Roberto Martínez desvalorizou resultado e apontou já aos próximos jogos - Foto: IMAGO

As emoções, a necessidade de melhorar e Ronaldo: o que disse Roberto Martínez

Selecionador desvalorizou o empate frente à RD Congo, mas assumiu a necessidade de melhorar, apontou o impacto emocional do golo e elogiou a atitude dos jogadores, mostrando-se confiante de que a equipa vai crescer ao longo da fase de grupos

HOUSTON — Portugal foi fraco para as aspirações de vencer o Mundial? O que diz da atitude de Cristiano Ronaldo no final do jogo?

O Mundial é um torneio onde estas coisas acontecem. Há momentos em que os desempenhos não estão ao nível. Relembrar que no Mundial no Qatar, a Argentina perde contra a Arábia Saudita e depois ganha o Mundial; em 2010, a Espanha perde contra a Suíça e ganha o Mundial. E esses não foram desempenhos de equipas que podem ser ganhadoras, mas foram. É um processo. Já disse que falarem em ganhar o Mundial provavelmente é uma emoção que não ajuda a ganhar jogos.

O mais difícil era começar o jogo bem e fizemos isso. Começámos muito bem. O nível, o controlo, a chegada à baliza... Marcar o golo, que é um momento que ajuda muito para continuar a controlar o jogo, teve um efeito contrário. Foi um efeito de tentar manter bola, não chegámos à baliza, demos a oportunidade à RD Congo de recomeçar a estrutura defensiva, armar o contra-ataque e perdemos muita profundidade — e isso ajudou a RD Congo.

A atitude dos jogadores foi extraordinária, tentámos mexer o padrão de ataque, chegámos à baliza mais frequentemente mas não ao nível que precisamos e com a qualidade que temos. Tentámos até ao fim e há aspetos muito importantes que são a atitude e todo o esforço dos jogadores, que permitem agora construir para o segundo jogo. A emoção de ganhar um Mundial não faz parte na fase de grupos.

Cristiano Ronaldo? Era o primeiro jogo, ainda não temos os hábitos da FIFA. Neste Mundial, temos oito jogadores a fazer flash, ainda não temos o hábito do que fazer no fim do jogo: entrar no balneário, ir à flash, ficar no relvado. Estávamos também todos tristes, mas vamos tentar apanhar o hábito rapidamente para podermos estar todos como um grupo.

— Este é o melhor modelo de jogo para ter sucesso no Mundial ou vai fazer mudanças?

Precisamos de melhorar. Precisamos de ter muita autocrítica a avaliar o jogo. É a avaliação de 96 minutos. Há momentos antes do golo, depois do golo, quando começámos a segunda parte, as ligações, os espaços que procuramos... Todos os adversários são diferentes. A nossa responsabilidade é avaliar o jogo, autocrítica e melhorar. E é esse o processo do Mundial na fase de grupos. Percebo que a atitude é extraordinária e acredito muito no que podemos fazer

— Qual é o papel do ponta de lança no jogo de Portugal?

Na nossa estrutura de jogo, o ponta de lança precisa de ter muita disciplina. Isso quer dizer ficar na linha defensiva, nas costas dos centrais, abrir espaços. Depois do primeiro golo, não chegámos ao último terço ao nível que precisamos para poder dar serviço ao ponta de lança ou poder utilizar os movimentos do ponta de lança. Há aspetos em que precisamos de melhorar. O ponta-de-lança precisa de estar perto da baliza, mas precisamos de chegar lá. É importante utilizar os jogadores que temos. Com a entrada do Francisco Conceição, chegámos mais ao último terço. O espaço na linha defensiva abriu mais e era para utilizar o Gonçalo Ramos, mas tínhamos o Bruno Fernandes em posição de chegada.

— Como explica a pressão ofensiva da Seleção? Foram cruzamentos a mais?

Há um jogo diferente depois do primeiro golo. Até ao primeiro golo, o nosso padrão de ataque chegava ao último terço, tínhamos boa ligação entre o jogo interior e o jogo por fora. Acontece que depois, quando a RD Congo marca, é uma emoção diferente, a tomada de decisão é diferente. Não é um jogo para ver as estatísticas, não são boas, não estavam ao nível que nós precisamos. Mas o importante é refletir, avaliar e poder ajustar para o próximo jogo.

— O que falta para conjugar todos os talentos portugueses?

Acompanharam a equipa a ganhar a Liga das Nações? Os mesmos jogadores tiveram um desempenho de alto nível. O que estamos a falar é do primeiro jogo do Mundial; já falei da responsabilidade, das emoções de jogar um Mundial. Quando marcámos o primeiro golo, essas emoções tiveram um efeito negativo no nosso desempenho. Faltou arriscar, faltou procurar espaços, faltou chegar ao último terço, mas foi um sentimento mais do que um aspeto técnico-tático. Acontece e faz parte do Mundial.

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