O telefonema de Mourinho, mercado, Aliados e Rodrigo Mora: tudo o que disse Farioli
Francesco Farioli fez, na sala de imprensa do Centro de Treinos e Formação Desportiva Jorge Costa, no Olival, a antevisão do encontro com o Santa Clara, agendado para sábado, às 15h30, no Estádio do Dragão e referente à 34.ª e última jornada do campeonato 2025/2026.
— Como foi esta semana de preparação? Como gostaria de dar o último pontapé nesta época?
— Será um dia especial depois do jogo, mas para que seja ainda mais especial é importante fazer o nosso trabalho a partir das 15h30. Claro que o resultado da semana passada foi desapontante. A exibição não foi boa. Foi boa o suficiente para vencer, mas por vezes há detalhes que podem fazer a diferença. E amanhã temos de ter isso em consideração para termos um bom dia.
— Vai manter o Cláudio Ramos na baliza amanhã? E o João Costa, poderá ter minutos?
— Temos o nosso plano para a equipa, como sempre. A prioridade é terminar a temporada com uma exibição de topo e conseguir o maior número de pontos possível. Em relação à substituição ou a quem vai começar, isso faz parte das nossas decisões. Amanhã todos verão isso.
— Neuhén Pérez poderá jogar amanhã?
— Vai estar no banco de suplentes amanhã. Tem estado cada vez mais próximo de recuperar o ritmo e amanhã vai estar na lista de convocados.
— Moffi, Fofana, Thiago Silva e De Jong. Já tem alguma decisão tomada em relação a estes jogadores para o próximo ano?
— Não vou entrar em detalhes, mas diria que há uma interpretação mal feita em relação ao que o Luuk [De Jong] está a viver, não está relacionado com a gravidade que se falou em alguns sítios. E é importante dizer isto para que as pessoas que se importam com o Luuk fiquem descansadas. Em relação aos outros nomes, vamos tratar de tudo a partir de segunda-feira, que é quando vamos ter tempo para digerir esta temporada. Pessoalmente, já falei individualmente com todos esses jogadores para tentar tirar as últimas informações de que precisava para chegar a algumas conclusões. Isso vai ser partilhado com o clube e a partir daí vamos tomar decisões para chegar ao melhor para o clube e para a carreira deles.
— Do que já conversou com o presidente, sente-se confiante em manter os principais ativos?
— Depois da temporada que fizemos, é normal que todos os jogadores recebam alguma atenção e interesse de outros clubes. A mensagem interna é clara: queremos manter os melhores jogadores. O que fizemos esta época foi reconstruir e criar as condições para que o FC Porto se possa voltar a afirmar ao nível a que pertence. Acelerámos tudo esta época no que diz respeito a resultados e conquistas, muito devido ao título que conquistámos. Construímos a base de um grupo muito jovem, que vai precisar de alguns ajustes no verão para voltar a ser competitivo. Mas não estamos aqui para oferecer jogadores. Como sabem, em quase todos os contratos dos jogadores, há números importantes e que protegem os valores dos jogadores. Não há intenções de baixar a qualidade do plantel e estamos há muitos meses a trabalhar com o presidente e com a estrutura para continuarmos a desenvolver os jogadores. Estamos ativos no mercado, referi que esta semana já tive algumas reuniões tendo em vista a próxima época. Mas a nossa atenção não está só aí. O mercado de transferências é importante, mas a prioridade é continuarmos a desenvolver a nossa estrutura, a organização, as infraestruturas e, principalmente, manter a exigência. O que fizemos esta época foi positivo, mas o nível de exigência será ainda maior. E aqui queremos pessoas com certos padrões, com vontade de trabalhar, com 'fome' de serem melhores. A competição vai ser ainda mais difícil na próxima época, vamos ter um desafio diferente. Não falo só da Liga dos Campeões, mas também a nível doméstico. Para mim, os festejos já terminaram há 15 dias. Amanhã vamos fazer um intervalo de algumas horas, mas primeiro temos de ter esse foco para o jogo com o Santa Clara.
— Já teve uma amostra da festa depois do jogo com o Alverca. Já pesquisou no YouTube imagens das outras festas nos Aliados?
— Gosto de ser surpreendido... Especialmente quando são boas e mais ou menos esperadas. Gosto disso. Não gosto do que aconteceu na semana passada [a derrota] porque não dormi durante dois dias... Não acho que existam segredos. Estamos aqui para trabalhar, para entregar resultados. O meu trabalho é entregar resultados e definir padrões. E regressando à Vila das Aves, acho que estivemos bem, mas fomos muito simpáticos e não mostrámos o mesmo nível de competitividade e 'fome' habitual. Não há maneira de jogarmos sempre da mesma maneira, mas amanhã temos de voltar ao nosso melhor nível. Antes de chegarmos aos Aliados, ainda há algumas horas importantes. E se queremos aproveitar a festa da melhor maneira, só há uma maneira de o fazer.
— O que acha que a Liga portuguesa perde com a saída de Mourinho para o Real Madrid?
— São rumores por enquanto, ainda não está nada confirmado. Acho que, da minha parte, já falei do mister Mourinho várias vezes. Por vezes, a dimensão do nosso sucesso tem também a ver com a dimensão dos adversários que vamos defrontar. E claro que aqui temos dois adversários gigantes e, no caso do Mourinho, um treinador de grande nível. E isso faz com que seja ainda mais especial. Quando acordei depois do título, uma das primeiras chamadas que recebi foi do mister Mourinho. Podemos ser inimigos dentro de campo, podemos 'lutar', mas reconhecemo-nos uns aos outros. Para mim, foi um prazer ouvir aquelas palavras. Já falei do respeito que tenho por ele. Não sei o que vai acontecer na próxima época. Se ficar, vai voltar a ser um adversário difícil. Se sair, teremos certamente alguém difícil pela frente. Foi um privilégio jogarmos um contra o outro e ser campeão contra uma equipa que não perdeu um único jogo no campeonato... Diz muito do que conseguimos.
