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Pacto de ‘imortais’ em Miami: Kiko Costa defende Cristiano Ronaldo
MIAMI — O calor húmido de Miami Beach parece não beliscar a tranquilidade de Kiko Costa. De férias na mítica Ocean Drive após mais uma temporada avassaladora ao serviço do Sporting e da Seleção Nacional de andebol, aquele que muitos já apontam como o potencial GOAT da modalidade em Portugal está a jantar, de forma descontraída com a namorada, Mariana.
Mas bastou aproximarmos o microfone de A BOLA para que o olhar afável do jovem campeão desse lugar à determinação que o caracteriza nos pavilhões. Em pleno epicentro da febre do Mundial 2026, a conversa fluiu naturalmente para o outro fenómeno das quinas que divide atenções na América: Cristiano Ronaldo.
Habituado à exigência da alta competição e a carregar nos ombros o estatuto de estrela planetária do andebol, Kiko Costa não hesitou quando confrontado com a recente onda de ceticismo e as críticas que têm visado o camisola 7 de Portugal, tantas vezes rotulado de «velho» ou «dispensável», isto antes de calar os detratores com exibições capitais no relvado, como diante do Uzbequistão.
«As críticas vão existir sempre», desabafa Kiko, com a maturidade de quem sabe ler o ruído que rodeia os predestinados. «Quer sejam boas, quer sejam más, elas estão lá. Mas nós, os atletas, temos de continuar o nosso trabalho e acreditar no nosso talento. No caso do Cristiano, a resposta é sempre a mesma: ele responde em campo. É a prova viva disso», atira o andebolista luso.
A admiração do jovem jogador pelo capitão de futebol vem de longe, alimentada por memórias de infância partilhadas em família. Kiko recorda as tardes passadas a ver os jogos da Seleção, em ambiente de festa, e os momentos em que o País parava para ver o impossível acontecer. «Lembro-me de tantos jogos dele, de ver os hat-tricks contra a Suécia na caminhada para o Brasil 2014, ou contra a Espanha, no Mundial 2018», evoca, com um brilho nos olhos. «Ele habituou-nos desde sempre a que é capaz de fazer o impossível. Quem sabe se não o vai fazer mais uma vez aqui e levantar a tão desejada Taça do Mundo no dia 19 de julho, em Nova Jérsia. Seria brutal.»
Para Kiko Costa, o sucesso das grandes frentes coletivas obedece a um segredo partilhado por todas as modalidades, do pavilhão ao relvado: a união. Na perspetiva de uma das maiores figuras da história do andebol português, as grandes equipas não se constroem apenas com individualidades, mas sim com a cumplicidade que se gera no balneário.
«Temos uma excelente Seleção, com grandes jogadores e grandes pessoas. O segredo está na ligação entre todos, na amizade. Jogos menos conseguidos e exibições mais cinzentas vão acontecer a qualquer equipa, é impossível um jogador estar vinte anos ao mais alto nível sem falhar. Como adepto, o meu papel é apoiar e dar total confiança a este grupo», conclui.
O plano de Kiko Costa para 'invadir' o estádio Hard Rock
A mítica Ocean Drive converteu-se num colorido mosaico de culturas futebolísticas. Entre as camisolas do Brasil e os adeptos da Escócia que animam as ruas de Miami, Kiko Costa aproveita os raios de sol e a praia para recarregar baterias após uma época longa, desgastante e repleta de batalhas táticas. Contudo, o coração do camisola 10 do Sporting continua sintonizado na Seleção de futebol, que este sábado, dia 27, joga o futuro do Grupo K frente à Colômbia no imenso Hard Rock Stadium.
«Cheguei hoje, o sol vai espreitando entre as nuvens e a chuva, mas o ambiente que se vive aqui com o Mundial é fantástico», revela Kiko a A BOLA. A febre pelo jogo decisivo de sábado já se sente em cada esquina de Miami e o craque do andebol não esconde o desejo de trocar a praia pelas bancadas: «Adorava estar no estádio no sábado para apoiar Portugal. Não está nada fácil arranjar bilhetes, a procura tem sido completamente infernal, mas vou continuar a tentar até ao último minuto», confessa.
«Queremos chegar à final four da Champions de andebol»
Depois de uma temporada intensa no andebol, onde somou títulos e exibições que cimentaram o seu estatuto na elite mundial, Kiko Costa aponta já baterias para o futuro da sua modalidade, traçando um paralelo com a ambição da Seleção de futebol.
«O desporto é isto: vitórias, derrotas, mas o foco tem de ser sempre o mesmo. Para a próxima época, os meus objetivos e a minha mentalidade mantêm-se intactos. Queremos conquistar tudo. No andebol, temos uma grande equipa, muita qualidade no plano nacional e o objetivo passa por continuar a lutar por todos os títulos e, quem sabe, alcançar a tão desejada Final Four europeia. Esse é o doce que nos falta, e vamos dar tudo para o conseguir», conclui o jogador do Sporting.