Mundial
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Os pés esquerdos de Trincão, Neto e Conceição e o fabuloso pé direito de Félix (as notas de Portugal)
Entrada fulgurante em jogo, logo a seguir ao intervalo. Obrigou o guarda-redes nigeriano a uma apertada defesa por cima da barra e, logo de seguida, na ressaca do canto, enviou uma bomba que foi à trave. Da trave, a bola caiu na vertical sobre a linha de baliza, mas, segundo o árbitro, sem a ultrapassar na totalidade. Pouco depois, desvio de cabeça ligeiramente ao lado. Jogou apenas a segunda parte, tendo jogado apenas os últimos 15 minutos frente ao Chile. Se no Jamor não esteve especialmente bem, em Leiria mostrou que ninguém o deve dar como acomodado a uma eventual não titularidade.
DIOGO COSTA (5) — Não jogava há 25 dias e sabia que jogaria os 90 minutos. Começou por parar um remate frágil de Bassey logo a abrir o jogo e só viria a ser testado perto do intervalo, quando, após uma sucessão de erros da defesa portuguesa, Adams rematou forte de pé esquerdo. A bola passou entre as pernas de Diogo Costa e deu golo, mas o guarda-redes dificilmente poderia ter feito melhor. Segunda parte tranquila.
NÉLSON SEMEDO (7) — Titular frente ao Chile e à Nigéria. Talvez se pudesse pensar, antes destes dois jogos, que partiria atrás de Dalot, Cancelo e Matheus Nunes na luta pela titularidade no lado direito da defesa. Pelo que se viu, sobretudo ontem, não será bem assim. Semedo parte para a briga e não parte atrás. Avançou como uma seta pelo lado esquerdo, viu que Ronaldo se estava a desmarcar e meteu-lhe a bola para o capitão poder fazer golo. Não fez, mas o passe de Nélson Semedo foi brilhante.
RÚBEN DIAS (5) — Titular frente ao Chile e à Nigéria. Jogara pouco nos últimos três meses (135 minutos) e poderíamos pensar que chegava fora de forma. Se assim chegou, depressa recuperou. Não fez ontem um grande jogo, mas a boa novidade é que vai chegar fresquinho ao Mundial.
GONÇALO INÁCIO (4) — Deu-se mal com o poder físico dos nigerianos. Como toda a defesa, aliás. Como toda a equipa, com duplo aliás. Adams, sobre a direita, bateu-o em velocidade, fez a aproximação à área, mas rematou rente ao poste esquerdo. Recuperou, mas voltou a não se dar bem com a fisicalidade de Dele-Bashiru na jogada do 1-1, não aguentando o impacto com o adversário.
DIOGO DALOT (6) — Recebeu a bola após grande abertura de Trincão, fez uma pequena paragem para ver quem estava desmarcado e, quando viu que Neto estava sozinho, meteu-lhe a bola. O golo foi de Neto, a assistência foi de Dalot. Grande assistência, por sinal. Menos bem, mais tarde, quando não conseguiu parar, frente a Dele-Bashiru, a jogada que originaria o golo do empate.
JOÃO NEVES (6) — Não é grande, mas luta como os maiores. Não se chama Ricardo Quaresma, mas sabe trivelar. Obrigou Bruno Onyemaechi, junto à linha lateral, a cometer falta grosseira e a ver o cartão amarelo.
VITINHA (5) — Trata a bola com carinho, mas esteve pouco em jogo, embora se tenha percebido que, se há quem assuma o papel de cérebro, é ele.
BRUNO FERNANDES (6) — Titular frente ao Chile e à Nigéria. Remate fortíssimo, de pé esquerdo e de um ângulo não muito favorável, obrigando o guarda-redes a uma defesa apertada para canto.
FRANCISCO TRINCÃO (7) — Olhou, rodou e viu o que poucos viam: Diogo Dalot a desmarcar-se no lado esquerdo. Abriu a perna esquerda como se fosse um compasso enorme e a bola chegou a Dalot. Depois chegou a Pedro Neto e, depois ainda, ao fundo da baliza nigeriana. Se o golo foi de Neto e a assistência foi de Dalot, a visão foi de Trincão. Tremendo remate aos 37’, quase, quase, quase a terminar no segundo de Portugal. Apareceu.
RONALDO (4) — Titular frente ao Chile e à Nigéria. Não foi noite de se reencontrar com os golos na Seleção. Aos 93 segundos, teve um remate forte, mas por cima da barra. Pouco depois, grande abertura de Nélson Semedo a desmarcar Ronaldo frente ao guarda-redes da Nigéria. Era Ronaldo e Okoye. O remate do português saiu forte, mas, talvez pela mancha do nigeriano, saiu ao lado. Não muito ao lado, mas ao lado. Esperava-se mais do «7» de Portugal. Voltou a ter oportunidades perto do intervalo, mas a cabeça não fez o que o cérebro lhe pedia. Primeiro, desviando ligeiramente, com a bola a sair por cima; mais tarde, não conseguindo chegar a tempo ao cruzamento de Bruno Fernandes. Aos 50’, recebeu um cruzamento rasteiro de Nuno Gomes, mas o remate, de pé esquerdo, saiu-lhe muito mal. Saiu aos 65’ para entrar Gonçalo Ramos.
PEDRO NETO (7) — Intenso e vertical pelo lado esquerdo. Aproveitou muito bem a bola que lhe foi colocada na frente por Diogo Dalot e, de pé esquerdo, com repentismo, fez golo.
FRANCISCO CONCEIÇÃO (7) — Andava discreto pelo relvado, quando, ao minuto 75, arrancou o que tão bem sabe e faz com imensa frequência. Recebeu a bola na esquerda frente a Zaidu, fletiu para o meio e, zás!, golaço, golaço, golaço. De pé esquerdo, como o de Neto. Tanta dor de cabeça para Martínez: Leão, Neto, Conceição, Trincão, Félix...
BERNARDO SILVA (5) — Noventa minutos no somatório de Chile e Nigéria, sem nada de realce.
SAMU COSTA (6) — Grande corte lateral, na pequena área, frente a Onyeka, mostrando que está na Seleção Nacional para ajudar. E voltou a ajudar. Muito bem ainda, pertinho do fim, num remate cruzado que quase dava o terceiro golo. Suplente de luxo para o Mundial, presume-se…
RÚBEN NEVES (5) — Mais 45 minutos em campo a juntar aos 45 que jogou frente ao Chile. Cumpriu sem exuberâncias.
JOÃO CANCELO (6) — Assistência para Conceição fazer o 2-1 e um bom corte, quase no fim, junto à área de Portugal.
NUNO MENDES (6) — Entrou ao intervalo e saiu aos 79 minutos, por não estar ainda a 100 por cento fisicamente. Ponto alto? O cruzamento rasteiro para o pé esquerdo de Ronaldo, que falhou o golo.
RENATO VEIGA (5) — Pequeno percalço frente a Moffi, mas bem resolvido.
TOMÁS ARAÚJO (5) — Muito bem, já na parte final, a cortar e a lançar e, pouco depois, a cobrir a iniciativa de Moffi, junto à área de Portugal.
GONÇALO RAMOS (4) — Entrou aos 64 minutos e, sem ter muita bola, não fez nada de especial.
MATHEUS NUNES (-) — Pouco mais de dez minutos em campo, sem participar em nada de importante.