O SC Braga europeu e um Ricardo Horta mundial
Conforme introduzi no artigo anterior, o mês de março adivinhava-se exigente para o SC Braga. Essa exigência viu-se, de certo modo, diminuída com o adiamento da jornada 26 frente ao Casa Pia, mas no calendário mantinham-se o duplo confronto frente ao Ferencváros, para os oitavos de final da UEFA Europa League, e as receções a FC Porto e Sporting.
Ora, duas dessas partidas já foram disputadas, com desempenhos e desfechos distintos. A receção ao Sporting acabou de forma épica, num filme que tem sido repetido nos duelos entre ambos. Pelo meio, ainda houve tempo para mais um golo de Ricardo Horta. Os festejos foram efusivos. Não só pelo ponto amealhado, mas, sobretudo, pela estrondosa resposta coletiva, com uma segunda parte de controlo total, um domínio avassalador da posse da bola e uma exibição plena de personalidade. Ficou, uma vez mais, evidente a capacidade desta equipa se bater e se superiorizar a qualquer adversário, tendo, desta vez, o seu esforço sido premiado.
Seguiu-se a viagem a Budapeste, para defrontar o heptacampeão Ferencváros. Eis que se viu a outra face da moeda, com alguns registos negativos na temporada, nomeadamente a primeira derrota europeia fora de casa e a primeira derrota da época por mais de um golo de diferença, esta última chegando na pior altura possível, por se tratar de uma eliminatória. A exibição, de uma forma geral, foi cinzenta e desinspirada, e alguma falta de eficácia complicou o cenário.
Resta agora ao grupo de jogadores reagir. Encarar o desafio com coragem, com ambição e com a máxima vontade de corrigir o lapso, virando a eliminatória e escrevendo o seu nome na história do clube. Tal como fez Artur Jorge em 1997, contra o Vitesse. Tal como fizeram Wender, Jorginho e Linz em 2007, contra o Hammarby. Tal como fizeram, em 2011, Alan e Lima contra o Lech Poznan e Custódio contra o Benfica. Tal como fizeram Hassan, Josué, Stojiljkovic e Rafa em 2016, contra o Fenerbahçe. Tal como fizeram Iuri e Horta (quem mais?) em 2022, frente ao Sheriff. Invocar o espírito de um Braga europeu, que já foi tão bem representado esta época, para que não falte, a cada um dos que for chamado a jogo, a crença e a vontade de se superarem. Do lado de cá, e porque a isso vocês nos habituaram, acreditaremos até que a eliminatória termine.
O que não pode terminar é este texto sem que seja feita uma nova referência à estrondosa época que está a fazer Ricardo Horta. Apenas os mais desatentos poderão contestar a justiça da sua presença na convocatória da Seleção Nacional, na próxima sexta feira. Os rasgados elogios de Roberto Martínez, dirigidos no passado ao capitão braguista, não podem ser esvaziados de significado. Anseia-se, com expectativa, a inclusão de Horta na última lista de preparação para o Mundial. Porque o seu nível justifica.
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