O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, e o homólogo da Federação Portuguesa de Futebol,  Pedro Proença — Foto: LIGA PORTUGAL
O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, e o homólogo da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença — Foto: LIGA PORTUGAL

Quem decide o futuro do futebol português?

O verdadeiro desafio não é apenas vencer no presente. É criar as condições para que o futebol português continue forte, competitivo e respeitado nas próximas décadas. Pensar o futebol é o espaço de opinião quinzenal de Carlos Carneiro, dirigente desportivo

O futebol português vive de emoções intensas. Todas as semanas discutem-se resultados, decisões de arbitragem, momentos de forma das equipas e escolhas dos treinadores. Faz parte da natureza do jogo e da paixão que o envolve. No entanto, no meio desse debate constante, raramente paramos para refletir sobre uma questão mais profunda: quem decide verdadeiramente o futuro do futebol português?

O desenvolvimento de uma modalidade não depende apenas do que acontece dentro das quatro linhas. Depende sobretudo das decisões estratégicas que são tomadas fora do campo e que moldam o presente e o futuro do jogo. No caso do futebol português, essas decisões resultam de uma complexa rede de instituições, organizações e agentes que, de formas diferentes, influenciam o rumo da modalidade.

A Federação Portuguesa de Futebol assume naturalmente um papel central neste ecossistema. Cabe-lhe definir as grandes linhas de desenvolvimento do futebol nacional, desde as seleções até às políticas de formação, passando pela arbitragem e pelo crescimento global da modalidade em Portugal. A sua capacidade estratégica tem sido determinante para consolidar o prestígio internacional que o futebol português conquistou nas últimas décadas.

Ao mesmo tempo, a Liga Portugal desempenha uma função fundamental na organização das competições profissionais e na valorização económica do futebol de clubes. É no contexto competitivo da Liga que se constrói grande parte da visibilidade, do valor comercial e da projeção internacional do futebol português.

Mas o sistema não se esgota nestas duas instituições. Os clubes continuam a ser o verdadeiro coração do futebol. São eles que formam jogadores, que mobilizam adeptos, que investem em infraestruturas e que mantêm viva a ligação entre o jogo e as comunidades. O papel dos clubes na definição do futuro do futebol português é, por isso, incontornável.

A este quadro juntam-se ainda as organizações internacionais, como a UEFA e a FIFA, cujas decisões influenciam diretamente a estrutura das competições, os calendários internacionais, as regras do jogo e até os modelos económicos que sustentam o futebol global. Perante esta multiplicidade de intervenientes, torna-se evidente que o futuro do futebol português não depende de uma única entidade. Depende antes da capacidade de todos estes atores trabalharem com uma visão estratégica comum.

Portugal demonstrou, ao longo dos últimos anos, que tem conhecimento, talento e capacidade para competir ao mais alto nível. As conquistas das seleções nacionais, o reconhecimento internacional dos nossos jogadores e treinadores e a reputação da nossa formação são provas claras disso mesmo. Contudo, o futebol moderno exige cada vez mais planeamento, coordenação e visão de longo prazo.

Num contexto internacional cada vez mais competitivo, onde novas ligas emergem com forte capacidade de investimento e inovação, o futebol português precisa de continuar a pensar o jogo de forma estratégica. Isso implica reforçar a cooperação entre instituições, clubes e diferentes agentes do futebol, garantindo que as decisões estruturais são tomadas com uma visão clara sobre o futuro que queremos construir. Pensar o futebol não é apenas analisar o jogo em si. É compreender o seu ecossistema, refletir sobre os modelos de governação, promover o desenvolvimento sustentável da modalidade e garantir que o futebol português continua a afirmar-se no panorama internacional.

Porque, no final, o verdadeiro desafio não é apenas vencer no presente. É criar as condições para que o futebol português continue forte, competitivo e respeitado nas próximas décadas. Fora das quatro linhas devemos estar juntos a defender o futebol. Dentro delas, que fale apenas o jogo.

Reforçar o 6.º lugar no 'ranking' UEFA

A vitória do FC Porto em Estugarda, na 1.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa trouxe uma ótima notícia para o futebol português. O 6.º lugar no ranking UEFA ficou selado esta época, o que quer dizer que em 2027/2028, Portugal terá seis clubes nas provas europeias e três na UEFA Champions League — os dois primeiros na fase de liga e o terceiro classificado na 3.ª pré-eliminatória. Ainda assim, o ideal será procurar reforçar este 6.º lugar no ranking UEFA através das participações dos clubes portugueses que ainda estão a disputar competições europeias.

Tudo porque, na próxima época, a UEFA deixará de ter em consideração a época 2021/2022 — só considera as últimas cinco épocas, contando com a que está em curso —, precisamente a pior da… Bélgica. É que o futuro 7.º classificado e maior ameaça a Portugal em 2026/2027 tem feito bons resultados na UEFA Europa League e UEFA Conference League nas últimas temporadas. E conta ainda com a vantagem de a pior época dos últimos cinco anos dos clubes belgas na UEFA (2021/2022) deixar de entrar nas contas da UEFA em 2026/2027.

Importa, por isso, que os clubes portugueses que ainda têm aspirações europeias esta época possam chegar o mais longe possível para que Portugal some o maior número de pontos. De forma a podermos arrancar 2026/2027 bem posicionados para mantermos o 6.º lugar no ranking UEFA. Desde 2022/2023 que Portugal não tinha direito a participar na Champions com três equipas, mas o melhor ano dos últimos cinco em termos de competições europeias reabriu essa porta. Que não queremos fechar tão cedo.