Bacci surpreende: «Podia ter sido adjunto de José Mourinho»
Cristiano Bacci foi o protagonista de uma das mais emocionantes histórias desta temporada da Liga, ao garantir a permanência do Estrela da Amadora de forma dramática em Braga (2-2) na última jornada. O técnico, que assumiu a equipa a apenas três jornadas do fim com a situação classificativa já muito comprometida, viu a sua equipa empatar no último segundo, selando uma proeza que descreveu como «titânica».
A imagem de Bacci, de joelhos e em lágrimas no relvado, marcou o final da época. «É um clube histórico, havia muita pressão. Fizemos um pouco o que o Vanoli fez com a Fiorentina», comparou o treinador, que não escondeu o significado pessoal da conquista, em entrevista ao Corriero dello Sport. «Nesta época mudei de três equipas, era uma questão de honra terminar bem. Tive de aceitar muitas situações difíceis, mas esta manutenção significa que não sou um treinador fraco, que posso estar a este nível», atirou.
Bacci abraçou o desafio do Estrela, apesar das dificuldades. «As coisas fáceis não me agradam, já era assim como jogador. Só um louco teria aceitado este desafio, disse-o logo, mas foi uma experiência belíssima», afirmou. Sobre o seu futuro no clube, o técnico mantém-se reservado: «Ainda não sei se vou ficar, veremos com a direção.»
Mourinho... antes do Benfica
A passagem por Portugal colocou Bacci em contacto com treinadores de renome como José Mourinho e Francesco Farioli. Curiosamente, o seu destino podia ter sido outro. «Pense bem, eu devia ter ido para o Fenerbahçe como adjunto do Mourinho, mas preferi continuar como treinador principal e fui para o Boavista», revelou, falando de 2024/25. O reencontro deu-se esta época, quando orientava o Tondela e empatou com a equipa de Mourinho, que, segundo Bacci, «não ficou chateado».
Já sobre Farioli, que se sagrou campeão pelo FC Porto, Bacci não poupa elogios, apesar da derrota sofrida. «Ele venceu-me por 2-0. Trocamos mensagens com frequência, dei-lhe os parabéns pela conquista do campeonato. Fez uma verdadeira obra-prima, mas eu já esperava. Encontrou os jogadores certos e a sua mentalidade ofensiva floresceu», comentou.
O treinador italiano abordou ainda um episódio polémico ocorrido em março, quando orientava o Tondela, negando qualquer agressão física ao presidente do clube. «Nunca pus as mãos em cima do presidente, jamais me permitiria. Tivemos uma discussão acesa no balneário, mas nunca física», esclareceu.
Por fim, Bacci manifestou o desejo de regressar à Serie A. «Claro! Mas gostaria de ficar num clube por mais de um ano, começar a construir algo», confessou, apontando a Fiorentina e a Roma como os seus «clubes do coração».