As notas que validei: três jogos de suspensão para CR7
O comunicado é longo, mas merece leitura profunda. A cronologia da quebra de relação com Jesus está lá, contada por Ronaldo, mas com intervenientes pelo meio que ficamos sem perceber como têm direito a tanta presença na Seleção.
Simão Coutinho, diretor-desportivo do Al Nassr, é referido várias vezes, sendo contextualizado como a pessoa que contratou JJ para este clube e a quem o treinador reportava na época passada. Como é que o responsável de uma equipa árabe acaba em reuniões entre o selecionador e o capitão, num momento de tensão? E já agora, porque não chamar outros diretores-desportivos que contrataram Jesus noutras alturas? Quem permitiu isto? Onde estava a FPF nestas reuniões? Como o aceitou JJ? Inexplicável.
Tiago Craveiro, consultor estratégico de CR7, também foi chamado, desta vez, diz Cristiano, para uma reunião a pedido de JJ. Todos juntos, tiveram a bondade de escrever o que o selecionador teria de dizer na fatídica conferência de imprensa. A ser verdade que Jesus aceitou tudo isto até aqui como se fosse normal, realmente mais valia ter levado o papel e só o ter lido perante os jornalistas, sem direito a perguntas. Só um selecionador amordaçado se prestaria a isto, mas tendo em conta todo o contexto já nada me surpreende muito. Surpreendeu-se, no entanto, CR7 ao ouvir JJ com «uma atitude de quero, posso e mando», em vez de ler coisas como «Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito». Imaginem o quão natural isto teria saído. Tanto consultor, tanto diretor-desportivo, tanto amigo, e ninguém conhecia Jorge Jesus? O selecionador vai ter de explicar muito bem como aceitaria tanta pressão e condicionamento, ou então desmentir grande parte desta versão, o que afastaria totalmente o regresso de Ronaldo.
O capitão pediu também desculpa aos colegas e aos portugueses por ter abandonado, o que só lhe fica bem, como teria ficado uma ou outra palavra de elogio aos resultados e exibições recentes. Atirou para o lado da Federação a responsabilidade pelo seu castigo, o que tendo em conta as palavras de Pedro Proença no passado domingo deve indicar que a FPF já recebeu umas notas previamente validadas: a suspensão será de três jogos, com retroativos para os dois jogos com a Noruega e outro com a Dinamarca.
Depois disto, só resta ver quanto estão os restantes intervenientes dispostos a ignorar. Já não tenho grandes dúvidas: CR7 vai voltar à Seleção, resta saber se JJ aguenta. Mesmo com um trabalho destes...