Bebeto e Maranhão festejaram efusivamente o importante triunfo dos beirões na Reboleira - Foto: Miguel A. Lopes/LUSA
Bebeto e Maranhão festejaram efusivamente o importante triunfo dos beirões na Reboleira - Foto: Miguel A. Lopes/LUSA

Qualquer Bebe(to) tem direito a sambar no Carnaval de Maranhão (crónica)

Dupla de brasileiros ofereceu três pontos de enorme relevo para os auriverdes: lateral marcou de penálti e extremo fez um golaço. Tricolores desinspirados

Se o Natal é quando um homem quiser, o Carnaval também pode ser celebrado fora de época. E qualquer Bebe(to) tem direito a integrar a escola de samba de Maranhão.

Foi à boleia da experiência do lateral-direito brasileiro que o Tondela abriu caminho a um triunfo tão saboroso quanto importante e que dá corpo à retoma que tem vindo a ser encetada pelo conjunto orientado por Cristiano Bacci — quatro jogos seguidos a pontuar.

Ainda havia adeptos a entrar na Reboleira quando Gustavo Correia já apitava... para a marca dos 11 metros: lançamento lateral longo de Cícero e Jefferson Encada, com uma abordagem bastante imprudente, derrubou Brayan Medina. O lance foi devidamente analisado pelo VAR, que validou a decisão do árbitro, e, pouco depois, Bebeto encarregou-se de converter com êxito a grande penalidade para deixar os beirões em vantagem (4').

A reação dos tricolores teve alguma intensidade, mas muito pouca objetividade. Os comandados de João Nuno abusaram do jogo interior em vez de tentarem encontrar o espaço à largura, dado que beneficiou a defensiva auriverde, cuja linha de cinco — aos três centrais (João Silva, Christian Marques e Brayan Medina) juntavam-se os dois laterais (Bebeto e Rodrigo Conceição) — controlava todas as operações.

Sydney van Hooijdonk, à ponta de lança, foi aquele que mais perto ficou do empate, mas o cabeceamento do neerlandês tirou tinta à barra da baliza de Bernardo Fontes (19'). O guarda-redes dos tondelenses, de resto, esteve atento ao remate de Abraham Marcus (27') e brilhou na sequência de um tiro de Paulo Moreira (45+1').

Pelo meio, os forasteiros tiveram um golo (bem) anulado: Brayan Medina deu o melhor seguimento a um pontapé de canto de Hugo Félix, mas Benjamin Kimpioka, uns metros ao lado, impediu Jovane Cabral de tentar chegar ao lance.

E quando se pensava que os visitados poderiam surgir mais afoitos e, acima de tudo, mais clarividentes na etapa complementar, eis que a personalidade dos elementos do emblema beirão ficou ainda mais patente e o bloco nunca se desuniu.

Já no último quarto de hora assistiu-se ao desfile de Pedro Maranhão: remate forte e colocado do camisola 7 para o retoque final no carro alegórico dos auriverdes.

Com estes três preciosos pontos, o Tondela faz cair o Santa Clara para a zona de descida direta e fica a aguardar pelo desfecho do jogo dos açorianos no reduto do Alverca.

Já o Estrela da Amadora perdeu uma excelente oportunidade para dar mais um passo rumo à tranquilidade. Segue tudo em aberto...

O melhor em campo: Pedro Maranhão (Tondela)
Fez quase tudo bem. Inteligente na forma como ocupou espaços quando a equipa não tinha a bola, de forma a travar as investidas contrárias, astuto na disputa dos duelos individuais, contribuindo para uma recuperação rápida da posse, e ao mesmo tempo letal nas saídas para o ataque. Com a velocidade fez estragos e com o toque de samba que o caracteriza apontou um golaço (75').
A figura: Paulo Moreira (Estrela da Amadora)
Lutador incansável no miolo, sempre disposto a meter o pé para resgatar o esférico e ficar em condições de iniciar a primeira fase de construção. Aproveitou a facilidade que possui em chegar ao último terço para tentar o golo, mas Bernardo Fontes voou para lhe negar os intentos (45+1'). Ainda se assustou com o cartão vermelho (58'), mas depois viu o árbitro reverter (e bem) a decisão.

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

As notas dos jogadores do Tondela:

João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):

Tivemos algumas dificuldades em entrar no bloco baixo do Tondela, mas conseguimos ter oportunidades. Começámos muito bem a segunda parte, mas um erro numa saída originou o segundo golo e passámos a ter mais coração do que cabeça.

Cristiano Bacci (treinador do Tondela):

Na primeira parte, sobretudo, desbloqueámos muitas vezes a pressão e a equipa teve personalidade com bola. Defrontámos um adversário difícil, mas tivemos sempre cabeça fria e conseguimos três pontos muito importantes.