Quem é o 'especialista' campeão europeu que aproximou o Benfica do título?
O duelo entre Benfica e Sporting no jogo 3 da final da Liga Placard, que as águias venceram nos penáltis (8-7), foi pródigo em destaques individuais. André Coelho bisou e foi o comandante das águias na quadra, enquanto Pauleta assinou um hat-trick essencial para recuperação dos leões.
O papel principal ficou reservado, ainda assim, para um ator desportivo que apenas entrou em cena nos penáltis. Diogo Carrera, de apenas 20 anos, vestiu a capa de herói e defendeu dois castigos máximos marcados pelo Sporting.
O primeiro momento de glória teve lugar numa situação extremamente delicada para as águias. Se Merlim marcasse o quinto penálti verde e branco, os leões selavam o triunfo no jogo 3. O capitão de 39 anos do Sporting podia ser sido o herói, mas esbarrou num guarda-redes 19 anos mais novo.
Carrera manteve o Benfica vivo na disputa pelo jogo 3, deu o lugar a Léo Gugiel... e regressou para ser decisivo. Zicky Té, indubitavelmente um dos fantasistas do futsal mundial, foi o autor do último penálti da noite devido a uma defesa decisiva do jovem guardião que espoletou a loucura na Luz. Momento de glória para o ferrugem, como é conhecido entre os colegas devido ao cabelo ruivo que o caracteriza.
De Santa Iria à Moldávia
Diogo Carrera, nascido a 6 de fevereiro de 2006, é natural da Póvoa de Santa Iria. O guarda-redes deu os primeiros no futsal no Centro Popular de Cultura e Desporto antes de rumar ao Benfica em 2017 com 11 anos.
O guardião foi escalando nas camadas jovens dos encarnados e aos 15 anos já se tinha estreado pelos sub-17, em 2021. Especialista em saltar etapas, Carrera festejou a primeira grande conquista da carreira com jogadores de um escalão acima, em setembro de 2023.
O guarda-redes, então com apenas 17 anos, somou minutos em todos os jogos da caminhada da Seleção até à conquista do Campeonato da Europa sub-19, na Croácia. Dois anos depois, Carrera voltou a disputar a prova... e o desfecho foi o mesmo.
O guarda-redes do Benfica foi o capitão da Seleção sub-19 que conquistou do bicampeonato contra a Espanha (3-2), a 5 de outubro de 2025. Carrera, que não jogou a final, teve pouco tempo para festejar já que cinco dias depois somou os primeiros minutos da época na equipa principal das águias... logo contra o Sporting.
A estreia sénior tinha acontecido oito meses antes, contra o AMSAC, na Taça de Portugal, a 8 de fevereiro de 2025, dois dias depois de ter completado 19 anos. Carrera, que somou duas partidas pela equipa principal em 2024/25, ganhou espaço na rotação de guarda-redes dos encarnados na presente temporada.
O dérbi da primeira volta da fase regular foi o primeiro de 15 jogos disputados pela equipa principal em 2025/26. Diogo Carrera ganhou particularmente espaço no momento de defender castigos máximos.
O Eléctrico foi a primeira vítima a 8 de novembro, um mês antes de Vilian Sousa, veterano de 37 do SC Braga, também ter esbarrado no guardião encarnado na marcação de um livre de dez metros. A presença de Carrera para defender castigos máximos tornou-se habitual ao longo da época e já valeu uma presença numa final às águias.
Carrera foi decisivo no desempate por penáltis entre Benfica e Leões de Porto Salvo, nas meias-finais da Taça de Portugal, a 13 de março. O guardião luso defendeu o castigo máximo assinado por Anderson Fortes e abriu a porta do final. Mais ninguém desperdiçou, as águias seguiram em frente e conquistaram a prova contra o Eléctrico (7-1).
O treinador do Benfica, Cassiano Klein, recordou a defesa do jovem comandado no final do jogo 3 contra o Sporting: «Já na meia-final da Taça tinha defendido um penálti. Está a fazer um trabalho fantástico nos momentos decisivos.» O treinador brasileiro elogiou um «menino fascinante» e «muito humilde» que se alimenta da «confiança» dos colegas de posição Léo Gugiel e André Correira e de Vítor Hugo, treinador de guarda-redes e antigo internacional luso.
Diogo Carrera alternou entre a equipa principal e o Benfica B, ao serviço de quem assinou dois golos, mas o final de época fica marcado por protagonismo inesperado ao mais alto nível.