Maxi Araújo estreou-se em Mundiais com um golo - Foto: IMAGO

'Super Maxi Araújo' salvou a honra de um Uruguai de duas caras (crónica)

'Celeste' esteve em desvantagem perante uma Arábia Saudita competente, mas uma segunda parte de sentido único trouxe o empate pelos pés do jogador do Sporting. Guarda-redes saudita, Al Owais, rubricou exibição memorável

Entre a ameaça de uma surpresa e a reação da favorita, prevaleceu o empate. A Arábia Saudita esteve perto de causar sensação, mas o Uruguai reagiu a tempo e o empate (1-1) mantém o Grupo H completamente equilibrado.

O início do jogo deixou claro o contraste de estilos (e culturas). À boa maneira sul-americana, o Uruguai entrou intenso, pressionante e criou perigo logo aos 5', num remate forte do sportinguista Maxi Araújo. Um arranque que parecia antever uma avalanche ofensiva... que não chegou. Na verdade, a celeste pareceu deixar-se enfeitiçar pela calma e paciência saudita. Resultado? O jogo adormeceu e (praticamente) não teve balizas até aos 30'.

Depois, começou a festa. Al Owais brilhou ao evitar o golo de Viñas (30'), Muslera respondeu com uma tirada incrível a tentativa de Abdulelah Al Amri (38'), mas no segundo duelo entre os dois, três minutos depois, o desfecho foi diferente. O guarda-redes ainda travou o primeiro remate de Kanno, mas não conseguiu segurar a bola, deixando-a à disposição do central, que não desperdiçou. O golo chocou Miami. Mas, verdade seja dita, premiou o melhor momento da Arábia Saudita até então e castigou a falta de inspiração e a apatia do Uruguai, visível no fraco rendimento das suas principais figuras — Valverde, Betancur e Darwin.

Bielsa queria mais e deixou isso bem claro com duas substituições ao intervalo — saídas de Darwin e Viña para as entradas de Canobbio e Sanabria. As mudanças causaram efeito imediato. O segundo tempo foi um amasso autêntico. Os sauditas não conseguiam sair da própria área e os uruguaios atacavam por todos os lados e de todas as formas — até o desaparecido Valverde entrou no jogo. Um inspiradíssimo Al Owais, a falta de pontaria de Viñas e o ferro — que evitou o golo de Ugarte (60') — foram adiando o empate, que parecia inevitável.

A insistência deu (finalmente) frutos e a igualdade chegou dos pés da melhor unidade uruguaia na partida: Maxi Araújo. Al Owais venceu (outra vez) o duelo com Viñas, mas nada conseguiu fazer quando o jogador do Sporting apareceu de rompate e atirou forte para o fundo das redes (80').

Até ao final, o Uruguai carregou em busca dos três pontos, mas Al Owais continuou a ser gigante entre os postes, não permitindo mais alterações no marcador.

O melhor em campo: Al Owais

Se Vozinha foi gigante, Al Owais, caro leitor, não ficou nada atrás. Uma exibição extraordinária do guarda-redes saudita, que defendeu (quase) tudo, chegando a bolas que pareciam golo certo. Apenas uma bomba de Maxi Araújo conseguiu derrubar a resistência do inspirado guardião. Foram nove (!) intervenções decisivas que permitiram à Arábia Saudita festejar o ponto.

A figura do Uruguai: Maxi Araújo

Foi o Maxi que os adeptos portugueses conhecem. Com a raça e a intensidade habitual, foi dos poucos que se safou naquela primeira parte irreconhecível do Uruguai e, depois, no segundo tempo, foi o único sul-americano a encontrar o caminho até ao fundo das redes. O jogador do Sporting já brilha no Mundial e os 'tubarões' estão atentos.

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