Dragão apertou a gravata e virou o resultado na Corunha (a crónica)
O Riazor ocupa um lugar especial na história do FC Porto. A visita dos dragões à Corunha, 22 anos depois, reavivou a memória da meia-final da Liga dos Campeões de 2003/04, que pôs frente a frente portuenses e galegos. Depois do nulo na primeira mão, nas Antas, Derlei marcou de penálti em Riazor e garantiu ao FC Porto o apuramento para a final, que os portistas viriam a conquistar frente ao Mónaco.
Falamos, como é lógico, de realidades diferentes. O particular deste final de tarde entre o ‘Depor’ e os azuis e brancos, que terminou com vitória com reviravolta dos azuis e brancos, aconteceu numa pausa dominada pelos compromissos das seleções e trouxe ao Riazor versões minimalistas das duas equipas. Do lado galego, fez-se sentir a ausência de Aubameyang, a recuperar de lesão. Do lado portista, a lista foi ainda mais extensa: dez jogadores nas seleções e oito no Olival, a recuperar de problemas físicos.
Foi neste cenário que Chris Smalling entrou no onze, no lado direito do eixo da defesa. O reforço inglês, que chegou ao FC Porto no dia em que implodiu a relação entre a Seleção Nacional e Ronaldo, teve pela frente não só o desafio de se estrear, mas também o de encontrar o encaixe com um jogador que não é central: Francisco Moura.
Não foi a única experiência de Farioli em tempo de magreza extrema. Pepê atuou como médio interior e o jovem Tiago Silva, de 19 anos, fez de Froholdt. No resto, entre jogadores com pouca quilometragem — como Cláudio Ramos, Souza e Samu — e outros à procura do seu lugar ao sol, como Alan Varela e Borja Sainz, quase não se reconhecia uma linha de continuidade.
Se o nome do FC Porto levou meia casa ao Riazor, com mais de uma centena de adeptos azuis e brancos nas bancadas, a primeira celebração foi galega. E, se calhar, nem todos os que festejaram estavam no estádio: aos três minutos, Asp Jensen aproveitou um passe errado de Borja Sainz para furar pelo meio, entrar na área e bater Cláudio Ramos.
O dragão ainda nem tinha apertado bem a gravata de um fato que estava, manifestamente, dois números abaixo do desejado — e a culpa não era do alfaiate — quando já se viu obrigado a responder. Fê-lo, e bem: foi crescendo e somando oportunidades. Samu escapou como uma flecha — está cheio de saúde — e obrigou Leo Román a uma defesa apertada, Varela acertou na barra e Alberto, de cabeça, voltou a fazer brilhar o guarda-redes do Deportivo. Os galegos só ameaçaram na primeira parte com um remate de Yeremay, antigo alvo do Sporting.
⚽64' 𝙂𝙊𝙇𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊! MARCA ANDRÉ SILVA!
— FC Porto (@FCPorto) October 2, 2026
🔵⚪ RC Deportivo 1-2 FC Porto#PortoDeHonra pic.twitter.com/qd0okQfmQQ
No segundo tempo, Farioli lançou Gabriel Mec, André Silva e João Teixeira. Ficaram no balneário Samu, William Gomes e Tiago Silva, que não teve um jogo feliz. Logo a abrir, Smalling, disfarçado de ponta de lança, surgiu na área para rematar à barra.
⚽60' 𝙂𝙊𝙇𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊𝙊! BORJA SAINZ faz o empate!
— FC Porto (@FCPorto) October 2, 2026
🔵⚪ RC Deportivo 1-1 FC Porto#PortoDeHonra pic.twitter.com/87hSlAplSN
O FC Porto entrou a dominar e com urgência em chegar ao empate, exercendo forte pressão sobre o adversário. À passagem dos 60’, Borja Sainz deu forma a esse ascendente: numa ligação com Pepê, surgiu isolado na área e picou a bola por cima do guarda-redes espanhol. Quatro minutos depois, André Silva, também com classe, confirmou a reviravolta portista, para, aos 90 minutos, o ponta de lança português fechar o jogo com um 'golaço', um pontapé fora da área que não deu hipótese ao guarda-redes!
Mais ligada, a equipa de Farioli beneficiou do atrevimento e da dinâmica de Gabriel Mec. O brasileiro revelou argumentos para batalhar por um lugar no onze, tal como Souza, que, enquanto aguentou, esteve a um nível muito bom. Nota ainda para a utilização de Gabriel Veron nos últimos dez minutos. Poderá o extremo, que joga na equipa B, ganhar uma segunda vida?
Artigos Relacionados: