi claro», na medida em que a maioria (12) se mostrou a favor, mas não foi suficiente.

«Na Segunda Liga houve 100% de votos a favor. Na Primeira registaram-se doze a favor e seis contra. A maioria claramente queria manter o espírito de solidariedade. A partir da época 24/25, uma norma da UEFA exige que os clubes da Primeira Liga tomem decisões sobre o que fazer a este montante. É preciso que 75% (14 em 18) estejam a favor para que a solidariedade seja cumprida e mantida. Faltaram dois votos para passar este espírito», lamentou Reinaldo Teixeira.

O presidente da Liga admitiu necessidade de «respeitar» a decisão dos clubes, mas saudou a iniciativa de várias SADs para «minimizar» o efeito do chumbo, com destaque para o Vitória Sport Clube. Reinaldo Teixeira revelou que várias SADs ponderam «abdicar da sua parte do montante para distribuir por 15 clubes da Liga 2». Em paralelo, o organismo que preside «tem por obrigação ser solidária e imparcial com todas as SADs» e de estar focado na «contenção de custos e no aumento de receitas» dos clubes profissionais.

O dirigente lamentou ainda que esta decisão surgisse a meio da temporada, depois da Federação Portuguesa de Futebol ter alertado a Liga para a necessidade de uma Assembleia Geral para «revalidar» a aprovação de 2024/25.

«Não é agradável, gostaria de dar outras notícias, mas pensamos na solução e não no problema. Vivemos num mundo em que as pessoas são livres de tomar posição, cabe-nos respeitar e olhar para o que podemos fazer», destacou Reinaldo Teixeira, antes de descartar o impacto deste chumbo noutros dossiers, nomeadamente na centralização dos direitos televisivos.

«Sentimos grande convergência. Naturalmente, se o bolo não for tão grande como esperamos pode haver dificuldades com os três ditos emblemas que têm a maior parte da receita no bolo de hoje, mas depois dos nossos diálogos nacionais e internacionais sentimos que o bolo será diferente para melhor», garantiu.

Reinaldo Teixeira reiterou o impacto desta decisão a meio da temporada sobre um montante em franco crescimento: «As verbas hoje são bem superiores às do passado. Antes falávamos de 100 ou 200 mil euros, hoje o montante de solidariedade que cabia à Segunda Liga seria de 412 mil euros. As SADs foram claras ao esclarecerem o porquê de não estarem a favor.»

O presidente da Liga explicou a importância de tais verbas para o desenvolvimento das condições estruturais nos escalões profissionais para que as «três equipas em campo possam ter bom desempenho e boas condições». «A Liga tem um desafio financeiro grande, vamos fazer tudo para honrar os compromissos feitos quando fomos eleitos. Temos de ser solidários e aceitar a norma da UEFA», frisou.