Ennio van der Gouw a dar conta do recado - Foto: Rio Ave
Ennio van der Gouw a dar conta do recado - Foto: Rio Ave

Aos 10 anos, pais fecharam-lhe a porta dos grandes: hoje é dono da baliza do Rio Ave

Filho de craque do Man. United, aos 10 anos, Ennio van der Gown é hoje é dono da baliza dos vila-condenses e começa a construir percurso mais sólido. O início de carreira nos profissionais do Twente foi desanimador e teve de subir a pulso na carreira, na sombra de um pai mediático

Ennio van der Gouw começou a edição 2026/27 como titular do Rio Ave, na derrota de domingo, em Barcelos, diante do Gil Vicente (0-1). O neerlandês beneficia da ausência de Cezary Miszta, habitualmente dono da baliza vila-condense, que foi submetido a uma intervenção cirúrgica após um problema físico identificado na época passada — uma alteração lombar estrutural estável que já o afastara da competição desde janeiro.

A ausência do polaco voltou a abrir espaço a Van der Gouw. E se a porta agora se mantém entreaberta no arranque da nova temporada, foi precisamente uma lesão de Miszta que lhe permitiu, na segunda metade de 2025/26, transformar uma chegada por empréstimo numa oportunidade de afirmação — e, depois, numa contratação definitiva até 2029.

A história do guarda-redes de 26 anos começa, de resto, com uma decisão pouco habitual. Aos 10 anos, Ennio foi observado por três clubes profissionais neerlandeses, mas os pais decidiram que continuaria no futebol amador, travando a possibilidade de uma entrada tão precoce no futebol de formação de elite. Marita van der Gouw explicaria mais tarde ao jornal De Telegraaf que sentiu «como se estivesse a tirar a Ennio a sua individualidade», preferindo que o filho continuasse, nessa fase, a jogar no futebol amador. E foi o que aconteceu até aos 14 anos.

O caminho até aos postes também não foi imediato. Ennio era jogador de campo, até o pai, Raimond van der Gouw, o encaminhar para a baliza. A recomendação não era de uma figura qualquer: Raimond foi guarda-redes do Manchester United e integrou o plantel que, em 1998/99, conquistou a Premier League, a Taça de Inglaterra e a Liga dos Campeões — o histórico Triplete, ou seja, a conquista dos três principais troféus da temporada. Uma herança pesada, feita de exigência e comparação, para o filho.

Formado no Twente, Ennio assinou o primeiro contrato profissional em 2019, mas nunca conseguiu jogar pela equipa principal, apenas pela formação B. Foram três anos de espera e frustração, sem uma utilização oficial, antes de procurar no VVV Venlo a regularidade que não encontrara em Enschede.

Seguiu-se o Zulte Waregem e, no último mercado de inverno, o Rio Ave. A lesão de Miszta alterou o cenário: Kevin Chamorro assumiu inicialmente a baliza, não convenceu, e Van der Gouw entrou no onze em Braga e ganhou continuidade, apesar da derrota por 3-0. O rendimento apresentado até ao final da temporada, e a incerteza à volta da condição física de Miszta, levou os vila-condenses a exercerem a opção de compra no final de maio.

Agora, com o concorrente polaco em recuperação — o Rio Ave informou que a cirurgia decorreu «com sucesso» e que o guardião respeita plano de reabilitação, sem prazo fixado para regressar —, Ennio volta a ter uma oportunidade clara para consolidar o lugar. Após crescer com a decisão dos pais de não acelerar etapas e de viver à sombra de um nome grande, o neerlandês parece ter encontrado em Vila do Conde o espaço para construir o seu próprio percurso.

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