Vitinha trouxe mais organização e criatividade ao meio-campo na segunda parte do México-Portugal, mas o resultado não saiu do nulo - Foto: FPF
Vitinha trouxe mais organização e criatividade ao meio-campo na segunda parte do México-Portugal, mas o resultado não saiu do nulo - Foto: FPF

Com Vitinha é outra música, mas (atenção!) Samu também sabe tocar (as notas de Portugal)

Teste sem sal no mítico Azteca permitiu ao selecionador tirar boas notas, sobretudo do médio do Maiorca. Matheus Nunes também em bom plano, tal como Gonçalo Ramos, embora de pólvora seca. Guedes falha primeiro exame, Paulinho deixa água na boca
O melhor em campo: Samu Costa (6)
No primeiro instante de grande perigo do México, o médio do Maiorca marcou pontos junto de Martínez, com uma recuperação e um corte notáveis (17’). Mostrou-se depois aos 45+1, com um disparo potente e com perigo a queimar as luvas do guarda-redes mexicano! Foi o melhor português da primeira parte, mas saiu ao intervalo. Com muitas notas positivas no bloco do selecionador.
Samu Costa, na foto em duelo com Raúl Jiménez, deixou Martínez a pensar - Foto: EPA/Alex Cruz

RUI SILVA (5) – Quase cinco anos depois da estreia pela Seleção, voltou à baliza nacional. Só aos 36’, teve de esforçar-se pela primeira vez, travando a tentativa de Israel Reyes. Teve de aplicar-se, de novo, apenas aos 79’, numa saída da área para cortar lance perigoso de Armando González.

MATHEUS NUNES (6) – Guardiola preparou-o, Martínez aproveita. A jogar assim, como o fez no Azteca, arrisca-se a conquistar lugar no onze no Mundial. Frente ao México, mostrou desde o apito inicial quem era o dono daquela ala, não só a defender, mas também a apoiar no ataque.

ANTÓNIO SILVA (5) – Tranquilo neste regresso ao eixo da Seleção, o central do Benfica começou por mostrar quem mandava no seu raio de ação, com um corte providencial logo nos instantes iniciais. Foi o mote para uma exibição bem conseguida, apenas com uma falha, sem consequências.

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RENATO VEIGA (6) – Um senhor pelo ar, rei das alturas na defesa (e, por vezes, no meio-campo) de Portugal.

NUNO MENDES (6) – Absorve como poucos as dinâmicas que Martínez quer ver em Portugal, surgindo muitas vezes no meio, em diagonais supersónicas que baralharam, aqui e ali, os mexicanos. Bela arrancada, campo fora, à beira do intervalo, a deixar os homens da casa em polvorosa.

RÚBEN NEVES (5) – O passe longo, sempre intencional, é uma das suas armas e mostrou-a no Azteca, numa primeira parte consistente.

FRANCISCO CONCEIÇÃO (4) – Irrequieto e irreverente, procurou animar a ala direita da Seleção, o que nem sempre conseguiu, também por culpa da muralha mexicana, na qual esbarrou em diversas ocasiões.

Bruno Fernandes nunca se cansa, como se viu no México-Portugal - Foto: EPA/José Méndez

BRUNO FERNANDES (6) – A intensidade do costume e aquela qualidade inata. Serviu Gonçalo Ramos para a melhor oportunidade de Portugal na primeira parte, mas Ramos acertou em cheio no poste (27’). Parece que nunca se cansa e, nesse plano, procurou pautar, com classe e sabedoria, os ritmos de Portugal na segunda parte, período em que se sentiu mais confortável com Vitinha e João Neves nas costas.

JOÃO FÉLIX (5) – A primeira grande oportunidade portuguesa é dele, aos 15’, quando quase fez um golo de bandeira. Foi a peça com mais liberdade de atuação, surgindo, aqui e ali, em diferentes zonas do terreno, na busca de criar desequilíbrios, nem sempre bem conseguidos.

GONÇALO RAMOS (5) – Gritou-se golo aos 27’, mas o remate de primeira do avançado do PSG acertou em cheio no poste! Levou as mãos à cabeça, mas não se deixou afetar. Somou a este instante um falhanço, aos 34’. Muito trabalhador, apagou-se mais na segunda parte e saiu aos 64’.

VITINHA (6) – O toque de classe que ia faltando ao meio-campo de Portugal. Com ele, foi outra música, por conta de um maestro que não sabe conduzir mal a orquestra, que melhorou com a presença do médio do PSG, embora sem consequências no resultado final.

GONÇALO GUEDES (4) – Quase quatro anos depois, voltou a jogar pela Seleção, mas ficou longe da exibição que, decerto, desejava. Oportunidade perdida para o atacante da Real Sociedad.

JOÃO NEVES (5) – Faltava quem desse início à construção atacante organizada de Portugal e foi isso que o jovem médio do PSG trouxe para a segunda parte. O pior era lá à frente...

TOMÁS ARAÚJO (5) – Entrou para uma segunda metade de jogo em que o México surgiu menos na zona defensiva portuguesa. Seguro e tranquilo.

Pedro Neto arriscou o vermelho neste lance do México-Portugal - Foto: EPA/José Méndez

PEDRO NETO (5) – Foi a jogo após o intervalo e arriscou o vermelho com apenas oito minutos em campo, quando perdeu a cabeça e ferveu para cima de Jesús Gallardo. Livrou-se do pior (viu ‘só’ amarelo) e arrancou para uma exibição q.b., marcada por velocidade, intensidade e… quase golo, por duas vezes (86’ e 90+2’).

DIOGO DALOT (5) – Um pouco mais apagado do que Matheus Nunes, também por ter tido menos trabalho.

JOÃO CANCELO (5) – Trouxe experiência e contenção à ala, mas, naturalmente, sem a explosão de Nuno Mendes. Boas combinações com Gonçalo Guedes.

PAULINHO (5) – Cinco anos e meio à espera deste regresso. Chamado à última hora, entrou aos 64’ para o 600.º jogo da carreira e foi alvo de… ovação do público mexicano. Que, porém, não terá gostado tanto quando o avançado do Toluca começou a… mostrar os dentes, como naquele toque delicioso de calcanhar (86’) a servir Pedro Neto, que porém atirou ao lado. Dificilmente estará no Mundial e o teste de ontem foi insuficiente para provar que Martínez estará errado se se decidir pela sua ausência.

TRINCÃO (-) – Dez minutos em que procurou espaços, mas raramente os encontrou entre a multidão mexicana que estacionara perto da baliza.