«Mourinho é humilde, ambicioso e um grande treinador»
A viver um período exigente na sua afirmação no Real Madrid, marcado por dois problemas extradesportivos e por uma recente operação à tíbia, Raúl Asencio quebrou o silêncio. Em entrevista ao AS, o defesa de 23 anos assumiu os erros do passado, garantiu estar pronto a dar a vida pelo clube e destacou o impacto do apoio do balneário, em particular a visita de Mourinho logo após a intervenção cirúrgica.
«Essa visita deu-me uma injeção de energia. Naqueles momentos de dúvidas, em que andas a pensar como vai correr a recuperação e quanto tempo vais ficar sem jogar, o facto de Mourinho me vir ver e demonstrar essa proximidade, que todos temos visto no balneário desde o início da temporada, conforta bastante. Mourinho é próximo, humilde, amável e ambicioso. É uma grande pessoa a nível humano, além de ser um grande treinador», revelou o jogador espanhol, desmistificando a imagem dura que muitas vezes se associa ao técnico: «De portas para dentro é uma pessoa magnífica, divertido, que quer passar muitas horas connosco e nós com ele. É mais um no balneário.»
O calvário físico do atleta natural de Gran Canária teve início há cerca de um ano. A contas com uma fissura na tíbia desde janeiro, gerida através de tratamento conservador para continuar a ajudar a equipa, Asencio viu a lesão agravar-se até à rutura total. «Agora estou de muletas e com problemas de mobilidade até recuperar», explicou, recordando a chegada imediata da família desde as Ilhas Canárias para o apoiar nesta fase.
Recrutado pelo Real Madrid aos 14 anos, após cinco épocas na formação do Las Palmas, o defesa recordou a infância na residência da cantera madrilena ao lado do ex-Benfica Álvaro Carreras, período que o obrigou a «amadurecer antes do tempo» perante a exigência de La Fábrica.
Mais recentemente, o central assumiu a mítica camisola 2 dos blancos, número anteriormente envergado por Dani Carvajal, tendo inclusivamente entrado em contacto com o lateral antes de tomar a decisão: «Nem pensei duas vezes. Falei com o Dani, enviei-lhe uma mensagem e disse-lhe, em tom de brincadeira, que esperava não manchar o seu número.»
Num momento de reflexão e assumindo a responsabilidade pelos erros recentes, o jovem jogador de 23 anos do Real Madrid abordou o episódio vivido no verão com o seu carro, que resultou numa pesada multa por imprudência, merecendo também uma firme repreensão de Mourinho.
«Foi um momento muito duro. Juntaram-se várias situações na minha vida num curto espaço de tempo. Mourinho não se equivoca, tinha toda a razão do mundo», começou por admitir. «Errei. Reconheci e reconheço, pedi desculpa e continuarei a pedir. Tenho 23 anos e cometi erros como todos podem cometer nesta idade, mas tenho de ter a consciência de onde estou. Estou no Real Madrid e isto não pode voltar a acontecer. Sou o primeiro a ficar magoado e sonho dar a volta a tudo e conquistar títulos por este clube», garantiu.
O jogador abordou também o desfecho de um processo judicial em que esteve envolvido ao lado de antigos companheiros e a hostilidade que enfrentou em vários recintos adversários. «Não matei ninguém, não fiz nada. Estava de consciência tranquila e isso é o mais importante. Ia para o campo para jogar futebol, não para me desconcentrar com uma bancada hostil», sublinhou, admitindo que o ambiente pesado afetou sobretudo os seus familiares, enquanto o próprio se manteve focado no jogo.
Questionado sobre a hipótese de o Real Madrid conquistar o 16.º título da Liga dos Campeões no Metropolitano, a resposta foi perentória: «Impossível? Muito possível. Para o Real Madrid não há nada impossível. Com Mourinho temos muitas possibilidades de demonstrar que voltamos a ser a melhor equipa da Europa.»
No que toca aos companheiros de equipa, a atribuição da Bola de Ouro a Kylian Mbappé foi defendida com entusiasmo. «Seria justo. Vejo-o no dia a dia, para mim é o melhor jogador de todos os nomeados. Futebolisticamente falando, Kylian é o melhor. O melhor goleador em todos os aspetos. É um prémio individual», frisou.
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