Foi um Guzzo para Tejón na festa madeirense (crónica)
Três anos depois, o Marítimo e os seus adeptos voltaram a viver o futebol ao mais alto nível em Portugal. E a conquista dos três pontos adornou a festa que os 8.076 espectadores presentes no Caldeirão dos Barreiros fizeram no final, satisfeitos, não só, com o resultado, mas também pela entrega e atitude dos jogadores dos leões do Almirante Reis, que nunca desistiram de procurar um final feliz. O golo, foi um Guzzo de todos, mas principalmente para Martín Tejón, que soltou os foguetes com uma precisão milimétrica, para o médio tornar ainda mais incandescente o Caldeirão.
Em desenhos idênticos (4x2x3x1), as duas equipas levaram energia para o relvado, construindo um jogo vivo, equilibrado e bem disputado, com oportunidades. Os madeirenses foram mais empreendedores no início, mas sem conseguirem criar oportunidades, com os gansos a equilibrarem depois e a serem os primeiros a estarem perto de festejar até ao intervalo, por Henrique Araújo. Contudo, depois do descanso, só deu Marítimo, que chegou ao golo com naturalidade coroando uma reentrada muito forte.
Recuando à primeira metade, o avançado, ex-Benfica, natural do Funchal e que começou a formação nos leões do Almirante Reis, e que tem apetência para faturar contra equipas madeirenses – já marcou em quatro jogos com o Nacional e num contra o Marítimo (sub-23) - aos 25’, em queda após ganhar a profundidade num precioso passe de Abdu Conté para as costas da defesa, atirou a rasar o poste esquerdo. Foi o momento mais perigoso do período e também o melhor do Casa Pia. Os gansos foram surpreendidos após o descanso e não conseguiram travar o avanço dos madeirenses. Só em desvantagem e quando o cronómetro estava em contagem final conseguiram conquistar metros, cantos, mas sem reais grandes oportunidades para anular a desvantagem. Apenas no último suspiro dos descontos, Henrique Araújo conseguiu agitar num cabeceamento travado por Alfonso Pastor.
A reentrada do Marítimo para a segunda parte foi decisiva para a conquista dos três pontos. Os madeirenses imprimiram um ritmo elevado em direção à baliza de André Gomes e as oportunidades foram uma constante até ao golo. Martín Tejón (47’ e 53’) viu o guarda-redes travar as suas intenções e Simo (52’) atirou às malhas laterais. Por isso, o golo, apontado por Raphael Guzzo quando desviou de cabeça um cruzamento perfeito de Martín Tejón, era uma questão de paciência e minutos.
Depois foi tempo de os madeirenses olharem para o relógio e segurarem os três preciosos pontos.
Com 165 centímetros é, seguramente, um dos mais baixos do plantel dos madeirenses, mas foi, com toda a certeza, o maior no dinamismo que transmitiu ao ataque da sua equipa. O extremo espanhol colocou velocidade nas suas ações para romper a defesa dos gansos e criar muito perigo aos 7’, 47’ e 53’. Depois, aos 61’, colocou com precisão a bola na cabeça de Raphael Guzzo fazer o golo que fez explodir o Caldeirão.
As notas dos jogadores do Marítimo (4x2x31): Alfonso Pastor (5), Igor Julião (6), Rafael Fernandes (6), Romain Correia (5), Paulo Henrique (5), Danilovic (5), Rodrigo Andrade (6), Simo (6), Raphael Guzzo (7), Martín Tejón (7), Adrian Butzke (5), Samy Bamba (-), Maurice Boakye (-), Tomás Tavares (-), Gabor Szalai (-) e Yellu Santiago (-)
Depois de ter realizado apenas dois jogos na época passada no Famalicão, e extremo, que também pode atuar no meio, promete ressurgir nos gansos, deixando indicações nesse sentido. Sempre ativo, foi o mais perigoso dos visitantes com ações cheias de intencionalidade. Aos 43’ obrigou Pastor a defesa apertada junto ao solo numa das situações em que o Casa Pia esteve mais perto de marcar. No caso adiantar-se no marcador.
As notas dos jogadores do Casa Pia (4x2x3x1): André Gomes (6), André Geraldes (6), João Goulart (5), David Sousa (5), Abdu Conté (6), Seba Perez (5), Ofori (5), Rochinha (6), Gabi (5), Osundina (5), Henrique Araújo (6), Pedro Rosas (5), Kevin Prieto (5), Alassana Jatta (-), Khaly (-) e Selvi Clua (-)
Mitchel van der Gaag, treinador do Marítimo
«A equipa fez tudo para ganhar. A primeira parte foi equilibrada e nos primeiros 20 minutos só deu Marítimo, criámos muitas oportunidades, marcamos, baixamos o nosso bloco para ganhar espaço nas costas da defesa adversária e aguentámos bem. Às vezes é preciso sofrer. Voltar à Liga e ganhar o primeiro jogo não é fácil. Foi o primeiro passo na nossa luta pela manutenção.»
Alexandre Santana, treinador-adjunto do Casa Pia
«Um jogo de início de época, com as duas equipas encaixadas. Na 1.ª parte estivemos bastante melhor, no entanto do ponto de vista motivacional e de entrega, a 2.ª superou. Mas os ajustes táticos que deveríamos ter, desvirtuou um bocadinho, fruto do processo da entrada no campeonato e também do querer chegar à frente e igualar a partida. Foi um jogo equilibrado, sorriu ao Marítimo.»