Bernardo Silva e João Cancelo foram a banhos antes da ativação matinal
Bernardo Silva e João Cancelo foram a banhos antes da ativação matinal

Não, senhores, nós não estamos aqui de férias!

Crónica diária sobre a vida de um jornalista na cobertura do Mundial 2026

PALM BEACH - Basta um vislumbre do Four Seasons Resort Palm Beach, o luxuoso quartel-general de Portugal plantado em cima da areia fina do Atlântico, para que o telefone comece a vibrar com as habituais piadas vindas de Lisboa. 

Os amigos (e até alguns leitores), meio a brincar, meio a sério, partilham da mesma ilusão: a de que estamos todos aqui de férias. Jogadores e jornalistas, unidos num imenso retiro de lazer sob o sol da Florida. Afinal, Palm Beach é sinónimo planetário de praia, resorts e dolce fare niente.

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A realidade do terreno, contudo, fica nas antípodas desse postal ilustrado. A vida de um enviado especial a um Campeonato do Mundo é uma engrenagem trituradora que não dá tréguas ao corpo nem ao cronómetro.

A equipa de reportagem d'A BOLA — composta por mim e pelos superprofissionais Miguel Nunes e André Carvalho — cumpre uma rotina quase militar. O despertador toca invariavelmente por volta das 7 horas da manhã locais e as luzes só se apagam bem depois da meia-noite, já madrugada profunda em Portugal. 

Entre estes dois polos, o dia resume-se a um fluxo contínuo de trabalho: recolha de material, edição de vídeos, reportagens escritas, diretos televisivos, conferências de imprensa e um bombardeamento constante de notícias para o site, jornal e redes sociais. O almoço e o jantar são conceitos abstratos, despachados a correr entre um relvado e uma zona mista.

É claro que é um privilégio absoluto e incomparável cobrir um Mundial, um prazer e uma felicidade profissionais sem igual na carreira de qualquer jornalista. Mas a mística desvanece-se quando passas três horas na praia junto ao hotel, debaixo de um sol escaldante e um calor insuportável, carregando quilos de material às costas, vestido a rigor e a suar a bica para conseguir a melhor história. 

Estar num Mundial é épico, sim, mas é o oposto do descanso. Quem quiser férias que compre um bilhete para as Bahamas; nós por cá continuamos a dar o litro no asfalto.

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