O presidente do Nacional, Rui Alves (foto CD Nacional)
O presidente do Nacional, Rui Alves (foto CD Nacional)

Rui Alves: «Um treinador feito tem mais dificuldade em entender porque é que não pode ter 27 Ferraris...»

Presidente do Nacional explicou a saída de Tiago Margarido e a contratação de João Gião. A composição do plantel e a ausência de propostas por Chucho Ramírez

Ao podcast “Preto no Branco”, Rui Alves, presidente do Nacional, abordou a saída de Tiago Margarido e falou da aposta em João Gião para 2026/27. O dirigente insular falou ainda do plantel e das posições que terão de ser reforçadas e esclareceu que até ao momento ainda não recebeu qualquer proposta por Jesús Ramírez.

«Os adeptos do Nacional sabem que há contratos e esses contratos têm um horizonte temporal. E, portanto, foi a primeira vez que o Nacional, na sua história no futebol profissional, fez um contrato para além de um ano com um treinador e era do conhecimento da comunidade e dos seus sócios e adeptos do Nacional que o treinador terminaria o contrato. E, naturalmente, as pessoas em qualquer área de atividade, têm projetos de carreira, têm ambições, e todos sabemos que os treinadores de futebol também têm esse processo evolutivo. E sabíamos também que o nosso treinador achava que era o momento de prosseguir a carreira num outro projeto. Eu tenho de pensar sempre que o meu clube é o maior do mundo e, portanto, não há aqui nenhum jogador ou treinador que vai dizer que vai dar um salto na sua carreira quando deixa o Nacional, para outro projeto. Portanto, não posso aceitar. Entendo, mas não aceito enquanto presidente do Nacional. O treinador entendeu assim, nós também entendemos que, face a este estado de espírito, também seria melhor. E, portanto, quando assim é, aquilo que o povo costuma dizer na sua sabedoria, que é junta-se a fome à vontade de comer», disse, sobre a saída de Tiago Margarido.

Rui Alves explicou também a aposta em João Gião: «Eu vi também uma fase da sua carreira de crescimento, de desafio, de ambição. Há alguns fatores que se encaixam na forma como o Nacional, em termos da sua organização e da sua liderança, entende que deve ser a condição do processo técnico. E, sobretudo, que estamos do lado, digamos, dos pobres do futebol, e não podemos comprar muitas coisas já feitas. Um treinador feito poderá corresponder e ter exigências de natureza salarial que o Nacional não goza. Poderá ter exigências de funcionamento estrutural que o Nacional também não quer. E também no sentido do preenchimento do plantel, um treinador feito tem mais dificuldade em entender porque é que não pode ter 27 Ferraris. E, portanto, nós temos de fazer a gestão com os pés no chão, porque, sobretudo, a sustentabilidade representa um pilar da nossa existência. O que é que lhe pedi? Que se deixe ser ajudado pelo Nacional

O presidente do nacional abordou ainda a composição do plantel, identificando as posições que terão de ser reforçadas. «Obviamente que a baliza neste momento está ocupada só com um elemento [Kevyn] e terão de aparecer dois novos elementos e pelo menos um novo lateral direito. O nosso meio campo está relativamente preenchido. Tínhamos um extremo emprestado pelo FC Porto [Gabriel Veron], tínhamos outro que acabou o contrato [Paulinho Bóia], no mínimo vão chegar dois extremos e os pontas de lança dependerá sempre do mercado. É muito simples de analisar as necessidades do plantel», afirmou, revelando que já há jogadores quase contratados: «Em concreto, neste momento, não existe nenhum jogador com contrato assinado. Existem alguns acordos feitos com atletas e com os clubes a que pertencem. Há um trânsito jurídico de encaixe da posição das partes e, portanto, quando isso acontecer, passará a ser uma situação definitiva. Mas temos que viver esta situação dentro da normalidade própria deste momento com a serenidade que nos caracteriza.»

Em relação Jesús Ramírez, Rui Alves garantiu que não recebeu nenhuma proposta. «Tem contrato por mais de um ano. Os rumores, tudo o que lhe se vai dizendo, poderão apontar um desfecho. Vivemos com tranquilidade essa realidade, mas não posso acrescentar nada em especial. Há propostas? Não, e mesmo que as houvesse, não lhe ia transmitir a essência de propostas, porque para mim, propostas do futebol valem o que valem, interessa-me coisas concretas e que são assinadas. No futebol, 99% por vez é igual a zero. Portanto, não vale a pena perder tempo. Isso é interessante para a comunicação social, mas na verdade acho que um dirigente não deve falar de expectativas, não deve falar de propostas, não deve falar de rumores, deve-se situar calmamente e serenamente em situações concretas. E em situação concreta, temos um jogador que tem contrato com o Nacional e, portanto, contamos com a sua continuidade», asseverou.

Rui Alves rejeitou contar com jogadores emprestado pelos grandes. «O Nacional nunca foi um clube de ter jogadores emprestados gigantes. Excecionalmente teve, mas a experiência também me diz que raramente com êxito. E, portanto, como nós não gostamos de ter projetos em barrigas de aluguer daqueles que competem connosco na Liga, este ano não teremos qualquer atleta proveniente da formação dos grandes ou de uma dispensa dos grandes», assegurou.

O presidente do Nacional recusou que a rejeição da proposta apresentada pelo clube na Liga de Clubes para a votação dos direitos televisivos, tenha sido uma derrota para si. «Não é uma questão de coragem e não é a questão de falha. É uma questão de participação e essa participação fica registada na memória da organização do futebol profissional em Portugal e na memória da participação que a instituição teve no processo. E terei algumas dúvidas se não fosse a nossa participação, se ainda assim o resultado final da proposta a aprovar, seria bastante diferente do que foi proposto por parte da Liga, se teria acontecido e podia ser mais desastroso. Mas, vamos esperar pela queixa que o Nacional apresentou à autoridade da concorrência, que já entregou, para ver se temos razão de que a proposta da Liga está ferida de morte, no que concerne à sua relação com o diploma que deu origem ao processo», justificou.

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