Cabo Verde estreou-se em Mundiais com um empate a zeros frente à Espanha - Foto: IMAGO

Histórico, milagre e um enorme Vozinha: o mundo está de boca aberta com Cabo Verde

De Madrid a Buenos Aires, passando por Londres, Paris e Roma, a imprensa internacional dividiu-se entre os elogios ao país africano e as duras críticas à exibição espanhola

O empate sem golos entre Cabo Verde e Espanha chocou o mundo do futebol. A estreia histórica dos tubarões azuis em Campeonatos do Mundo terminou com um resultado que poucos imaginavam: 0-0 e um ponto conquistado frente à campeã europeia e uma das principais candidatas ao título. Se em Cabo Verde houve festa, na imprensa internacional multiplicaram-se os elogios aos africanos e as críticas à exibição espanhola.

Em Espanha, o tom foi particularmente duro. A Marca classificou o resultado como um «desastre», considerando que a equipa de Luis de la Fuente se apresentou «sem futebol nem recursos» perante «o milagre protagonizado por Cabo Verde». «Foi como voltar ao jogo contra Marrocos no Qatar. Ou pior. Porque foi contra Cabo Verde, possivelmente a seleção mais limitada do Mundial», escreveu o periódico.

Também o AS falou num autêntico «petardazo» e escreveu que a seleção espanhola «naufragou» na estreia. O diário madrileno destacou uma equipa «sem alma» e incapaz de justificar o estatuto de favorita à conquista do torneio.

Em Inglaterra, a reação foi diferente. A BBC considerou tratar-se da «maior história do Mundial até ao momento», sublinhando que a terceira nação menos populosa presente na competição conseguiu travar a campeã da Europa. Para os britânicos, Cabo Verde «mereceu cada segundo daquele ponto».

Já o The Guardian foi ainda mais emotivo. O jornal descreveu Cabo Verde como «o lugar mais feliz do mundo neste momento» e considerou o empate uma das mais felizes igualdades sem golos da história dos Mundiais. A publicação destacou a organização defensiva da equipa africana, classificando a exibição como uma «autêntica aula».

Em Itália, a Gazzetta dello Sport admitiu que o resultado foi «chocante», elogiando a concentração defensiva dos cabo-verdianos e a exibição do guarda-redes Vozinha. Ainda assim, os italianos pedem calma aos espanhóis, defendendo que a situação deve ser analisada «sem dramatismos excessivos».

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O francês L'Équipe resumiu o encontro como uma estreia marcada por uma Espanha «apática» incapaz de ultrapassar uma seleção cabo-verdiana «corajosa», enquanto o RMC Sport falou numa «sensação em Atlanta», destacando a exibição soberba de Vozinha e o significado histórico do primeiro ponto de Cabo Verde em Mundiais.

Na Alemanha, o Bild escreveu sobre um «início desastroso» para Espanha e uma «humilhação» para os campeões europeus. O jornal destacou a resistência física e emocional dos cabo-verdianos, que conseguiram sobreviver à pressão espanhola até ao apito final.

Do outro lado do Atlântico, o Globo Esporte não teve dúvidas em classificar o resultado como «a maior zebra [expressão utilizada para descrever uma grande surpresa] do Mundial 2026». A publicação brasileira colocou Vozinha no centro das atenções, recordando as oito defesas realizadas pelo guarda-redes de 40 anos, eleito melhor jogador em campo.

A ESPN seguiu a mesma linha, classificando o empate como «o primeiro grande choque do Mundial». O canal norte-americano recordou que 61 posições separam as duas seleções no ranking FIFA e destacou a incapacidade espanhola para ultrapassar o veterano Vozinha.

Por fim, na Argentina, o Diario Olé descreveu o encontro como um «batacazo [surpresa] histórico». O jornal falou no «maior papelão do Mundial até agora» do lado espanhol e, simultaneamente, na «melhor história do torneio» do lado cabo-verdiano. Os argentinos elogiaram a forma como os africanos defenderam cada metro de relvado e consideraram a atuação uma das imagens mais marcantes desta edição da prova.

Entre críticas à Espanha e aplausos a Cabo Verde, uma ideia parece reunir consenso na imprensa internacional: os tubarões azuis já escreveram uma das grandes histórias deste Mundial

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