Qualquer Bebe(to) tem direito a sambar no Carnaval de Maranhão (crónica)
Se o Natal é quando um homem quiser, o Carnaval também pode ser celebrado fora de época. E qualquer Bebe(to) tem direito a integrar a escola de samba de Maranhão.
Foi à boleia da experiência do lateral-direito brasileiro que o Tondela abriu caminho a um triunfo tão saboroso quanto importante e que dá corpo à retoma que tem vindo a ser encetada pelo conjunto orientado por Cristiano Bacci — quatro jogos seguidos a pontuar.
Ainda havia adeptos a entrar na Reboleira quando Gustavo Correia já apitava... para a marca dos 11 metros: lançamento lateral longo de Cícero e Jefferson Encada, com uma abordagem bastante imprudente, derrubou Brayan Medina. O lance foi devidamente analisado pelo VAR, que validou a decisão do árbitro, e, pouco depois, Bebeto encarregou-se de converter com êxito a grande penalidade para deixar os beirões em vantagem (4').
A reação dos tricolores teve alguma intensidade, mas muito pouca objetividade. Os comandados de João Nuno abusaram do jogo interior em vez de tentarem encontrar o espaço à largura, dado que beneficiou a defensiva auriverde, cuja linha de cinco — aos três centrais (João Silva, Christian Marques e Brayan Medina) juntavam-se os dois laterais (Bebeto e Rodrigo Conceição) — controlava todas as operações.
Sydney van Hooijdonk, à ponta de lança, foi aquele que mais perto ficou do empate, mas o cabeceamento do neerlandês tirou tinta à barra da baliza de Bernardo Fontes (19'). O guarda-redes dos tondelenses, de resto, esteve atento ao remate de Abraham Marcus (27') e brilhou na sequência de um tiro de Paulo Moreira (45+1').
Pelo meio, os forasteiros tiveram um golo (bem) anulado: Brayan Medina deu o melhor seguimento a um pontapé de canto de Hugo Félix, mas Benjamin Kimpioka, uns metros ao lado, impediu Jovane Cabral de tentar chegar ao lance.
E quando se pensava que os visitados poderiam surgir mais afoitos e, acima de tudo, mais clarividentes na etapa complementar, eis que a personalidade dos elementos do emblema beirão ficou ainda mais patente e o bloco nunca se desuniu.
Já no último quarto de hora assistiu-se ao desfile de Pedro Maranhão: remate forte e colocado do camisola 7 para o retoque final no carro alegórico dos auriverdes.
Com estes três preciosos pontos, o Tondela faz cair o Santa Clara para a zona de descida direta e fica a aguardar pelo desfecho do jogo dos açorianos no reduto do Alverca.
Já o Estrela da Amadora perdeu uma excelente oportunidade para dar mais um passo rumo à tranquilidade. Segue tudo em aberto...
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:
Renan Ribeiro (5), Jefferson Encada (4), Luan Patrick (3), Stefan Lekovic (4), Otávio Fernandes (4), Eddy Doué (5), Paulo Moreira (6), Kevin Jansson (5), Abraham Marcus (5), Sydney van Hooijdonk (5), Jovane Cabral (5), Max Scholze (5), Billal Brahimi (5), Ianis Stoica (5), Tom Moustier (5) e Rodrigo Pinho (5).
As notas dos jogadores do Tondela:
Bernardo Fontes (6), João Silva (6), Christian Marques (6), Brayan Medina (6), Bebeto (7), Joe Hodge (6), Cícero (6), Rodrigo Conceição (6), Pedro Maranhão (7), Benjamin Kimpioka (6), Makan Aiko (-), Hugo Félix (6), Yaya Sithole (5), Hélder Tavares (5), Tiago Manso (-) e João Afonso (-).
João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):
Tivemos algumas dificuldades em entrar no bloco baixo do Tondela, mas conseguimos ter oportunidades. Começámos muito bem a segunda parte, mas um erro numa saída originou o segundo golo e passámos a ter mais coração do que cabeça.
Cristiano Bacci (treinador do Tondela):
Na primeira parte, sobretudo, desbloqueámos muitas vezes a pressão e a equipa teve personalidade com bola. Defrontámos um adversário difícil, mas tivemos sempre cabeça fria e conseguimos três pontos muito importantes.