Sergio Ramos fora dos planos dos andaluzes

Presidente do Sevilha fecha a porta ao regresso de Sergio Ramos

José María del Nido Carrasco assume responsabilidade pela decisão e desvaloriza alegadas dívidas na ordem dos 300 milhões de euros, que colocam o clube andaluz numa posição delicada, além dos problemas que atravessa dentro dos relvados

José María del Nido Carrasco, presidente do Sevilha, abordou a atualidade do clube, assumindo a responsabilidade pelo facto de Sergio Ramos não regressar à Andaluzia e falando sobre a contestação de que tem sido alvo, a confiança no treinador e no diretor desportivo, e o futuro do atual 13.º classificado da La Liga.

Numa entrevista ao Canal Sur, o líder máximo dos sevilhanos foi taxativo quanto ao tema Sergio Ramos. «A decisão de que Ramos não jogue no Sevilha é minha», afirmou, explicando a sua posição. «Já toda a gente sabe o quanto lutei para que ele jogasse aqui há dois anos e, depois, para que continuasse. Eu disse ao círculo próximo de Sergio que, para mim, era incompatível ser dono e, ao mesmo tempo, jogar no Sevilha», revelou.

Del Nido Carrasco acrescentou que, embora o clube não tenha limite salarial, «a decisão não tem nada que ver com o aspeto desportivo», isentando o treinador Matías Almeyda e o diretor desportivo Antonio Cordón de qualquer responsabilidade na matéria.

O presidente enfrenta uma forte contestação por parte dos adeptos, incluindo cânticos a desejar-lhe a morte, uma situação que lamenta. «Uma coisa é cantarem Junior, vai-te embora, outra é desejarem-te a morte. Isso não é agradável e tem de ser condenado», disse, admitindo o peso da situação. «Todas as noites me pergunto se vale a pena continuar à frente do Sevilha, mas aceito ser o vilão deste filme.»

Apesar da pressão, Del Nido Carrasco garante que não abandonará o cargo. «Podia fugir a correr, mas enquanto tiver o apoio do Conselho e da Junta, continuarei a tomar aquelas que acredito serem as melhores decisões para o Sevilha, sejam elas entendidas ou não. O meu sevilhismo e a minha responsabilidade não me permitem sair numa situação de conflito», sublinhou, assegurando que está a tomar as medidas necessárias para «garantir a sobrevivência do Sevilha», mesmo que isso implique decisões difíceis como não ter ficado com Badé e Lukebakio.

A confiança na estrutura do futebol, liderada por Matías Almeyda e Antonio Cordón, é total. «A confiança em Almeyda é absoluta. Falo com o Matías e vejo-o todos os dias. Está forte, é um lutador e a pessoa ideal para liderar este Sevilha», declarou, elogiando também o diretor desportivo: «Teve a valentia de vir para o Sevilha. Trazer oito jogadores investindo 250 mil euros deve entrar na nota que lhe damos. Espero que esteja comigo muitos anos.»

O presidente desvalorizou ainda os rumores sobre uma dívida de 300 milhões de euros, classificando-os como «notícias falsas» que não trazem «nada de bom para o clube». Sobre uma possível venda, confirmou estar a par de alguns assuntos e que, através do círculo de Sergio Ramos, sabe que potenciais interessados irão analisar a situação do clube. «Se alguém comprar o clube, imagino que serão eles a mandar, e não nós. No dia em que me disserem para sair, sairei», concluiu, mantendo-se otimista quanto ao futuro, apesar de reconhecer que o clube atravessa «um processo de transição».