Faixa alude às raízes do clube, dos sócios, dos bracarenses e da própria cidade - Foto: SC Braga
Faixa alude às raízes do clube, dos sócios, dos bracarenses e da própria cidade - Foto: SC Braga

Depois da polémica, o orgulho bracarense: «Muralha da Liberdade» abraça essência histórica

Tarja que tanto deu que falar por ocasião do dérbi com o V. Guimarães, há três semanas, está agora projetada no exterior da bancada Nascente da Pedreira. «Sentimento de pertença», assume António Salvador

A (imensa) polémica já ficou para trás, mas a tarja ainda dá que falar. Agora pelos melhores motivos. E porque, acima de tudo, o SC Braga nunca desistiu de fazer valer os seus direitos. Porque a SAD jamais baixa a guarda no que concerne à defesa dos seus. E o plural, neste caso, é extremamente abrangente: trata-se de um clube e dos seus sócios e adeptos, mas também dos bracarenses. De uma cidade. E é essa essência histórica que a cúpula diretiva liderada por António Salvador protege até à última gota de suor.

Ora, o jogo com o Vitória de Guimarães (3-2) já foi há três semanas, a referida faixa não pôde entrar na coreografia do dérbi por decisão da PSP de Braga, mas a mesma está, agora, devidamente exposta no exterior da bancada Nascente da Pedreira, onde ficará, pelo menos, até ao final da presente temporada.

«Ela é, antes de tudo, uma homenagem aos sócios e adeptos e uma afirmação clara do que é ser SC Braga. A Muralha da Liberdade é a memória de um evento passado, mas é também uma mensagem para o presente e para o futuro. Ela é a forma de transmitirmos, a todos, que o orgulho e o sentimento de pertença que existe entre o Clube, a cidade e a comunidade não podem ser silenciados. Ela é a forma de reafirmarmos – sem temer a força da palavra – que o SC Braga e os seus sócios não podem ser censurados», pode ler-se num comunicado assinado por António Salvador.

Ainda na mesma nota, emitida ontem, o líder máximo dos arsenalistas reforçou o reconhecimento por toda uma comunidade que está umbilicalmente ligada à instituição: «A Muralha de Liberdade é a demonstração de que quando o povo quer, o clube faz. Quaisquer que sejam as contrariedades e as objeções! E por isso ela representa mais do que um momento ou um estado de espírito, antes refletindo uma identidade que é transversal à nossa história coletiva enquanto Braga e enquanto SC Braga

O histórico dirigente conclui a missiva prometendo continuar a dar tudo pelos seus. «Enquanto presidente, reforço o meu compromisso de defender, todos os dias, a história, os valores e as pessoas que a Muralha da Liberdade representa. Fazendo-o, defenderei a minha cidade e o meu clube.» garantiu.

Eis o comunicado de António Salvador na íntegra:
Caros Sócios, Concluído que está um longo e complexo trabalho de produção e de colocação, quero partilhar convosco que a partir de hoje passamos a ter, na fachada exterior da bancada nascente do Estádio Municipal, a Muralha da Liberdade. Ela é, antes de tudo, uma homenagem aos sócios e adeptos e uma afirmação clara do que é ser SC Braga. A Muralha da Liberdade é a memória de um evento passado, mas é também uma mensagem para o presente e para o futuro. Ela é a forma de transmitirmos, a todos, que o orgulho e o sentimento de pertença que existe entre o Clube, a cidade e a comunidade não podem ser silenciados. Ela é a forma de reafirmarmos – sem temer a força da palavra – que o SC Braga e os seus sócios não podem ser censurados. A Muralha de Liberdade é a demonstração de que quando o povo quer, o Clube faz. Quaisquer que sejam as contrariedades e as objeções! E por isso ela representa mais do que um momento ou um estado de espírito, antes refletindo uma identidade que é transversal à nossa história coletiva enquanto Braga e enquanto SC Braga. Quando a nossa gente se mobiliza, as vontades concretizam-se. Quando a nossa gente avança, a cidade e o Clube entregam. A Muralha da Liberdade, com tudo o que ela significa, passa a ser uma referência visual do nosso quotidiano. Ela está cá, todos os dias, para inspirar e motivar as nossas equipas, os nossos funcionários e os nossos adeptos. É um farol que nos situa e nos posiciona, lembrando-nos dos valores pelos quais decidimos lutar, firme e convictamente. É a forma que encontramos, enquanto representantes do Clube, de dizer aos sócios e adeptos que estaremos aqui, na linha da frente, sempre que em causa esteja a afirmação da nossa história, da nossa identidade, das nossas tradições, das nossas gentes. A grandeza de Braga e do SC Braga não se afirma contra nada nem ninguém e essa é uma lição que devemos continuar a dar: hoje, amanhã e sempre! Devo agradecer-vos pela forma como têm sido SC Braga, em especial ao longo dos últimos largos meses: com elevação, com responsabilidade, com comportamentos que dignificam e honram a cidade e o Clube. Não tenho dúvidas de que assim seguiremos, reagindo a qualquer adversidade ou afronta com uma redobrada exclamação de orgulho, que nada nem ninguém poderá calar. Desde os últimos jogos em casa, a nossa voz robusteceu e fez-se ouvir. Da minha parte, registo para memória futura os poucos que se remeteram comodamente ao silêncio, mas enalteço e guardo os muitos que avançaram e que definiram o seu lado. Houve muitas instituições que deram o passo em frente. Houve muitos responsáveis que se juntaram e se posicionaram com o Clube. Sei que o fizeram por convicção e por identidade, pelo que merecem de nós respeito redobrado. A Muralha da Liberdade marca um antes e um depois na forma como o SC Braga se apresenta e se afirma. Ela não é o fim da linha, não é a meta nem sequer o fecho de um ciclo. Enquanto Presidente, reforço o meu compromisso de defender, todos os dias, a história, os valores e as pessoas que a Muralha da Liberdade representa. Fazendo-o, defenderei a minha cidade e o meu Clube. O Presidente do SC Braga, António Salvador