Alessio Lisci, treinador do Osasuna - Foto: IMAGO

Nunca treinou em Itália mas em 15 minutos identificou todos os problemas do futebol italiano

Resposta do técnico Alessio Lisci torna-se viral nas redes sociais

A crise de identidade do futebol italiano e a sua ausência prolongada da elite mundial foram analisadas de forma crua por Alessio Lisci, atual treinador do Osasuna, em declarações que rapidamente se tornaram virais. O técnico transalpino, radicado no futebol espanhol, não hesitou em apontar falhas estruturais profundas que, na sua visão, explicam o declínio da Azzurra.

«Em Itália fala-se imenso. O que posso dizer é que, se um país como o meu, a Itália, que a nível histórico é das melhores seleções do mundo, está há três Mundiais seguidos sem ir, o problema é profundo, muito profundo», começou por afirmar, sublinhando a urgência de uma rutura com o modelo atual. Para o técnico, o diagnóstico é claro: «É preciso parar e mudar muitas coisas. Não quero dizer o que mudar... Mas é evidente que a liga italiana tem um nível alto, mas das top-5 é a que mais estrangeiros tem.»

Esta dependência de jogadores vindos de fora não se limita ao futebol profissional, afetando severamente a formação, onde Lisci identifica uma carência de oportunidades para o talento local. «As camadas jovens também têm muitos estrangeiros, sobretudo as de topo. É um problema. Não há segundas equipas, o que é outro problema. São muitas coisas...», lamentou. Além da questão demográfica e estrutural, o treinador do Osasuna apontou o dedo à rigidez tática que domina o calcio, defendendo que a obsessão por determinados sistemas está a aniquilar a criatividade individual: «O sistema de jogo com que a maioria das equipas joga é o 3-5-2, e isto gerou que não existam extremos ou jogadores que consigam fazer o um contra um.»

Lisci estabeleceu ainda uma comparação direta com o sucesso de outras nações, notando que a Itália perdeu a capacidade de produzir jogadores desequilibradores. «Em Itália, não há jogadores capazes de fazer o que o Lamine fez no Europeu para desbloquear os jogos. São muitas coisas que se vão somando e que não vêm de há um ano. Vêm de há três Mundiais, que é muito tempo. Para mudar é preciso tempo e paciência», explicou. No entanto, o treinador teme que a impaciência histórica do país possa travar qualquer tentativa de reforma séria. «Qual é o problema? É que quando chegar o Europeu, a Itália quererá voltar a ganhar o Europeu... quando é uma equipa que não se qualifica para o Mundial há anos. Espero que se mude a estrutura e se tentem fazer coisas e, a partir daí, ter paciência», concluiu.

Alessio Lisci, de 40 anos, passou praticamente toda a carreira de técnico em Espanha. Depois de vários anos a subir na hierarquia da formação do Levante, assumiu a equipa principal na La Liga em 2021, tornando-se um dos técnicos mais jovens e promissores do campeonato. Atualmente no comando do CA Osasuna, é reconhecido pela sua versatilidade tática e por uma mentalidade progressista, frequentemente crítica em relação ao conservadorismo do futebol italiano tradicional.