Kevin de Bruyne e Lukaku 'desfizeram' o sonho egipcío (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Mundial: o triste destino do faraó 'enterrado' na pirâmide (crónica)

Egito continua sem conseguir vencer em fases finais de Campeonato do Mundo e ainda não foi desta, agora frente à Bélgica

Oito encontros: cinco derrotas e três empates. É este o pecúlio do Egito em fases finais do Mundial, após o apito final em Seattle, frente a uma Bélgica uns furitos abaixo do expectável. Ou seja, contas feitas, nem uma vitória para amostra e continuam assim os faraós — como são conhecidos — enterrados numa pirâmide. Hoje em dia já lá não estão os restos mortais dos monarcas, mas a verdade é que foi esse o intuito para o qual foram erguidas, lá nos primórdios da humanidade, entre 2500 a 2600 anos antes de Cristo.

O rumo dos acontecimentos no relvado bem que ameaçou tomar uma direção distinta, mas ficou-se pelas (boas) intenções. Aliás, quem tivesse assistido à primeira parte do confronto teria colocado muitas fichas no triunfo do Egito, tal a supremacia demonstrada pela equipa de Hossam Hassan nesse período, muito bem organizada em termos defensivos e não concedendo um milímetro de espaço ao principal desequilibrador belga, Jérémy Doku.

Sem grande surpresa, após uma assistência do aniversariante e inevitável Salah, Ashour fuzilou as redes com um grande golo de fora da área. A toada manteve-se até ao intervalo, com o epicentro do perigo a estar num remate com selo de golo de Zico, a quem o gigante Courtois negou os festejos com uma parada assombrosa.

Seria desta que os africanos venceriam pela primeira vez na grande cimeira do futebol mundial? Quase toda a gente que derretia à torreira do sol de Seattle e os muitos milhões que seguiam o embate nas diversas plataformas de transmissão diriam que sim, numa ideia reforçada pela forma como o bloco subido se apresentou no reatamento.


No entanto, os pupilos de Hassan não conseguiram manter os níveis de pressão alta. Kevin De Bruyne começou a ditar os ritmos, Rudi Garcia desfez o erro de ter deslocado Doku para o miolo — colocando De Ketelaere na direita — e lançou Romelu Lukaku. O gigante do Nápoles até pode ter tido uma época intermitente em Itália, mas quem tem faro de golo deteta o perigo a quilómetros.


Na primeira intervenção no terreno de jogo, o camisola 9 ganhou o confronto físico a toda a gente e obrigou Hany a introduzir a bola na própria baliza.Ninguém se conformou com a igualdade até ao último segundo, mas o desporto-rei tem destas ratoeiras: quando os deuses da bola não querem, pouco ou nada há a fazer.

Um ponto para cada lado e os faraós a maldizer o seu diabo que, desta vez, vestiu de vermelho. Foi, ainda assim, um espetáculo formidável, daqueles que justificam a loucura em torno de um Campeonato do Mundo e que provam que esta prova continua viva, capaz de paralisar nações inteiras em diversas latitudes planetárias devido à sua beleza imprevisível. Já agora, Debast não jogou por estar lesionado e Lukebakio não saiu do banco...

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