«O 'meiinho' era um problema», mas travaram os três grandes
O sétimo lugar alcançado pelo Rio Ave em 2003/04 constituiu, à data, a segunda melhor classificação de sempre do clube no principal escalão nacional, mas essa época ficou na memória por outros motivos.
O plantel, então treinado por Carlos Brito, estava recheado de figuras de culto do universo vilacondense — Mora, Zé Gomes, Niquinha, Vandinho, Jaime Júnior, Mozer, Evandro... — e conseguiu transformar o Estádio dos Arcos numa verdadeira fortaleza, averbando apenas duas derrotas no campeonato na condição de anfitriões... e nenhuma contra os grandes. O Sporting foi goleado (4-0), o Benfica não conseguiu ir além de um empate (1-1) e, na penúltima jornada, o já campeão FC Porto também tombou (1-0).
«Seriam campeões europeus. Apesar de José Mourinho ter feito várias alterações, o FC Porto foi aos Arcos para vencer. O Derlei e o Sérgio Conceição jogaram, por exemplo, mas nós conseguimos contrariá-los. O golo apareceu cedo, marcou o Miguelito. Recordo-me de uma infelicidade do Nuno Espírito Santo na baliza, o que acaba por não ser importante agora», lembra Idalécio, central desse Rio Ave, a A BOLA.
A partida acabou por ser quentinha: Mozer e Danielson foram expulsos na equipa da Caravela e Ricardo Fernandes, nos dragões, também viu o cartão vermelho. «Não me lembrava das expulsões, sou sincero... Eu entrei na segunda parte, numa altura em que precisávamos de segurar o resultado. Nós éramos uma equipa motivada, que estava numa boa época. Jogar contra o FC Porto de Mourinho era uma motivação adicional e acabou por correr bem para nós», acrescenta Idalécio, radicado em Londres desde 2013.
«Essa nossa equipa tinha um bocadinho de tudo. Além de excelentes jogadores, havia um grande espírito e uma grande união. Isso permitiu-nos fazer uma época acima da média e não foi só contra os grandes. Éramos uma das equipas mais velhas do campeonato... Qundo era para jogar ao meiinho ficava uma confusão», recorda, entre risos, o antigo defesa-central, que também passou por Louletano, Farense e SC Braga, entre outros. «Tínhamos de ver quem era o mais novo, que ia para o meio, e muitas vezes acabava por ir o Bruno Mendes, que já tinha quase 30 anos! Mas a fórmula era clara: qualidade, entreajuda e um grande espírito de balneário», aponta.
O avançado Evandro «era um perigo em frente à baliza», enquanto Jaime Júnior, que viria a transferir-se para o SC Braga no verão de 2004, tal como Vandinho, era o «fantasista». O treinador, Carlos Brito, ditava a lei: «Não era fácil liderar, nem toda a gente estava satisfeita. Mas ele tinha uma forma carismática de trabalhar, que fez com que todos corrêssemos atrás do mesmo objetivo. Era frontal connosco, mas também nos dava liberdade. Foi um treinador especial para o Rio Ave.» E aquela equipa era especial. De tal forma, que nenhum grande passou na visita aos Arcos...