Toprak Razgatlioglu «zangado» e desmotivado com dificuldades de adaptação ao MotoGP
Toprak Razgatlioglu admitiu frustração com os tempos por volta nos testes de Sepang, atribuindo as dificuldades à adaptação aos pneus Michelin e ao estilo de pilotagem exigido pela Yamaha M1.
A transição do piloto turco, tricampeão de Superbike, para o MotoGP, em que ingressou na equipa Pramac Yamaha, está a revelar-se mais complicada do que o esperado. Razgatlioglu confessou sentir-se «zangado» e a perder a motivação após os testes de pré-temporada em Sepang, na Malásia, onde as suas performances ficaram aquém das expectativas.
O rookie completou cinco dias de testes, mas o seu melhor tempo, 1.58,326 minutos, deixou-o apenas na 18.ª posição da tabela, a quase dois segundos do mais rápido, Álex Márquez (Ducati). A sua marca ficou também a mais de sete décimos de segundo do melhor piloto da Yamaha, Álex Rins, sendo que a referência da equipa, Fabio Quartararo, se retirou dos últimos dois dias devido a lesão.
Para um piloto habituado a dominar no WSBK, com três títulos no currículo, a nova realidade tem sido difícil de aceitar. «Não é fácil ver o teu nome tão em baixo na tabela, especialmente depois do sucesso nas Superbikes», desabafou Razgatlioglu. «A minha motivação está a baixar porque estou a pilotar como antes, mas o tempo por volta não aparece».
O piloto admitiu que esperava rodar na casa de 1.57 minutos, mas não conseguiu ir além de 1.58,3 m. «De manhã, não começámos muito fortes. Também estou um pouco zangado, porque o tempo por volta não apareceu», afirmou. «À tarde, encontrámos uma boa afinação com pneus usados e senti-me um pouco melhor».
A lenta adaptação de Razgatlioglu pode ser explicada por dois fatores principais: os pneus e o estilo de pilotagem. O piloto turco está a ter dificuldades em habituar-se aos pneus Michelin, muito diferentes dos Pirelli que usava no WSBK.
«Este pneu é um pouco diferente do Pirelli», explicou. «Com o Pirelli, quando sentes a derrapagem, é fácil de gerir. Mas com o Michelin, quando derrapa, a moto não para». O piloto acrescentou que, embora o pneu dianteiro lhe dê bom feedback, o traseiro é «muito sensível» e «não é fácil entender a sua aderência».
Outro desafio tem sido adaptar o seu estilo de pilotagem à Yamaha M1. Embora mantenha a sua reconhecida agressividade na travagem, as curvas longas e a gestão do acelerador com pneus novos são um problema. «Nas Superbikes, usava sempre o pneu traseiro para virar. Usava-o para derrapar e ganhar boa aceleração», recordou. «Agora, com a moto de MotoGP, é o oposto. É preciso pilotar ao estilo de Moto2 e abrir o acelerador muito suavemente, porque o pneu traseiro é muito sensível».
Apesar das dificuldades, Razgatlioglu mantém a esperança de melhorar nos próximos testes na Tailândia. «A minha equipa diz-me sempre para pilotar de forma suave, mas é fácil dizer. Depois das Superbikes, isto é muito difícil. Estou a tentar aprender rapidamente. Espero que consigamos recuperar. Não sei como, mas estou a esforçar-me todos os dias».
Toprak Razgatlioglu continua a adaptar-se à sua nova moto de MotoGP, admitindo que a velocidade em curva é um dos principais desafios. O piloto turco revelou que tem observado atentamente o estilo de Alex Márquez, cujo desempenho o impressionou.
«De manhã, vi o Alex Márquez. A moto dele é incrível a curvar e tem uma aceleração muito boa. Além disso, a aderência é maior», afirmou Razgatlioglu. O piloto de 29 anos confessou as suas próprias dificuldades em replicar essa performance: «Esta é um pouco difícil para mim. Tento pilotar como ele, mas a moto não curva e perdemos um pouco».
O piloto turco explicou que, embora se sinta bem com a travagem, a velocidade em curva continua a ser um ponto a melhorar. «Nos travões, estou agora a desfrutar [da moto], mas a velocidade em curva é um pouco difícil», detalhou.
Durante os testes desta semana, Razgatlioglu experimentou um novo guiador, que trouxe vantagens, mas também alguns compromissos. «Estou muito forte agora com este guiador, mas perco na reta», explicou. «Perco um pouco de velocidade de ponta e talvez perca um pouco em curva, porque este guiador é alto».
Esta alteração obrigou-o a repensar a sua abordagem, forçando uma mudança no seu estilo de pilotagem para se adequar às exigências da categoria rainha do motociclismo.
«Não é fácil inclinar. Normalmente, não é o meu estilo. Não me inclino, mas agora comecei a tentar mudar o meu estilo de pilotagem, porque no MotoGP precisamos disto.»
Com o arranque da temporada marcado para 1 de março, Razgatlioglu terá mais dois dias de testes em Buriram, na Tailândia, ainda este mês. O objetivo é completar uma simulação de corrida no circuito tailandês para se preparar da melhor forma para o seu primeiro ano em MotoGP.