Jogadores do Rayo Vallecano deixaram várias críticas ao estado e à direção do clube - Foto: IMAGO

Polémica em Espanha: jogadores do Rayo arrasam... o próprio clube

Atletas e equipa denunciam a grave precariedade e o que consideram ser um abandono por parte da direção do clube

O plantel principal e a equipa técnica do Rayo Vallecano emitiram um duro comunicado, através da Associação de Futebolistas Espanhóis, para denunciar a grave precariedade e o que consideram ser um abandono por parte da direção do clube. Os jogadores e técnicos exigem a profissionalização imediata das estruturas, apontando falhas graves nas instalações, nos serviços médicos e na falta de material básico, que colocam em risco a sua saúde e desempenho.

No documento, o grupo de trabalho começa por enaltecer os adeptos, descrevendo-os como «um pilar fundamental e um dos maiores ativos do clube», cuja «fidelidade, compromisso e apoio constante» merecem «um maior cuidado e consideração».

As críticas centram-se depois nas condições de trabalho. «Durante a pré-época, o plantel esteve cerca de três meses sem poder treinar na nossa Cidade Desportiva, devido ao mau estado dos campos, sendo obrigados a sair das instalações para treinar num local que reunisse as condições necessárias para desempenhar profissionalmente o nosso trabalho.» Segundo os atletas, esta situação teve impacto direto no dia a dia da equipa: «Esta situação, prolongada no tempo, afetou de forma direta o trabalho diário, o planeamento e a normalidade que um clube profissional da Primeira Divisão exige.»

Mais recentemente, as más condições climatéricas voltaram a expor a fragilidade das infraestruturas, obrigando a equipa a treinar num campo de relva sintética fora do complexo desportivo do clube.

O estado do relvado do próprio Estádio de Vallecas é outro dos pontos de forte contestação. O comunicado descreve-o como «claramente deficiente», uma situação que se «agravou com o passar das semanas» e que resultou num «terreno de jogo instável e impraticável», que não reúne «as condições mínimas exigíveis para disputar um jogo da máxima categoria».

«A esta situação juntam-se deficiências nas instalações que utilizamos diariamente, como a falta de água quente nos duches em determinados dias, uma limpeza que nem sempre foi adequada e instalações obsoletas que não correspondem aos padrões exigidos», continua.

«Queremos sublinhar que todos estes pontos foram previamente comunicados à presidência do clube em diferentes ocasiões. No entanto, as soluções prometidas e as explicações dadas até ao momento não resolveram de forma eficaz uma situação que entendemos não poder prolongar-se, uma vez que vemos em risco a nossa integridade física e as nossas condições básicas de trabalho.»

Apesar da denúncia pública, o grupo faz questão de reafirmar o compromisso competitivo. «Este comunicado não pretende gerar conflito nem desviar a atenção do jogo que disputamos este sábado, cuja importância desportiva assumimos com total profissionalismo e compromisso. Precisamente por esse compromisso, consideramos que chegou o momento de expressar publicamente que esta situação tem de mudar», termina.