Atletas de alta competição: os riscos e as recomendações
— Há vários fatores que podem condicionar uma gravidez, incluindo a atividade profissional. No caso do futebol, há riscos associados?
— A atividade física moderada é encorajada por todas as sociedades internacionais de obstetrícia e ginecologia a todas as grávidas que não tenham qualquer contraindicação médica, porque exercício aeróbico moderado, ginástica, reduzem riscos, por exemplo, de diabetes gestacional, parto pré-termo. Atletas de alta competição podem continuar a fazer exercício, a treinar, mas não recomendamos que continuem a jogar, por causa do risco do traumatismo abdominal. Tudo o que seja exercício de impacto, boxe, futebol, ténis, etc., em que há esse risco, deve evitar-se, não está recomendado.
— Manter a atividade física, mas sem a vertente competitiva, é uma das opções.
— Podem continuar a treinar para manter a condição física, para não prejudicarem o regresso. E é importante a supervisão, para avaliar se é necessário interromper ou amenizar os treinos, que devem ser adaptados a cada trimestre. Não devem jogar, mas podem continuar a fazer treino supervisionado, reduzindo a intensidade e a duração, desde que esteja tudo bem, e tendo sempre em atenção a necessidade de evitar a desidratação e o sobreaquecimento, e de manter alimentação adequada.
— É um mito que estas atletas não consigam regressar aos níveis de intensidade anteriores à gravidez?
— Podem perfeitamente recuperar os índices anteriores, podem voltar perfeitamente à condição que tinham. Atletas de alta competição estão habituadas a ter regimes alimentares mais cuidados e supervisionados, e estão habituadas a treinos físicos mais intensos que lhes permitem rapidamente voltar à forma em que estavam.