Mosengo-Omba é alvo de pedidos de demissão
Mosengo-Omba é alvo de pedidos de demissão - Foto: IMAGO

Polémica em África: secretário-geral da CAF acusado de «ocupar o cargo ilegalmente»

Samir Sobha exige a demissão de Véron Mosengo-Omba, alegando que este ultrapassou a idade de reforma obrigatória e que os estatutos não estão a ser respeitados.

A polémica instalou-se na CAF, com Samir Sobha, presidente da Federação de Futebol das Maurícias, a afirmar que o secretário-geral do organismo, Véron Mosengo-Omba, de 66 anos, «ocupa o cargo ilegalmente» e deve abandonar as suas funções. Sobha declarou que não aceitará a presença do advogado suíço-congolês nas reuniões da confederação, por considerar que este já não detém o cargo de forma legítima.

A base da acusação reside no regulamento 130 do manual de trabalho da CAF, que estipula os 63 anos como a idade de reforma obrigatória para os funcionários. O regulamento permite uma única extensão de três anos, a critério do presidente ou do próprio secretário-geral.

Refira-se que Mosengo-Omba assumiu o cargo em março de 2021, com 61 anos, e completou 63 anos a 15 de outubro de 2022. Foi-lhe concedida uma extensão de três anos pelo presidente da CAF, Patrice Motsepe, que, segundo o artigo, terminaria a 15 de outubro de 2025. No entanto, a idade atual de 66 anos coloca-o para lá do limite legal, mesmo com a extensão.

«De acordo com os estatutos, ele está a ocupar o cargo ilegalmente neste momento», afirmou Sobha. «Não creio que o secretário-geral esteja em qualquer posição legal para tomar decisões, para assinar um documento... Apelo ao presidente para que retifique esta situação... Precisamos de respeitar os estatutos... Quando se trata desta questão, penso que é clara».

O dirigente mauriciano sublinhou a urgência da situação, afirmando que a maioria dos presidentes das federações africanas concorda que o mandato de Mosengo-Omba terminou. «Esta decisão [de que Mosengo-Omba deve abandonar o cargo] precisa de ser tomada, para garantir que possamos ter, muito em breve, um secretário-geral legítimo e em plenas funções», acrescentou.

Confrontado com a questão após a reunião do comité executivo da passada sexta-feira em Dar es Salaam, na Tanzânia, o presidente da CAF, Patrice Motsepe, respondeu de forma evasiva: «A reforma é regida pelas nossas regras e regulamentos. Lidamos com essas coisas não apenas de acordo com a legalidade, mas também com a governação. Tomaremos a melhor decisão para a CAF, no que diz respeito aos funcionários».

Apesar de considerar Motsepe «uma pessoa muito boa», Sobha lamentou que «as coisas não estejam a ir na direção certa» e que «algumas questões precisam de ser corrigidas».

Curiosamente, Mosengo-Omba esteve ausente da referida reunião devido a um assunto familiar urgente na República Democrática do Congo. Sobha garantiu que, se o secretário-geral estivesse presente, teria manifestado a sua oposição publicamente.

Pedido de desculpas a Marrocos

Na mesma ocasião, Samir Sobha, reeleito para o comité executivo da CAF em março do ano passado, aproveitou para pedir desculpas a Marrocos pela «grande injustiça que foi feita ao povo de Marrocos e à sua seleção» na final da Taça das Nações Africanas do mês passado, em Rabat. Marrocos perdeu por 1-0 contra o Senegal, num jogo marcado por um penálti controverso que levou a equipa senegalesa a abandonar o relvado, antes de o jogo ser reatado 15 minutos depois.

«Quero apelar à federação marroquina para que nos perdoe pela injustiça que lhes foi feita... As regras não foram respeitadas como deveriam ter sido neste jogo... Foram roubados. É claro que, depois de a equipa senegalesa ter abandonado o campo, todos os jogadores deveriam ter sido sancionados com um cartão amarelo», declarou Sobha, concluindo: «Devemos pôr o nosso ego de lado e concordar que foi cometida uma injustiça contra a seleção marroquina».