Reforços em... Portugal: Sporting tem nova política de abordagem ao mercado
O Sporting prepara uma mudança de agulha na política de contratações para a próxima temporada. Segundo apurou A BOLA, a estrutura liderada por Frederico Varandas vai reforçar o investimento no mercado nacional, recuperando uma fórmula que deu frutos imediatos sobretudo durante o ciclo de Ruben Amorim, mas que perdeu peso recentemente em detrimento de apostas internacionais que tardam em afirmar-se.
A decisão está tomada e não é fruto do acaso. Casos recentes como os de Faye, Vagiannidis ou Kochorashvili, entre outros, que demonstraram dificuldades visíveis na integração e na resposta imediata às exigências do futebol português, serviram de alerta em Alvalade. E levaram os responsáveis verdes e brancos a reavaliar o perfil de contratação. A ideia passa agora por privilegiar atletas já identificados com a realidade da Liga portuguesa, reduzindo riscos e encurtando o tempo de integração.
A estratégia não é nova e encontra respaldo em vários casos de sucesso dos últimos anos, sobretudo no ciclo iniciado por Ruben Amorim. Um plano traçado em 2020 de onde foi montada a espinha dorsal de uma equipa que se viria a tornar campeã nacional com muito talento doméstico presente no plantel. Altura em que os leões foram, entre outros locais, a Vila do Conde, Famalicão ou Açores recrutar jogadores como Nuno Santos, Pedro Gonçalves ou Morita a Rio Ave, Famalicão e Santa Clara. Curiosamente, um trio que ainda permanece em Alvalade e que veio reforçando o estatuto nos últimos anos. Mas existem muitos outros que viabilizaram não só resultados desportivos como mais-valias financeiras impressionantes. E nesse âmbito basta lembrar nomes como Ugarte (Famalicão), Matheus Nunes (Estoril) ou recentemente Alisson Santos (UD Leiria), que renderam milhões.
A nova estratégia está a ser desenhada em total sintonia com Rui Borges. O treinador partilha da visão de que o plantel necessita de maior profundidade e soluções e o avanço de alguns processos continuam pendentes de um fator crucial: a Liga dos Campeões. Caso os leões não consigam o acesso à prova milionária, serão obrigados a uma engenharia de mercado bem mais cautelosa. E assertiva. Sobretudo no mercado internacional, que, convém sublinhar, não será abandonado: continuará, aliás, a ser o palco dos grandes investimentos em alvos já referenciados, porém a base de recrutamento voltará a ter um forte sotaque português.
Em Alvalade já existem vários nomes sinalizados e atualmente em fase de avaliação. Na prática, trata-se de um regresso parcial ao modelo seguido em 2020/2021, quando o Sporting construiu uma base competitiva forte com recurso cirúrgico ao mercado português e acabou por recolher dividendos imediatos. No passado, nem todos os movimentos resultaram — recordem-se casos como os de Rúben Vinagre, Koba Koindredi, Rafael Pontelo ou Rochinha —, mas o balanço global continua claramente positivo. E é precisamente esse saldo favorável que sustenta a nova viragem estratégica dos leões.