— O que o surpreendeu mais pela positiva em Portugal? Houve algum aspeto que esperava que fosse melhor?
— Ainda não tirei todas as minhas conclusões acerca do campeonato. O que gosto é certamente o nível da competição, dos adversários. Mesmo com 85 pontos e, esperamos nós, com 88, senti que foi preciso preparar todos os jogos com muita atenção, trabalho e dedicação. Defrontámos boas equipas com jogadores interessantes, que até podemos ponderar se algum tem lugar no nosso plantel. Contra treinadores muito competitivos. O nível é alto. Em relação a coisas a melhorar, acho que falámos muito sobre isso. E vou dizer novamente, e relativamente a eventos recentes, que era bom termos justiça na competição. Ter o sentimento de que darmos tudo em campo vai ter uma recompensa natural. E durante esta temporada sentimos que defrontámos muitas batalhas, passámos por momentos muito complicados, 'murros' no estômago, a sensação de que teríamos de duplicar os nossos esforços. Foi uma temporada muito exigente e tenho muita gratidão aos jogadores e a toda a gente aqui no Olival. E hoje tenho mais uma oportunidade para sublinhar os nossos resultados, aquilo que conseguimos.
— André Villas-Boas lançou o desafio a Diogo Costa de utilizar o número 2 na próxima época. O que acha?
— Foi uma conversa muito pessoal entre os dois e será uma decisão a tomar. O gesto do clube é importante, mas parece-me que o Diogo tem o direito de decidir aquilo que quer. Ter o 99 já é uma grande responsabilidade, e ainda por cima com a braçadeira de capitão, que é um símbolo lendário deste clube... O Diogo é a pessoa que merece envergá-la e, esperamos nós, possa fazê-lo durante muitos anos.
— É o seu primeiro ano no FC Porto e é muito positivo. O que consideraria ser um segundo ano positivo?
— Gostaria de abordar a próxima temporada da mesma maneira que abordámos esta. Podemos ter expectativas ao preparar a época, claro. Onde queremos chegar, o que queremos fazer no mercado, onde queremos investir, o que precisamos de analisar... Tudo isso tem de estar alinhado e parece-me que, no que toca a isso, o clube já deu provas de que está. Esta semana, o foco foi total no jogo com o Santa Clara, mas fizemos horas extra para olharmos para outras coisas que acredito serem importantes para mim e para o clube. E agora, vamos entrar em mais um período de análise profunda. Daqui para a frente, precisamos de tirar conclusões. O que fizemos foi brilhante, mas se quisermos dar o próximo passo a exigência tem de subir ainda mais. E aqui é importante perceber isso. Temos muita gratidão, mas temos de ser justos e tomar as decisões de cabeça fria. A pior coisa que pode acontecer no futebol é viver no passado, naquilo que já fizemos. E se acreditarmos que o que fizemos esta época será suficiente para a próxima, vai correr mal. Assim que entrarmos no Olival daqui a uns dias, temos de estar de estômago vazio, com o mesmo desejo de sermos melhores.
— Vai aproveitar para investir mais no português durante esta pausa?
— [Farioli arrisca no português] Acredito que posso falar um bocadinho mais [em português], mas não vou prometer nada que não posso cumprir [risos].
— Acha que o FC Porto vai estar muito ativo no próximo mercado? Ou espera apenas pequenos ajustes?
— Há coisas que temos de fazer. Estamos alinhados e, ao longo das últimas semanas, temos trabalhado em potenciais alvos. Por outro lado, por mais que estejamos bem preparados para o mercado, não controlamos tudo. Porque ao lado de alguém que paga 100 milhões de euros... O nosso controlo deixa de estar lá. Temos um plano claro, preparados para todas as eventualidades. Mas o mais importante é que os jogadores queiram ficar. Acho que a entrevista do Victor [Froholdt] ontem é um exemplo claro de como todos se sentem. Ninguém sente que o trabalho está feito. Há mais para explorar e queremos fazê-lo todos juntos. É a partir deste ponto que temos de começar e depois olharemos para o mercado. Este grupo merece um momento de respeito na 'última dança' de amanhã. Este grupo vai ser este grupo pela última vez amanhã e isso é aquilo que mais merece a minha atenção, para que amanhã possamos ter a energia necessária para amanhã, com a competitividade certa. E depois, vocês sabem melhor do que eu o que os Aliados significam. Antes, temos algo a fazer.
— Rodrigo Mora voltou a alinhar no meio-campo. O que achou do seu rendimento ao longo do ano? Poderá colocá-lo noutra posição para o ano?
— A evolução do Rodrigo também está relacionada com exigências diferentes. Na realidade, estamos a falar de 10 ou 12 metros dentro de campo, mas que trazem grande diferença a nível de exigência defensiva e ofensiva. Se o sistema colocou o Rodrigo na sua posição ideal? Não. Mas penso que o trabalho que faz, a sua dedicação, curiosidade em ser um jogador de equipa, fez a diferença. Em primeiro lugar para que ele pudesse evoluir e depois para mim, que agora acredito que é melhor do que antes. Nunca vai perder as suas qualidades. Mas esta temporada é um jogador que fez parte de uma equipa que alcançou um sucesso histórico, que escreveu uma página inesquecível na história deste clube. E isto não é só em relação ao Rodrigo. A maior lição desta temporada é que se calhar retirámos 5% [das qualidades] de cada jogador, mas aquilo que conseguimos a nível coletivo... Toda a gente vai falar bem do espírito deste grupo.
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