Vitor Matos celebra vitória frente ao WBA com Lawrence Vigouroux - Foto: IMAGO

O crescimento do Swansea tem um nome português: Vítor Matos

Galeses com melhor registo em praticamente todos os índices. Estão a cinco pontos dos 'play-off', mas o objetivo é um futuro mais a médio prazo

O Swansea vive uma clara metamorfose competitiva desde a chegada do português Vítor Matos ao comando técnico, com os números a sublinharem uma equipa mais eficaz, mais agressiva e muito mais próxima dos lugares ambiciosos do Championship.

Antes de Matos, em 16 jogos, os galeses somavam em média 1,06 pontos por partida e uma percentagem de vitórias de apenas 25%, traduzindo um arranque de temporada marcado pela irregularidade e pela proximidade à zona de descida.

Com o ex-Marítimo no banco, em 14 jogos a média disparou para 1,57 pontos por encontro e a taxa de triunfos para 50%, um salto que coloca o Swansea a apenas cinco pontos dos lugares de play‑off numa liga extremamente congestionada.​

A produção ofensiva acompanha esta curva ascendente: os golos por jogo sobem de 0,94 para 1,36, enquanto o número médio de remates cresce de 11,0 para 13,4, sinal de uma equipa mais presente no último terço.

Também as chamadas big chances – oportunidades claras de golo – duplicaram, de 1,0 para 2,0 por jogo, reforçando a ideia de que o Swansea passou a chegar à baliza adversária com mais qualidade e não apenas com maior volume de ataques.​

Houve também evolução do lado defensivo, com os golos sofridos a descerem de 1,38 para 1,07 por encontro.

A melhoria está intimamente ligada ao aumento de high turnovers, recuperações de bola em zonas adiantadas do campo, que passaram de 5,4 para 7,5 por jogo, espelho de uma identidade assente na pressão alta e na agressividade sem bola, algo que o próprio técnico tem sublinhado nas conferências de imprensa.

Construir algo para o futuro

Na goleada por 4-0 frente ao Sheffield Wednesday, um dos jogos que alimentam estes números, o Swansea dominou territorialmente, recuperou bolas perto da área contrária e limitou o adversário a zero remates enquadrados, exemplificando na prática a filosofia que o treinador português procura incutir. A mensagem é simples e tem passado tranquilamente para todos.

Foi nessa partida que Zan Vipotnik reforçou o estatuto de melhor marcador do Championship, beneficiando de um conjunto que agora chega com mais gente e mais rapidez às zonas de finalização.

Contratado ao Marítimo no final de 2025, após um início de carreira promissor em Portugal e uma passagem como treinador de desenvolvimento no Liverpool e uma passagem menos feliz por Salzburgo como adjunto de Pepijn Lijnders, Vítor Matos foi escolhido pelo Swansea para implementar um jogo de alta intensidade e posse. Esta temporada, o principal objetivo seria começar a construção de uma nova identidade dos Swans.

Em poucas semanas, o técnico de 37 anos conseguiu transformar a equipa: mais pontos, mais vitórias, mais golos marcados e menos golos sofridos, sem abdicar de uma ideia proativa que passa por «ir para o campo e expressar‑se», como o próprio afirmou recentemente.

Apesar do salto competitivo, Matos mantém um discurso prudente e recusa falar abertamente em play‑offs, lembrando que uma série de maus resultados pode voltar a aproximar o Swansea da parte baixa da tabela. O principal objetivo, sabe A BOLA, é construir algo para o futuro. Os primeiros passos estão, por isso, a ser dados com firmeza.

O Swansea de Vítor Matos é uma equipa em ascensão, mais confiante e mais perigosa, que devolveu esperança a uma massa adepta que começava a temer um ano de sofrimento.