Roberto Martínez no banco de Portugal. Foto: LUSA (México-Portugal)
Roberto Martínez no banco de Portugal. Foto: LUSA (México-Portugal)

Nulo deixou Martínez «satisfeito»: «Vamos tirar muitas conclusões»

Selecionador destacou a exigência tática do empate com o México e mostrou-se satisfeito com a resposta da Seleção, sobretudo pela capacidade de manter a identidade apesar das várias alterações ao intervalo

Roberto Martínez saiu satisfeito do nulo frente ao México, num jogo que classificou como «taticamente exigente» e que serviu, sobretudo, para tirar ilações importantes a dois dias do próximo compromisso. O selecionador nacional destacou a resposta da equipa às muitas alterações feitas ao intervalo e valorizou a capacidade de manter a identidade.

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«Acho que foi um jogo taticamente exigente para as duas equipas. Para nós, do nosso ponto de vista, é muito interessante ver se uma equipa que faz sete substituições ao intervalo consegue continuar com a mesma ideia. E isso é o que me deixa mais satisfeito. Temos seis jogadores que não estão cá, mas outros 17 que puderam mostrar aquilo que queremos. E isso deixa-me muito feliz», começou por analisar, em declarações à imprensa mexicana.

Martínez aproveitou ainda para agradecer a receção no México e abordar a importância de Vitinha, assumindo-o como uma peça-chave, mas sublinhando a resposta coletiva sem o médio em campo. «Primeiro, agradecer ao povo mexicano pela fantástica receção que nos proporcionou. Foram dias fantásticos, não só de convívios. De Portugal agradecemos esse apoio e carinho. O Vitinha é um jogador de um nível excelente. Sabe ter bola, defender o jogo com bola, levar o jogo para onde precisamos. E hoje queríamos perceber se conseguíamos ver Portugal a controlar o jogo sem Vitinha. E fiquei muito satisfeito. Mas sim, é verdade que é uma referência para nós», afirmou.

Sobre a entrada menos conseguida no encontro, o técnico relativizou, lembrando o longo período sem competição. «Respeitamos muito e damos muito mérito ao que o mister Aguirre fez com a seleção. Estão sempre muito bem organizados, são muito competitivos, é uma seleção que joga como um clube. Demorámos 20 minutos a encontrar as nossas linhas de passe, os nossos espaços, mas é isso que acontece normalmente. Passaram cinco meses desde novembro, desde o último jogo... Mas acredito que foi um jogo muito competitivo, muito bom taticamente. Talvez não tão bom para os adeptos porque não houve golos, mas taticamente vamos tirar muitas conclusões.»

Um dos destaques da partida foi o regresso de Paulinho aos jogos com a Seleção. O avançado mereceu elogios claros do selecionador. «Não me surpreendeu aquilo que pode dar à Seleção, surpreendeu-me a rapidez com que entendeu o grupo. Entrou muito bem no balneário. É um jogador que ficaria bem em qualquer seleção do mundo. O problema é que, aqui, tem à sua frente aquele que é talvez o melhor jogador de todos os tempos de Portugal, o Cristiano Ronaldo, e um jogador como o Gonçalo Ramos, que ganhou a Liga dos Campeões. Foi muito bom trabalhar com ele e hoje mostrou que está no melhor momento da carreira. É um jogador muito inteligente, que abre espaços com os seus últimos movimentos, e é muito bom para nós ter um jogador como ele.»

Por fim, Martínez admitiu que a equipa pode evoluir em alguns aspetos ofensivos, nomeadamente no recurso ao remate de fora da área. «Parece que não há liberdade para o jogador gastar um crédito a tentar esse disparo porque parece que há sempre uma melhor opção. Temos de trabalhar melhor nisso e um dia respondo de outra maneira.»