Diney Borges foi um dos heróis de Cabo Verde contra a Espanha
Diney Borges foi um dos heróis de Cabo Verde contra a Espanha - Foto: IMAGO

Herói de Cabo Verde responde a Rodri: «É normal sentir-se insatisfeito...»

«Poucos nos conheciam antes do jogo contra a Espanha», sublinha Diney Borges

Diney Borges, um dos líderes dos Tubarões Azuis, falou sobre a histórica participação de Cabo Verde no Mundial, poucas horas depois de a seleção africana ter protagonizado a primeira grande surpresa do torneio frente à Espanha, empatando a zero. O defesa-central que atua no Al Bataeh acredita que o desempenho da equipa mudará a perceção internacional sobre o seu país.

«Acho que as pessoas nos olham com uma mistura de incerteza e curiosidade. Somos um país exótico, que poucos conhecem em profundidade. Bem... poucos nos conheciam antes do jogo contra a Espanha», afirmou o defesa, sublinhando que o que para La Roja foi um grande tropeço, para Cabo Verde foi um sonho tornado realidade: «Agora, creio que as pessoas começarão a conhecer-nos e a interessar-se mais pela nossa nação e pela qualidade que temos aqui. O facto de já termos colocado Cabo Verde no mapa do futebol mundial foi uma grande vitória para nós. Mas somos ambiciosos e queremos mais.»

Sobre a estratégia contra a Espanha, Diney Borges foi pragmático. «Sabíamos que tínhamos de ser uma equipa humilde. Tínhamos de saber sofrer e ser inteligentes a procurar a baliza rival nas poucas oportunidades que tivéssemos», disse, elogiando a união do grupo. «Viu-se uma equipa muito unida dentro de campo. A nível defensivo, fizemos um jogo quase impecável. Mantivemos a energia e a fé até ao final».

As críticas de Rodri

O defesa-central também desvalorizou as críticas de Rodri, que se queixou da postura defensiva de Cabo Verde. «É um dos grandes jogadores do futebol mundial e todos o respeitamos. É normal sentir-se insatisfeito depois de um jogo que se quer ganhar. Nós fomos leais e jogámos com as nossas armas», defendeu, explicando a necessidade de uma abordagem pragmática. «Se jogas de igual para igual contra qualquer uma dessas seleções, corres o risco de sofrer muito».

Apesar da exibição defensiva, Diney insiste que a sua equipa não é apenas reativa. «Ao contrário do que muitos possam pensar, não somos uma equipa defensiva. Temos qualidade com a bola e gostamos de jogar um futebol ofensivo, mas num Mundial é preciso ser inteligente», afirmou, já a pensar nos próximos desafios. «Não podemos menosprezar a Arábia Saudita nem o Uruguai. São duas seleções muito fortes e serão favoritas contra nós».

O guarda-redes Vozinha foi outra das figuras em destaque, e Diney não poupou elogios. «É uma inspiração para qualquer um de nós. É uma autêntica referência para todos os jovens cabo-verdianos e um verdadeiro líder para nós», disse, estendendo o reconhecimento a outros talentos do país. «Há muita qualidade neste grupo e também em outros futebolistas cabo-verdianos que, por uma razão ou outra, não estão aqui connosco».

Com 30 internacionalizações e uma carreira que já passou por Portugal (Marítimo e Estoril) e Marrocos, Diney sabe que o Mundial pode abrir-lhe novas portas, mas o foco permanece na seleção. «Sei que já estão a chegar várias propostas aos meus agentes, mas o meu futuro agora é pensar na seleção nacional», concluiu, com um sorriso. «Se possível, quanto mais tarde melhor... porque isso significaria que teríamos chegado longe no torneio».

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