Festa de Alex Freeman (Foto: EPA/STEPHAN BRASHEAR)
Festa de Alex Freeman (Foto: EPA/STEPHAN BRASHEAR)

‘No Pulisic, no problem’: EUA qualificados e a demolir cangurus (crónica)

Estados Unidos fizeram o que quiseram com uma Austrália amorfa e estão perto de vencerem o Grupo D do Mundial 2026. Vitória também igualou recorde... com 96 anos

Em Seattle, sob um céu espetacular que emoldurava o Lumen Field (rebatizado temporariamente como Estádio de Seattle para este Mundial 2026), a narrativa foi puramente dominada pelo pragmatismo e pela autoridade de uma equipa dos Estados Unidos que soube controlar o jogo a seu bel-prazer, mesmo ao lidar sem a sua maior estrela.

A notícia da baixa de peso de Christian Pulisic por lesão gelou as expectativas iniciais. Sem a sua grande estrela, Mauricio Pochettino redesenhou o plano tático da equipa da casa, dispondo um 3x1x6 ofensivo e fluido na tentativa de desmontar a muralha de cinco defesas montada da Austrália, por Tony Popovic. E embora Mohamed Touré tenha dado o primeiro aviso para os australianos logo ao primeiro minuto, testando os reflexos de Matt Freese, o primeiro ato pertenceu por inteiro à eficácia norte-americana.

Aos dez minutos, a infelicidade bateu à porta da Austrália: na ressaca de uma arrancada fenomenal de Folarin Balogun, Cameron Burgess desviou a bola para a própria baliza. O autogolo desestabilizou os socceroos, incapazes de qualquer critério com bola. Mesmo quando Alex Freeman foi obrigado a um carrinho milagroso na sua área aos 23 minutos para estancar a revolta australiana, o controlo permaneceu norte-americano.

O golpe de misericórdia da primeira parte chegou na sequência de um lance acidentado. Pouco depois de Alex Freeman e Paul Okon-Engstler terem chocado cabeças num lance arrepiante, mas recuperado rapidamente, o mesmo Freeman tornou-se herói. Aos 43’, beneficiando de um remate tenso de Sergiño Dest que sofreu um desvio crucial, cabeceou para as redes de Patrick Beach. O VAR suspendeu a respiração do estádio por breves instantes, mas a validação do 2-0 carimbou o destino da partida antes do recolher aos balneários.

A segunda metade trouxe substituições e a irreverência de Nestory Irankunda (quase incompreensível como pode começar no banco) para tentar dar um pontapé na monotonia australiana. Contudo, a circulação de bola autoritária dos pupilos de Pochettino transformou o jogo num exercício de controlo e frustração para os cangurus, que raras vezes conseguiram importunar Matt Freese (com exceção de um disparo de Metcalfe aos 65'). Balogun ainda desperdiçou uma oportunidade soberba para dilatar o resultado, isolado por Tillman, mas o essencial estava feito.

A história de Pochettino

Já não há como negar: em menos de dois anos, Mauricio Pochettino deu a volta a uma equipa dos EUA que tinha sido humilhada na Copa América de 2024. Agora, já qualificou a equipa para a fase a eliminar do Campeonato do Mundo e está muito perto de vencer o grupo – basta que a Turquia não bata o Paraguai esta noite (4h00 da manhã em Lisboa).

Além disso, bateu mais um recorde: desde a edição inaugural do Mundial, em 1930, que os Estados Unidos não venciam dois jogos consecutivos na prova.

O melhor em campo: Alexander Freeman (7)

Os Estados Unidos queriam um pêndulo? Freeman estava lá, a ajudar na construção de jogo a três. Era preciso (mais) um homem no ataque, para furar a defesa australiana? Freeman avançou e marcou o golo que selou todas as contas. Desde a forma como distribui passes à astúcia que teve ao atacar aquele lance decisivo de cabeça, era difícil pedir mais ao jovem de 21 anos do Villarreal.

A figura da Austrália: Alessandro Circati (5)

Não é fácil perseguir Folarin Balogun em velocidade, mas Circati fê-lo ao minuto 53, para impedir um golo quase certo do avançado com um corte fenomenal. Foi o ponto alto de toda a exibição da Austrália, que se tentou basear na solidez defensiva e teve em Circati o maior porto de segurança, já que não cometeu erros assinaláveis e ainda impediu outras jogadas perigosas adversárias.

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