Joias em risco no Benfica
A SAD do Benfica está no terreno a avaliar potenciais alvos para reforçar o plantel no mercado de transferências de verão, com o diretor-geral Mário Branco particularmente ativo neste processo. Em paralelo, a estrutura encarnada mantém negociações para a saída de jogadores, de forma a poder assumir uma posição mais afirmativa no mercado. O nome do Benfica tem sido associado a vários alvos, muitos deles especulação, mas há contactos em diferentes frentes.
Os encarnados entram neste período de reformulação do plantel condicionados pelo elevado investimento realizado no início da temporada, mas também por uma época desportiva que não valorizou vários ativos. A isto junta-se a provável ausência da Liga dos Campeões da próxima época, cenário com impacto direto nas receitas do clube. O Benfica arrisca terminar o campeonato no terceiro lugar, dependendo da última jornada: precisa de vencer o Estoril e esperar que o Sporting perca pontos frente ao Gil Vicente, em Alvalade.
Perante este contexto, a SAD admite a possibilidade de negociar jogadores importantes, mesmo alguns que gostaria de manter no plantel. Entre os nomes mais relevantes estão Richard Ríos, Andreas Schjelderup e Vangelis Pavlidis, três ativos com mercado e potencial de encaixe financeiro significativo.
RÍOS NO CENTRO DO MERCADO
O meio-campo é uma das prioridades para reforço, mas também poderá ser a zona de uma saída de peso. Richard Ríos surge como o principal candidato. O internacional colombiano teve um período inicial de adaptação que gerou dúvidas entre os adeptos, tendo em conta que foi a contratação mais cara da história do Benfica, proveniente do Palmeiras por 27 milhões de euros.
Com contrato até 2030 e cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, Ríos prepara-se para marcar presença no Mundial de verão, uma montra que pode valorizar ainda mais o jogador. Ainda assim, a necessidade de gerar liquidez para reinvestir no plantel pode precipitar uma transferência.
O médio está referenciado por vários clubes, sobretudo em Itália, com o Nápoles particularmente atento. Em Inglaterra, também há sinais de interesse, nomeadamente do Manchester United. O Benfica estará disponível para analisar propostas acima dos 30 milhões de euros.
Outro nome no radar do mercado é Sudakov. O médio ofensivo ucraniano chegou por empréstimo (6,75 milhões de euros), com cláusula de compra obrigatória de 20,25 milhões, e poderá sair por valores a rondar os 30 milhões. No entanto, a época cinzenta, tanto a nível desportivo como emocional, tem dificultado a concretização de um negócio, ainda que este continue em aberto.
Para o meio-campo, o Benfica chegou a referenciar Zalazar, do SC Braga, entretanto contratado pelo Sporting, mas não avançou para negociações formais. Também houve contactos com o Veneza por Issa Doumbia, outro jogador seguido pelos leões, sem que tenha sido formalizada qualquer proposta. A SAD prepara um investimento significativo nesta zona, mas dependente de vendas relevantes — com Ríos em destaque.
OURO EM SCHJELDERUP
No ataque, Andreas Schjelderup e Vangelis Pavlidis surgem como dois dos ativos mais valiosos do plantel e com forte procura no mercado de transferências.
Schjelderup, extremo norueguês de 21 anos, foi um dos jogadores que mais se valorizaram ao longo da temporada. Contratado ao Nordsjaelland em janeiro de 2023 num investimentos de 14,03 milhões de euros, esteve perto de sair no último mercado de inverno, mas acabou por permanecer e afirmar-se. Convenceu José Mourinho e destacou-se sobretudo na Liga dos Campeões, ganhando projeção internacional.
O seu desempenho chamou a atenção de vários clubes europeus, com destaque para Espanha, onde foi associado ao Barcelona, inclusive com presença em capas de jornais. O Benfica admite negociar o jogador, mas subiu significativamente as exigências: se antes aceitava propostas na ordem dos 15 milhões, agora aponta para valores superiores a 30 milhões. Schjelderup tem contrato até 2028 e cláusula de rescisão de 100 milhões de euros. Caso permaneça, a renovação está em cima da mesa.
Já Vangelis Pavlidis continua a afirmar-se como referência ofensiva. O internacional grego, contratado em2024/25, tem contrato até 2029 e cláusula de 100 milhões de euros. Depois de ter sido considerado intransferível no verão passado, o cenário mudou: o Benfica admite negociar o avançado por cerca de 50 milhões de euros.
Melhor marcador das águias nas últimas duas épocas, Pavlidis mantém mercado, sobretudo em Inglaterra, onde continua a ser seguido, mas também na Alemanha. O próprio jogador não fecha a porta a uma saída este verão e mantém o objetivo de jogar na Premier League, aguardando uma proposta que satisfaça todas as partes.
MAIS SAÍDAS EM ABERTO
Além destes nomes, há outros jogadores com mercado ou que poderão sair perante propostas interessantes, como Franjo Ivanovic, avançado croata que custou 22,8 milhões de euros, mas não correspondeu às expectativas.
Ainda assim, Richard Ríos, Andreas Schjelderup e Vangelis Pavlidis são os jogadores que poderão garantir os maiores encaixes financeiros, fundamentais para a reformulação do plantel e para dar maior margem de manobra à SAD no mercado de transferências.
Todas estas decisões estão também dependentes da definição do comando técnico.
José Mourinho tem contrato com o clube encarnados por mais uma temporada, mas interessa ao Real Madrid, o que coloca a sua continuidade em dúvida, embora não esteja descartada — Mourinho diz que somente depois do jogo da última jornada e ponto final na temporada, amanhã, frente ao Estoril, estará disponível para esclarecer o próximo passo na carreira.
De resto, a preparação da temporada de 2026/2027 está a ser orientada já com base nos relatórios deixados pelo treinador na SAD encarnada, que continuam a servir de guia à estrutura do futebol profissional do Benfica.
Há decisões para manter, com ou sem José Mourinho na liderança.