Neemias cria a 'universidade dos homens grandes' em Boston
Quando, esta segunda-feira, Neemias Queta chegou à sala de imprensa no Auerbach Center, campo de treinos dos Celtics, para falar à imprensa no Media Day para a temporada 2026/27, que arranca a 20 de outubro, já o poste português se havia desdobrado de um lado para o outro ao longo de mais de quatro horas entre outras entrevistas, várias filmagens para serem utilizadas no TD Garden ao longo da época, múltiplas fotografias onde não faltou a tradicional fita na cabeça, brincadeiras…. «Sim, tem sido um longo dia, um longo dia…», desabafou enquanto esperava pela primeira questão, respondendo se, até então, o haviam feito trabalhar muito.
Uma das expectativas para esta época é saber como irá funcionar a jogar ao lado do também poste Mitchell Robinson, que foi contratado no defeso vindo dos campeões Knicks e que tem números muito semelhantes aos do internacional luso, assim como qual dos dois irá integrar o cinco inicial de Boston — algo que, provavelmente, nem o treinador Joe Mazzulla ainda saberá.
Questionado sobre como foi o verão — pois, a par de outros, teve oportunidade de jogar pela Seleção Nacional — e sobre como tenta agora conhecer alguns novos colegas de equipa e a forma como jogam neste início de época, como é o caso de Paul George (ex-76'ers) e Robinson, Neemias não necessitou de tempo para responder: «Sim, é um trabalho em progresso, como sempre. Conhecer novos rostos, novas personalidades e novas facetas do jogo para a equipa.»
«Obviamente, vai levar um bocado de tempo, mas temos trabalhado desde a maior parte do verão. Há pessoas que estão aqui desde julho/agosto a treinar. Às vezes chegávamos e eles estavam a treinar e juntávamo-nos, mas ainda estamos a tentar descobrir o que funciona porque ainda não fizemos muito cinco contra cinco. Ainda corremos e eles estão-se a adaptar bem. Sinto-me confortável com a sua vinda. Deverá ser uma ótima oportunidade para todos e uma grande temporada», considera.
E como foi a oportunidade de poder aperfeiçoar outra vez o seu jogo em encontros da FIBA e em que é que pensa que o seu basquete evoluiu mais no defeso? «Foi outra oportunidade de crescer a meio do verão, quando o nosso corpo não está tão apto para jogar, porque nada se pode comparar com uma temporada da NBA, mas ainda assim recebemos momentos significativos contra jogadores que são bons e experimentamos coisas diferentes em diferentes fases do jogo», foi analisando.
«Sinto que a minha versatilidade está a melhorar, assim como a minha habilidade de lançar e a capacidade de me adaptar a defender. Vai ser algo em que me estou a tentar apoiar esta temporada e são algumas das coisas em que queria melhorar», completou.
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— Boston Celtics (@celtics) September 28, 2026
Boas pessoal, tamos aqui para mais um media day, espero que disfrutem e nos apoiem esta epoca.
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E como não podia faltar: qual é a sua opinião sobre o Mitchell Robinson e a relação antes de ele ter chegado a Boston e agora que faz parte dos Celtics? «O Mitch é uma ótima pessoa para conviver. Vai-nos tornar muito melhores, estou bastante animado por o ter como companheiro de equipa, muito mais do que o ter como adversário. Vai-nos dar outra perspetiva, permitir que lutemos pelos ressaltos a outro nível. Praticamente consegue defender desde a posição 1 à 5. É alguém bom com quem estar e penso que nos possa ajudar a crescer para o nível seguinte.»
Mas como pensa que você, o Mitch e o Luka Garza se podem complementar? «Dureza, fisicalidade, isso é algo que nós os três fazemos muito bem. Somos todos terra a terra e isso vai-nos unir bem. E não posso esquecer-me do Amari [Williams], assim como do Chris [Cenac]. A nossa universidade dos tipos grandes é bastante emocionante e eles deverão dar confiança, jogo sim, jogo não, quando quer que sejam chamados. Quando for, tenho 100 por cento de confiança de que vão ser capazes de responder», terminou, rindo-se e confirmando que tinha acabado de inventar a frase da universidade dos homens grandes.
Antes disso, o Puto do Vale — como assinou na mensagem que deixou aos fãs no Instagram dos Celtics antes de começar o Media Day, pedindo para que esta época apoiem a equipa — já tinha sido entrevistado pela NBC Boston, canal que transmite os jogos para a região, onde, uma vez mais, mostrou não ter quaisquer problemas com a vinda de Mitchell Robinson: «Já o conheci e é um tipo muito simples».
«Não era divertido jogar contra ele, tem uma capacidade de fazer desarmes de lançamento defensivos muito fortes. Aquela elasticidade não se ensina. Vai ser um grande 5 para nós e tem a capacidade de defender em múltiplas posições e de ganhar ressaltos fora da sua área… Vai-nos dar mais oportunidades de ganhar», elogiou.
Mas Neemy também acentuou a evolução que conseguiu no verão. «Trabalhei na minha mobilidade, senti que melhorei nesse aspeto e quero continuar a melhorar de forma a tornar-me mais versátil. Ser um daqueles tipos que não se pode deixar fora de campo por demasiado tempo porque fazemos muitas coisas a um nível elevado».
«Assim como fazer com que as defesas paguem caro quando colocam alguém mais baixo a defender-me, ser capaz de capitalizar nos mismatches, tirando partido de vantagens que possamos criar; no fundo, tornar-me mais fiável defensivamente», afirma.
«Ao longo dos anos, consegui construir uma boa relação nos pick and roll [bloqueio e desmarcação], mesmo dentro e fora do campo. Quanto mais estou com ele, melhor o percebo e sei o que nos pode tornar a ambos e a toda a equipa melhores. Seja a fazer um bloqueio para ele marcar ou a trocar defesas para criar um matchup, posso aparecer nas costas da defesa. São coisas que podem colocar bastante pressão na defesa», comenta Neemias sobre a sua ligação em campo com a estrela Jayson Tatum — que na última época, mesmo só podendo jogar no final da época regular e nos play-offs devido à recuperação da operação, assistiu o poste português em 22 ocasiões, máximo da equipa.
«Se conseguirmos capitalizar isso, podemos não ser nós a finalizar, mas iniciaremos muitos dos ataques e tiramos vantagem disso. É algo que queremos fazer consistentemente, o que também ajudará muito os nossos companheiros de equipa», concluiu.
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