'Hat-trick' do uruguaio patrocinou vitória dos merengues diante do Manchester City, na primeira mão dos oitavos de final #DAZNChampions

O Real foi feito para a Champions e Arbeloa deu um banho tático a Guardiola (crónica)

Noite mágica para Federico Valverde, autor de um 'hat trick'

O Real Madrid deve ser o único clube europeu que vê a Liga dos Campeões como algo que lhe pertence. Só assim se explicam as 15 orelhudas que tem lá nas suas prateleiras. Pode estar bem ou mal, em crises maiores ou mais pequenas, pode viver momentos de euforia ou de depressão que chega aos grandes jogos e faz o que se viu na noite desta quarta-feira: humilhar o Manchester City.

Sim, Arbeloa, o contestado Álvaro Arbeloa, deu um banho tático a Pep Guardiola. Sem Mbappé, Bellingham, Carreras ou Rodrygo, só para citar alguns, o treinador interino dos espanhóis montou uma teia da qual os ingleses nunca conseguiram sair. Vinícius Júnior e Brahim Díaz formaram a dupla de avançados mas que em boa verdade foram apenas um engodo: porque nunca se fixaram na frente, tirando referências a Rúben Dias e companhia e fazendo emergir o verdadeiro goleador – Federico Valverde, um médio com chegada e que veio sempre de trás para a frente, aparecendo nas costas quase sempre sozinho.

Os primeiros minutos mostraram, aliás, que o Real não se encolhia perante uma equipa que apresentou Haaland, Semenyo, Doku e Savinho na frente e ainda tendo Bernardo Silva numa posição mais ofensiva do que o habitual. Os merengues estiveram quase sempre em vantagem numérica no meio-campo mas procuraram acima de tudo variabilidade de jogo de modo a surpreender o adversário.

Assim se explica o 1-0 que nasceu dos pés de… Courtois, com o belga a descobrir, com um passe longo, a subida de Valverde. O resto faz parte do futebol: a falha de marcação de O’Reilly (algo que terá sido estudado), a receção orientada do uruguaio, a pouca agressividade de Donnarumma no 1x1 e a conclusão.

A partir daí ficaram vincadas as diferenças: uma equipa muito organizada (Real Madrid) e outra demasiado partida. A superioridade tática era uma evidência e a seguir a formação da casa deu outra lição de furar linhas em inferioridade numérica: Vinícius Júnior fez um passe para dentro, em diagonal, para Valverde (outra vez a vir de trás) receber e rematar cruzado de pé esquerdo.

Era um festival de eficácia, mas era merecido. Porque tinha sido tudo intencional. Com a confiança em alta, cada recuperação de bola tornava-se um suplício para o City que em determinados momentos pareceu atordoado. No 3-0, por exemplo, foi evidente a perda de referências dos homens de Guardiola: quando Brahim Díaz recebeu a bola da área depois de uma mudança rápida de flanco protagonizada por Vini Jr, o marroquino tinha quatro (!) jogadores apenas a olhar para ele, que com o talento que lhe é reconhecido conseguiu picar a bola por cima do quarteto adormecido para (outra vez) Valverde aparecer. Só que fê-lo com requintes de crueldade, tirando Guehi do caminho com um cabrito e rematando de primeira, sem deixar a bola cair no chão. Um dos grandes golos desta edição da liga milionária.

O intervalo não trouxe melhorias para o Manchester City e o resultado só não se avolumou por duas razões: Donnarumma defendeu um penálti de Vinícius Júnior (remate denunciado) e porque o Real Madrid foi tirando o pé. De tal forma que por pouco não sofria o 3-1 num lance de ingenuidade do menino Pitarch. Só que estava lá Courtois para compensar com uma daquelas defesas de autor.

Os citizens terão agora de fazer em Manchester, na segunda mão, aquilo que só o Real Madrid é verdadeiramente especialista: reviravoltas e noites mágicas na Liga dos Campeões, criando heróis para os livros de história. Valverde é mais um a vestir a capa.