Herói de 20 anos deixa bicampeonato do Benfica a uma vitória

Diogo Carrera foi decisivo nos penáltis contra pesos pesados Águias de cara lavada nunca estiveram em desvantagem, mas erros graves adiaram triunfo Eficácia fez a diferença num dérbi com picos de insanidade

O Benfica venceu o Sporting por 8-7 nos penáltis após um empate que persistiu num dérbi sensacional, no jogo 3 da final do play-off. No final do tempo regulamentar havia empate a quatro golos e no término do prolongamento a cinco, num jogo absolutamente espetacular.

Mais um dérbi de classe mundial. Benfica e Sporting somam mais de 45 jogos nas pernas cada, mas continuam a proporcionar duelos intensos e emocionantes. Custa assim acreditar que aos 10' estava 0-0.

As águias apresentaram-se de cara lavada, com muito mais energia, intensidade e ambição do que na goleada sofrida no Pavilhão João Rocha (8-2) no jogo 2. O regresso de André Coelho potenciou o critério e a segurança defensiva dos encarnados, que contaram com a presença de Rui Costa, Samuel Soares e António Silva nas bancadas.

Nos primeiros minutos, Léo Gugiel e Bernardo Paçó trocaram defesas, antes de Chishkala falhar de forma impressionante aos 10'. A falta de eficácia voltou a tramar o leão.

Um minuto depois, o Benfica voltou a inaugurar o marcador na final e deu início a um período alucinante. André Coelho marcou aos 11' na marcação de um livre direto... e assistiu Diego Nunes segundos depois. Duas marcações exímias de bolas paradas colocaram o Pavilhão da Luz em polvorosa.

Merlim, ainda assim, contra a corrente colocou gelo aos 13'... após reposição de bola leonina. O jogo estava bom e melhor ficou quando Valério acertou com estrondo na trave... e Carlos Monteiro respondeu com o 3-1 no minuto seguinte.

O ala de 23 anos intercetou reposição de bola do Sporting a meio-campo, tirou adversário do caminho e desferiu um autêntico foguete. As águias jogavam com leveza, mas o leão arregaçou as mangas e voltou a marcar contra a corrente. Pauleta ficou esquecido ao segundo poste e premiou jogada insistência de Valério aos 18'. Oito minutos, cinco golos, nervos à flor da pele. Pausa para respirar em jogo de loucos.

Assim que o jogo recomeçou... loucura foi a palavra de ordem. De um lado, Bernardo Paçó alimentou uma exibição notável com duas grandes defesas a remates de Arthur (22') e Carlos Monteiro (25'). Do outro, o Sporting aproveitou a falha de marcação, mas a felicidade de Diogo Santos esbarrou no poste (23').

O ritmo de jogo baixou face ao controlo exímio do rumo dos acontecimentos por parte das águias. Só um lance fortuito podia agitar as águas... e foi isso mesmo que aconteceu. Bernardo Paçó aventurou-se na construção, mas foi surpreendido por uma bola dividida. André Coelho aproveitou o adiantamento e bisou na partida aos 34'.

O Sporting voltou a galvanizar-se após pico do rival... e empatou as contas em dois minutos. Pauleta, cara a cara com Gugiel, empatou as contas aos 34' antes de aproveitar uma má abordagem do guardião para assinar o hat-trick. Tudo empatado a quatro minutos do final.

Léo Gugiel negou os dois únicos rasgos de inspiração de ambas as equipas até ao apito final, da autoria de Zicky Té (38') e Paçó (39').

No prolongamento... a loucura continuou O Sporting começou melhor, o Benfica fez a quinta falta, mas Léo Gugiel apareceu. Uma das defesas do guardião brasileiro precipitou uma transição rápida que Higor aproveitou para colocar o Pavilhão da Luz em polvorosa, aos 43'.

O Sporting apostou no 5x4 a três minutos do final e a 30 segundos do final caiu oportunidade de ouro do céu. Diego Nunes travou Valério no próprio meio-campo, os leões beneficiaram de um castigo máximo e Paçó empatou as contas a 30 segundos do final.

O vencedor de um dérbi alucinante decidiu-se nos penáltis. Afonso Jesus falhou, Merlim teve a vitória nos pés, mas permitiu a defesa a Carrera. O jovem de 20 anos vestiu a capa de herói ao defender o castigo máximo de Zicky, que foi o nono batedor dos leões e a deixar o título a um triunfo.

Águias e leões voltam a defrontar-se na quinta-feira, a partir das 20h30, no jogo 4, no Pavilhão João Rocha. Se vencer, o Benfica sagrar-se-á campeão nacional.

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