O nosso Sorriso é maior do que o deles, não é, Paciência? (crónica)
O nosso Sorriso é maior do que o deles, não é, Paciência? Num jogo com dois Sorrisos em campo, um para cada lado, certamente foi deste modo que os adeptos do Santa Clara se dirigiram ao experiente avançado português no final do jogo, que voltou a decidir mais um jogo, marcando assistido pelo jovem extremo brasileiro. Além, claro, dos parabéns por mais um golo, o quarto da conta pessoal e que totalizam todos os da equipa açoriana, neste início de campeonato.
Intenso e vivo, embora curto em oportunidades, Gonçalo Paciência aproveitou uma delas para dar o segundo triunfo consecutivo ao Santa Clara, que ainda não perdeu na Liga em 2026/27. Ao contrário do Famalicão, que continua sem vencer e apenas soma um ponto, fruto de um empate na abertura, com o Estoril.
Sempre com andamento elevado e com poucas paragens, as duas equipas apresentaram-se com desenhos idênticos, em 4x2x3x1. Os visitantes tiveram mais posse de bola de início, contudo os açorianos foram mais perigosos e desperdiçaram a primeira grande oportunidade num tiro ao poste de Daniel Borges, com Realpe a safar depois a recarga de Gonçalo Paciência.
O Famalicão também foi perdulário e depois de uma perdida clamorosa de Koutsias, que com a baliza aberta não conseguiu emendar de cabeça um cruzamento de Sorriso, o Santa Clara adiantou-se pelo suspeito do costume: Gonçalo Paciência. Gil Dias foi displicente e perdeu-se em fintas e a bola para Vinícius Lopes, com o brasileiro a cruzar e Sorriso a tocar de cabeça para o ponta-de-lança português, que mais rápido que os adversários ganhou posição para finalizar só com Carevic pela frente. Em quatro golos que o Famalicão sofreu no campeonato, foi o terceiro que surgiu na sequência de um erro individual.
Um golo apontado ainda cedo, aos 22 minutos, que o Santa Clara soube guardar até final com muita organização e nunca vacilando, apesar das tentativas de Carlos Carvalhal em esticar a equipa ofensivamente com a entrada de unidades para o ataque. Acrescentou agressividade, mas faltou arte e engenho para criar situações complicadas para a baliza defendida por Lucas França.
Ao invés, Petit renovou as alas com as entradas de Brenner Lucas e Welinton Torrão e acrescentou velocidade com Fernando e a sua equipa foi perigosa, aproveitando o adiantamento do adversário para contra-atacar de forma rápida e em superioridade numérica.
«Sou português, já lá estive, e não se paga nada por sonhar». Os argumentos para Gonçalo Paciência sonhar em voltar à Seleção Nacional são muito fortes e o avançado tem alimentado, com golos (quatro), as notas de Jorge Jesus. Voltou a ser decisivo e marcou o tento que deu o segundo triunfo consecutivo dos açorianos. Antes, numa recarga, só não foi eficiente, porque Realpe estava no caminho da bola.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x2x3x1): Lucas França (5), Calila (5), Pedro Pacheco (6), Emanuel Moreira (5), Guilherme Romão (6) Pedro Ferreira (6), Daniel Borges (6), Sorriso (6), Djé Tavares (5), Vinícius Lopes (5), Gonçalo Paciência (7), Welinton Torrão (5), Brenner Lucas (5), Fernando (5), Tiago Ribeiro (5) e Henrique Silva (-).
Sorriso é bom de bola. Tem velocidade, técnica e intenção, mas, sozinho, não pode resolver todos os problemas ofensivos da equipa. O extremo bem tentou, furou pela esquerda, porfiou pelo meio e de bola parada, foi, sem dúvida, o que mostrou mais intencionalidade em mudar a história do jogo. Cruzou milimetricamente para a cabeça de Koutsias quando estava 0-0, com o grego a falhar, e criou muito perigo num livre direto.
As notas dos jogadores do Famalicão (4x2x3x1): Carevic (5), Rodrigo Pinheiro (5), Realpe (5), van Breemen (5), Pedro Bondo (5), van de Looi (6), Mathias de Amorim (5), Gil Dias (4), Pedro Santos (5), Sorriso (6), Koutsias (5), Roméo (5), Óscar Aranda (5), Szücs (-), Mathis Jangeal (-) e Rudi Almeida (-).
Petit, treinador do Santa Clara
«Jogo difícil contra uma excelente equipa. Duas partes distintas, equilibrada na primeira parte, em que marcámos. Na segunda parte soubemos sofrer, sabíamos que o Famalicão ia arriscar e teríamos as nossas oportunidades. Tivemos três ou quatro em que podíamos ter matado o jogo.»
Carlos Carvalhal, treinador do Famalicão
«Na 1.ª parte tivemos níveis de agressividade baixíssimos, com e sem bola. Este era um jogo para homens, de elevada agressividade e foi assim que foi. Tivemos uma oportunidade e podíamos ter marcado. Na 2.ª parte retificamos posicionamentos, mas fundamentalmente os níveis de agressividade e a equipa ressuscitou e foi para a frente. Lançamos jogadores para abrir campo e tentar por dentro, a realidade é que tivemos muita posse de bola, encostamos o adversário, mas não criamos muitas oportunidades.»