Novo Banco vendido ao grupo francês BPCE por 6,7 mil milhões de euros

Negócio foi concluído esta quinta-feira

O Novo Banco foi vendido na sua totalidade ao grupo francês BPCE por 6,7 mil milhões de euros, um negócio concluído esta quinta-feira que marca a saída do Estado português do capital da instituição financeira, conforme comunicado pelo Ministério das Finanças.

O valor final da transação representa um aumento face ao montante inicialmente anunciado. Recorde-se que, em junho de 2025, a venda tinha sido acordada por 6,4 mil milhões de euros pelos então acionistas, o fundo norte-americano Lone Star (75%) e o Estado português (25%). Contudo, uma revisão em outubro elevou o preço para 6,5 mil milhões de euros, e um subsequente aumento de capital próprio este ano fixou o valor total da aquisição em 6,7 mil milhões de euros a 30 de abril de 2026.

Com esta operação, o Estado Português arrecada um total de 1,673 mil milhões de euros, verba que será dividida entre o Fundo de Resolução (906 milhões de euros) e a Entidade do Tesouro e Finanças (766 milhões de euros). Por sua vez, o acionista maioritário, a Lone Star, encaixa cerca de 5 mil milhões de euros.

Segundo o Ministério das Finanças, o montante agora recebido, somado aos dividendos já pagos anteriormente, permite ao Estado e ao Fundo de Resolução recuperar aproximadamente 2 mil milhões de euros do capital injetado na instituição ao longo dos anos.

A venda do Novo Banco encerra um processo que se arrastava há quase 12 anos, desde a criação do banco para salvaguardar os depositantes na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES). De acordo com cálculos da agência Lusa, o custo total da resolução do BES para os cofres públicos ascendeu a cerca de 8 mil milhões de euros, valor que é agora parcialmente abatido com este encaixe.

A formalização do negócio decorreu sem cerimónia pública, com as entidades envolvidas a optarem pela emissão de comunicados. Numa dessas declarações, o Ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sublinhou a importância do momento.

«A venda do Novo Banco a um dos maiores grupos bancários à escala europeia permite-nos encerrar um capítulo conturbado da nossa história, demonstrando credibilidade e capacidade de recuperação. Apesar dos desafios deste processo, concluímos esta operação com sucesso, salvaguardando o mais importante: a estabilidade do sistema financeiro português», afirmou o ministro.

Coincidindo com o anúncio da venda, o Novo Banco divulgou também os seus resultados financeiros, reportando lucros de 200,7 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, o que representa um crescimento de 13,2% em comparação com o mesmo período de 2025.

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