Mundial
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É hora de falar menos e jogar mais (e Ronaldo é só um dos problemas)
Foram meses, anos de soberba: em 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, era tudo nosso. Afinal, temos os melhores jogadores do Mundo, nas melhores equipas europeias, praticamente todos no seu pico de carreira e com a última oportunidade da glória num Mundial. Ia dar Portugal, de certeza. Pelo menos, até a bola começar a rolar. Pedro Proença não admite menos do que voltar para Portugal com o troféu na bagagem, Roberto Martínez agora já diz que a Seleção nem precisa de ganhar o Mundial, que tem é de jogar bem, e que a constante conversa sobre o favoritismo a vencer a prova perturba mais do que ajuda. Quem diria? O problema é que, com o espanhol a selecionador, jogar bem também tem sido mais difícil do que encontrar água no deserto.
O deprimente 1-1 frente à RD Congo foi um valente alerta à navegação. E ainda bem que aconteceu em fase tão precoce da competição, porque ainda há tempo de emendar o que muito de mal se está a fazer. Haja coragem para isso, nomeadamente para chamar Cristiano Ronaldo à parte e fazê-lo perceber de uma vez que a Seleção é, hoje, melhor sem ele em campo.
O tempo é um adversário imbatível e os números que fizeram de CR7 o melhor jogador da história de Portugal são, hoje, cruéis: o avançado não marca há 10 jogos em fases finais de Europeus ou Mundiais e, nesse caminho, enfrentou adversários de nível bem inferior ao de Portugal, como Coreia do Sul, Suíça (o titular, Gonçalo Ramos, fez um 'hat trick'), Chéquia, Eslovénia, Turquia ou Geórgia. Não há volta a dar e continuar com Ronaldo em campo, neste momento, não servirá para mais do que prolongar a angústia de esperar por algo que já não existe faz muito tempo e alimentar as novelas das suas irmãs. O passado está lá atrás, é grandioso e ninguém o apaga, mas já não marca golos nem faz assistências. Já chega.
á estávamos mal o suficiente se a estreia tivesse mostrado Cristiano como o único problema, mas o mal é bem maior e não vai ser resolvido a dar as mãos e a ter muita fé. Portugal precisa de muito mais Nuno Mendes, Vitinha, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva — qual é a ideia de o colocar a extremo nesta fase de carreira? — para poder sequer sonhar. O Mundial está farto em surpresas, o futebol cada vez mais equilibrado e longe vão os tempos em que as seleções europeias podiam desvalorizar os adversários de outros continentes. Há que agir e mudar rapidamente, sob pena de o 'vai dar Portugal' arriscar-se a ficar nas páginas negras da história da Seleção.