Polémica no Sporting: atleta olímpica que foi mãe... foi dispensada
A saída de Cátia Azevedo do Sporting está a gerar críticas nas redes sociais, sobretudo pelo momento em que acontece: a velocista portuguesa foi mãe recentemente e estava de regresso aos treinos. O clube despediu-se da atleta, que esteve 18 anos ligada aos leões, mas a decisão motivou uma reação pública de Marta Pen.
«Insane [Loucura]. A Cátia acabou de ser mãe, está de volta aos treinos. Inacreditável o clube onde ela cresceu, se tornou atleta Olímpica não a apoie neste novo capítulo», escreveu a também olímpica portuguesa na caixa de comentários da publicação do Sporting, na qual o emblema verde e branco se despede de seis atletas.
Cátia Azevedo construiu grande parte da carreira de verde e branco e tornou-se uma das principais referências portuguesas nos 400 metros. É recordista nacional da distância, com 50,59 segundos, e representou Portugal em três edições dos Jogos Olímpicos: Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024.
A polémica ganha ainda maior dimensão pelo facto de Cátia estar precisamente a atravessar uma fase especial da sua vida, depois de ter voltado a ser mãe. A atleta, de 32 anos, regressou aos treinos apenas cinco semanas depois de ter dado à luz. No regresso ao trabalho, a velocista definiu como objetivos voltar a bater o recorde nacional dos 400 metros, testar os 800 e conquistar a quarta participação olímpica, em Los Angeles 2028.
A decisão surge, curiosamente, num momento em que o clube continua a apresentar reforços e a preparar a nova época do atletismo. Nos últimos dias, o Sporting anunciou novas contratações e renovações, incluindo a continuidade de Liliana Cá, que também já passou pela experiência da maternidade e que destacou precisamente o apoio que recebeu do clube nesse regresso.
Para já, a reação pública parte de Marta Pen, enquanto o Sporting não apresentou oficialmente uma explicação detalhada sobre a saída de Cátia Azevedo.
«É incompatível uma carreira de alta competição com uma gravidez»
Em entrevista a A BOLA, em março deste ano, Cátia Azevedo falou sobre a gravidez: «Não havia espaço e tempo para eu ser mãe. O pai não está a gerar a vida e não pára a vida durante nove meses. É incompatível uma carreira de alta competição com uma gravidez. Foi uma das coisas que eu sempre atrasei e esperei pelo momento ideal.»
«É uma mudança que nós não estamos tão preparadas quanto nós achamos. A nossa vida fica sempre em stand by e a alteração corporal… Para mim foi um choque. As debilidades corporais foram um choque e depois o ficar quieta a ver na televisão e a vida continuar e nós é que ficamos ali… . Eu estou de baixa médica, o pai continua a vida dele até ter o bebé na vida normal dele. O pai agora sai para treinar e a mãe está no sofá...», acrescentou, apontando objetivos para o futuro: «Eu queria muito mudar agora para os 800 metros [até agora esteve nos 400m], fazer uma transição em termos desportivos. Los Angeles 2028 está lá e é o grande objetivo.»